Ney Matogrosso sobre show: 'Não discuto nada e tem sido um sucesso louco'

Turnê 'Bloco na rua' estreou em janeiro em São Paulo e fica desta sexta (14) a domingo no Palácio das Artes

por Pedro Galvão 12/06/2019 08:50
Marcos Hermes/Divulgação
"Acho que nós regredimos. Fomos jogados pelo vice (Michel Temer) 20 anos para trás e, agora, vamos caminhar mais ainda para trás. Mas vejo isso tudo como circunstancial. Na minha maneira de olhar, isso tudo é passageiro. Isso tudo vem e vai. Como tudo na vida, olho assim. Por isso, não tenho um partido político, não tenho uma escola de samba preferida, não tenho time de futebol. Prefiro ter esse grau de soltura no mundo, mas com liberdade para tocar em qualquer assunto", Ney Matogrosso, cantor (foto: Marcos Hermes/Divulgação)
Se há quem diga que ele dormiu de touca, perdeu a boca ou fugiu da briga, Ney Matogrosso mostra que, aos 77 anos, ainda tem energia de sobra para botar o Bloco na rua. Nesta semana, o cantor traz a Belo Horizonte sua nova turnê, cujo nome faz referência ao sucesso de Sérgio Sampaio (1947-1994), canção que costuma abrir o show. Para brincar, botar pra gemer, gingar, dar e vender, Ney escolheu um repertório com diversos compositores. Algumas das músicas ele já gravou, outras são menos conhecidas, mas todas são de seu absoluto agrado. Na capital mineira, serão três apresentações no Grande Teatro do Palácio das Artes, a partir desta sexta-feira (14).

Bloco na rua estreou em janeiro passado, cinco anos depois do fim da turnê anterior, Atento aos sinais. Desta vez, ele quer “isso e aquilo, um quilo mais daquilo, um grilo menos disso” e “todo mundo nesse carnaval”, embora o clima atual no Brasil seja de contrastantes e exaltados discursos nas esferas social e política. “Não estava preocupado em lançar nada neste momento. Queria apenas cantar aquilo que gosto de ouvir. Incluí algumas músicas que já fazem parte do meu repertório, além de outras muito conhecidas, mas que ainda não tinha cantado”, diz Ney sobre a preparação do show, que, segundo ele, levou “dois ou três anos” para ser concluída.

“Fiz uns 10 roteiros até chegar neste”, afirma. Nesse processo, além da canção que dá nome à turnê, ainda entram, por exemplo, Pavão mysteriozo (Ednardo), Sangue latino e Mulher barriguda, do Secos & Molhados, bem conhecidas em sua voz, e outras como Tua cantiga (Chico Buarque), e Álcool (Bolero filosófico), de DJ Dolores. Inominável, escrita por Dan Nakagawa, é o único lançamento da lista. No giro, que começou no Rio de Janeiro e passou por São Paulo, Vitória, Salvador, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, Coração civil, de Milton Nascimento, tem entrado no bis, para um encerramento do espetáculo em grande estilo.

Conhecido por não levar discursos mais politizados ao palco, Ney Matogrosso define a escolha das músicas como “menos elucubração e mais afetividade”, mas reconhece que essa e outras canções do repertório, ainda que tenham sido compostas há muito tempo, encontram eco no contexto político atual do país. “É uma música  (Coração civil) que já cantei, em 1985. Infelizmente, ela faz muito sentido, mesmo que se refira à história de Costa Rica, que não tem um Exército. Mas não ter essa preocupação com guerras, armas ou vontade de se armar é algo que foge muito da nossa realidade atual, que está cada vez mais violenta e retrógrada”, afirma.

REGRESSÃO

Contrariando quem pensa que ele “caiu do galho” ou que “morreu de medo quando o pau quebrou”, Ney não se furta a falar sobre o cenário político brasileiro. “Acho que nós regredimos. Fomos jogados pelo vice (o ex-presidente Michel Temer, do MDB) 20 anos para trás e, agora, vamos caminhar mais ainda para trás. Mas vejo isso tudo como circunstancial. Na minha maneira de olhar, isso tudo é passageiro. Isso tudo vem e vai. Como tudo na vida, olho assim. Por isso, não tenho um partido político, não tenho uma escola de samba preferida, não tenho time de futebol. Prefiro ter esse grau de soltura no mundo, mas com liberdade para tocar em qualquer assunto.”

Dessa forma, o artista segue com neutralidade de discurso nas apresentações e se mostra satisfeito com o resultado da turnê até aqui. “Não discuto nada, cada um tem o direito de pensar o que quiser. E assim tem sido um sucesso louco. No comecinho, achei que podia haver alguma reação estranha, no frigir dos ovos desse contexto atual, mas não houve nenhum estranhamento. As pessoas gostam muito do show, é evidente isso”, diz. Com sua habitual boa forma física, Ney Matogrosso usa no show figurino criado pelo estilista Lino Villaventura. Ele diz que a energia para seguir “botando o bloco na rua” vem da mente. “Essa força vem da minha cabeça e de não respeitar essa história de que tenho 77 anos. Tenho a idade que der para eu fazer as minhas coisas. Não estou preocupado com isso, não tem peso dentro de mim. E isso não é uma coisa só minha, está acontecendo com muita gente, é um paradigma”, afirma.

Contando com a companhia dos músicos Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone), que o acompanham desde a turnê anterior, Ney Matogrosso planeja gravar um álbum e um DVD após o fim do giro.


SET LIST

Confira o repertório do show
Eu quero é botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio)
Jardins da Babilônia (Rita Lee)
O beco (Os Paralamas do Sucesso)
Álcool (Bolero filosófico) (DJ Dolores)
Já sei (Itamar Assumpção)
Mais feliz (Cazuza)
Pavão mysteriozo (Ednardo)
Tua cantiga (Chico Buarque)
Yolanda (Pablo Milanés)
Postal de amor (Fagner)
Ponta do lápis (Clodô, Roger Rogério)
Tem gente com fome (Solano Trindade)
Corista de rock (Rita Lee)
Já que tem que (Itamar Assumpção)
O último dia (Paulinho Moska)
Inominável (Dan Nakagawa)
Sangue latino (Secos & Molhados)
Como 2 e 2 (Caetano Veloso)
Coração civil (Fernando Brant e Milton Nascimento)
Feira moderna (Beto Guedes, Fernando Brant, Lô Borges)
Mulher barriguda (Secos & Molhados)

Bloco na rua


Show de Ney Matogrosso. No Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro), sexta-feira (14) e sábado (15), às 21h; domingo (16), às 19h. Ingressos para a plateia I esgotados. Plateia II: R$ 300 e R$ 150 (meia). Plateia superior: R$ 280 e R$ 140 (meia). à venda no site Ingresso Rápido e na bilheteria do Palácio das Artes. Mais informações: (31) 3236-7400.

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