Minas Gerais e a paixão pela música, em especial pelo rap, juntou o duo Hot e Oreia, que se conheceu nas batalhas de MCs da capital. Após estrearem no ano passado com o disco Rap de massagem (2019), os mineiros lançaram no mês passado o álbum Crianças selvagens. Com críticas sociais pesadas acompanhadas de doses de humor e sarcasmo, o lançamento traz canções que abordam educação sexual e tolerância religiosa e criticam a estrutural patriarcal.
Em Crianças selvagens, a dupla se preocupou em se comunicar com o público, principalmente "a galera mais nova" que acompanha o trabalho dos rappers. O título é inspirado no capítulo de um livro que os mineiros gostam. “O nome a gente pensou depois da primeira música, achamos que podia ser um norte para a produção do disco. O nome também vai de encontro com a nossa nova fase, a gente está buscando a criança de quando a gente começou, se entendeu como artista”, conta Hot em entrevista ao Correio.
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The Fevers faz homenagem a Renato Barros, lÃder dos Blue CapsOrquestra Ouro Preto vai estrear no drive-in neste domingo com transmissão do Portal Uai Hot conta como ficou sua vida após ser acusado de agressão pela namoradaZuza Homem de Mello, pesquisador musical, morre em SP aos 87 anos“A gente perguntou no Instagram, quem o público sugeriria para gravarmos juntos. Muitos escolheram o Black Alien e ele disse que topava. Tempos depois nos encontramos em um festival e acabou rolando”, lembra Hot.
O álbum foi concebido durante o período de isolamento social. Eles usaram o momento para viajar para a casa do pai de Oreia, no Vale do Jequitinhonha (MG), onde foi feita a maior parte do processo de criação, por meio de composições e chamadas de vídeo com os parceiros.
“A repercussão está massa, estamos felizes. A galera está endoidando, o povo falou que melhoramos muito musicalmente, os números estão legais. A gente amadureceu um pouco nas ideias e na música”, pontua Oreia, que acredita que o novo trabalho é uma extensão do disco anterior.
Um dos maiores nomes do rap da atualidade e conterrâneo de Hot e Oreia, Djonga escreveu um texto de apresentação de Crianças selvagens. “A gente é amigo há muitos anos. Hot que deu o nome de Djonga para ele, a gente tinha um grupo juntos chamado DV Tribo. Depois cada um foi para um lado, a gente é muito amigo, coisa de vida”, declara Oreia.
Apresentação de Djonga
"Muito louco! Eu tomei umas e fui ouvir o disco. Notei que musicalmente os caras transcenderam. A musicalidade realmente ultrapassou o limite do ápice que tinham chegado. Existe algo nas ideias que une o álbum inteiro. Estou vendo vocês colocando para pista aquelas ideias que já pensavam há um tempão. Além disso Hot tem um flow muito cabuloso.
O mais original que rola no Brasil. Uma parada que não dá para explicar muito bem. E esse lance das colagens e intervenções são muito importantes e deu uma característica muito foda para o disco, como nos samples do Caetano Veloso e do Nelson Ned. O Oreia trouxe uma maturidade nas letras que transcende muito o que ele tinha criado como personagem dele mesmo.
Acho que é um álbum que em todos os sentidos possíveis está muito mais profissional e muito mais sinistro do que o primeiro de vocês. Traz uma espécie de complexidade muito gostosa. Os caras estão de parabéns."
Confira o clipe de Presença, de Hot e Oreia
*Estagiária sob supervisão de Adriana Izel