Banda mineira Daparte lança o seu 'compacto' virtual

Singles 'Pescador' e 'Acrobata' funcionam como o lado A e o lado B do antigo disquinho de vinil. Novo álbum, com 13 faixas, está confirmado para este ano

Guilherme Augusto 19/06/2021 04:00
Diego Ruahn/divulgação
Daparte prepara novo disco para este ano, depois de vários adiamentos desde 2019 (foto: Diego Ruahn/divulgação)

Está nos planos da banda Daparte lançar seu segundo álbum ainda em 2021. Gravado antes da pandemia, o trabalho terá 13 faixas, entre elas duas músicas lançadas pelo grupo nas últimas semanas remetendo ao formato compacto, ou seja, com lado A e lado B. A primeira, “Pescador”, chegou em 10 de junho. A segunda, “Acrobata”, na terça-feira (15/06). Ambas ganharam clipes animados dirigidos por Lucas Siqueira.

“'Pescador' foi composta em 2018”, conta o vocalista e guitarrista João Ferreira, que divide a banda com Juliano Alvarenga (voz e guitarra), Bernardo Cipriano (voz e teclado), Túlio Lima (voz e baixo) e Daniel Crase (bateria). “Na época, tinha acabado de terminar um relacionamento que me marcou muito. Foi o meu primeiro namoro e, com o fim, estava me sentindo meio à deriva. Durante uma viagem para Caraíva, comecei a pirar nos acordes e escrever o que vinha à cabeça.”

AJUDA

Segundo ele, a música é uma espécie de “pedido de ajuda” e, apesar de ter sido escrita após o término do relacionamento amoroso, João acredita que o principal interlocutor dela é seu pai, Alexandre Gonçalves. Na mesma época, os cinco viajaram para o sítio do tecladista Bernardo. Lá, compuseram “Acrobata”.

“Nossa ideia era escrever sobre a parada de estar na estrada e, longe de casa, buscar conforto no amor e na união com outras pessoas. Por isso decidimos inventar a história de uma acrobata que se machuca e, para continuar trabalhando, procura conforto no carinho das pessoas”, explica João.
“Pescador” foi gravada nos estúdios Sonastério, em Nova Lima, e Ilha do Corvo, em BH. A música marca a primeira parceria da banda com o produtor Leo Marques.

“O produtor é como diretor de cinema ou técnico de futebol. Ele usa as peças, nesse caso a banda, para chegar a um objetivo. Cada produtor deixa um pouquinho da sua marca nas músicas que produz. O Leo é um cara que tem uma marca forte e a gente curte muito a identidade que ele imprime às produções. Ele tem abordagem vintage, trabalha com um monte de instrumentos antigos”, conta João.

“Acrobata”, produzida por Renato Cipriano, foi gravada no estúdio New Doors Vintage Keys, o antigo Máquina, onde o Skank fez alguns de seus álbuns. Juliano, filho de Samuel Rosa, ficou emocionado ao gravar no estúdio em que praticamente cresceu.

“Eu o frequentava quando era muito criança. Vê-lo reformado, mudado, mas com a mesma essência, mexeu comigo, no bom sentido. Passei a vida inteira vendo não só o Skank gravando lá, mas uma série de outros artistas”, relembra.

A banda gravou ao vivo. Depois de ensaiar a canção incansavelmente, os cinco registraram sete takes e lançaram o segundo. “Esse formato apresenta a sinergia e essa coisa mágica que só acontece quando todo mundo está em sintonia”, explica João Ferreira.

As músicas foram lançadas juntas porque “são meio irmãs”, explica Juliano Alvarenga, que faz a voz principal de “Acrobata”. João canta em “Pescador”, dividindo os vocais com o carioca Zé Ibarra, ex-integrante da banda Dônica, que chamou a atenção ao participar da turnê “Clube da Esquina”, de Milton Nascimento, entre 2018 e 2019.

CLUBE

“Somos muito fãs de 'Clube da Esquina'”, afirma Juliano. “O Zé é um cantor quase mineiro”, brinca. O novo disco da Daparte terá duas participações especiais: Ibarra e o grupo Lagum. “Nunca fui desse lugar”, parceria entre as bandas mineiras, foi lançada em fevereiro deste ano.

“Queríamos um parceiro pop, que é o Lagum, e um parceiro do underground e da psicodelia, que é o Zé”, explica o músico. Também fazem parte do disco “Segundas intenções”, “Iaiá”, “Três da manhã” e “Calma”, singles lançados em 2020.

Ainda sem data de lançamento, o álbum sofreu uma série de adiamentos por conta do coronavírus. “Estamos para lançar o disco desde o final de 2019. Ele sairia no início de 2020, mas aí veio a pandemia e atrapalhou os nossos planos. Mudamos várias vezes na esperança de ter vacina e, portanto, a volta dos shows. Agora decidimos que não dá mais para esperar o Bolsonaro fazer qualquer coisa”, diz João Ferreira.
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