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A gente não quer só comida

BH amplia cardápio de atrações culturais na hora do almoço

Restaurante Bicho papão, no Santo Antônio, exibe um filme todos os dias no momento mais saboroso do dia - Foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press
Um saxofone ecoa às 12h30 em plena Rua Guajajaras, no Centro de Belo Horizonte. Em seguida, ouve-se uma guitarra, um baixo, um teclado e uma bateria. O som é do quinteto formado pelos músicos Daniel Souza, Breno Mendonça, Matheus Ramos, Nathan Morais e Nick. No repertório, músicas autorais e releituras de canções conhecidas como Clube da esquina 2 (Milton Nascimento, Márcio Borges e Lô Borges). O show faz parte do projeto mais antigo do Conservatório UFMG, o Quarta cultural, que desde 2004 traz atrações musicais das mais variadas para se apresentar no estacionamento da instituição sempre na hora do almoço. “A proposta é trazer um refresco, uma pausa nesse momento do dia. Ainda mais aqui no Centro, sempre tão movimentado, muita gente acaba parando para ouvir uma música de qualidade e ainda de graça”, comenta o diretor do Conservatório, Fernando de Oliveira Rocha, que está atrás de patrocínio para ajudar a fomentar o programa. “Ele tem uma visibilidade bacana e muitos artistas pedem para participar”, acrescenta.

Música erudita, popular, bandas e corais já integraram a programação ao longo desses 15 anos.
O próprio guitarrista Daniel Souza já esteve em uma outra ocasião tocando e é só elogios à iniciativa. “Além de ser uma oportunidade de mostrar um pouco do nosso trabalho, é um momento para o público de BH, sobretudo quem frequenta essa região, de ouvir um pouco de música, dar uma respirada nessa vida agitada”, comenta.

O público é diverso. Operários, gente engravatada, famílias, crianças e idosos. A maior parte costuma ouvir duas ou três músicas, mas há quem bata ponto toda semana como o casal de aposentados Carmem Caetano e Adílson Celso que mora nas redondezas e há sete anos não perde um Quarta cultural. “É muito raro a gente não vir. É uma oportunidade de ouvir música boa, pertinho de casa.
A gente almoça às 11h e meio dia já vem pra cá”, conta Carmem. O marido ressalta a qualidade das atrações. “Já assistimos a quintetos como os de hoje, bandas da Polícia Militar e dos Bombeiros, artistas bem virtuosos mesmo. Cultura sempre é bom e necessária e acho que deveria ter mais programas espalhados pela cidade”, ressalta.

E, pelo visto, Belo Horizonte percebeu que esse período do dia pode ser dedicado não só à comida, mas também à diversão e à arte. Na semana passada, a capital mineira ganhou mais um projeto cultural na hora do almoço. Também às quartas, o Praça 7 Instrumental, em frente ao Cine Theatro Brasil Vallourec, oferece uma música de qualidade de ritmos variados como erudito, popular, jazz, bossa-nova, pop, choro e até rock.



DO LÍRICO AO FORRÓ Curador da empreitada, o maestro Marcelo Ramos acredita que a iniciativa tem tudo para pegar já que o belo-horizontino é conhecido por ser um povo extremamente cultural. “A programação é variada; não dá para ficar engessada porque o público que frequenta a Praça sete é eclético. Temos desde quarteto de cordas a trio de forró.

É literalmente do erudito ao popular”, revela. Até o fim do ano serão cerca de 40 apresentações. Ramos comenta quem há um palco montado e que se o projeto se firmar, a intenção é colocar cadeiras para que as pessoas possam apreciar com mais conforto. “E mesmo que chova, ele será transferido para o foyer do Cine Brasil. Além de oferecer à população uma opção artística de excelência, a gente incentiva a produção musical da cidade”, defende.

A Fundação Clóvis Salgado (FCS) também tem projetos nesse sentido. O Lírico ao meio-dia traz um concerto especial nessa semana. Amanhã, às 12h, o evento celebra os 40 anos do Coral Lírico de Minas Gerais. O repertório reúne composições de Mendelssohn, Schubert, e Brahms, além de coros de grandes óperas, como Carmen e o Pescador de Pérolas, sob regência do convidado, o maestro argentino Hernán Sanchéz. As apresentações também contam com participação de Cenira Schreiber, pianista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Fred Natalino, pianista acompanhador do Coral Lírico de Minas Gerais, e da solista convidada Andréa de Paula (soprano).
O Lírico ao meio dia acontece quinzenalmente alternando com a Sinfônica ao meio dia que traz a Orquestra apresentando grandes obras musicais para agregar valor à hora do almoço.

CINEMA Mas nem só de música vivem os projetos que são realizados no momento mais saboroso do dia. O cinema se faz presente também no Palácio das artes. A mostra Curta no almoço está de volta à programação do Cine Humberto Mauro. Todas às sextas, a partir das 13h15, estão sendo exibidos dois curtas-metragens que dão um recorte da programação da edição 2018 do FESTCURTASBH, que teve como temática o cinema negro.

Bruno Hilário, gerente de Cinema da FCS, espera que assistir a um filme nesse período do dia possa até se tornar um hábito, ainda mais se tratando de um formato de pouca duração. “Não é porque ele é menor que não seja uma expressão cinematográfica importante. O curta traz as suas próprias potencialidades, questões estéticas e é uma oportunidade até para quem não tem muito contato com o cinema, de se interessar mais. E eu asseguro, curta-metragem é uma paixão sem volta. Esse projeto é também para difundir esse gênero”, destaca.


Cada filme dura no máximo 20 minutos o que permite que quem for ao espaço possa almoçar com calma e curtir uma sessão tranquila. “Sempre faremos uma breve apresentação do que será exibido e, em algumas sessões, vamos contar com a presença do próprio diretor. É uma conversa rápida, mas que serve para aproximar o público do cinema.

Tudo isso estimula”, diz.


Quarta cultural é o projeto mais antigo do Conservatório UFMG - Foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press


No Santo Antônio, os frequentadores de um restaurante têm a oportunidade de almoçar assistindo a um clássico da sétima arte. Bicho papão – nome sugerido pelos clientes – abriu as portas há 23 anos e há 15 exibe filmes a partir das 12h. “Eu sempre gostei muito de cinema, coleciono filmes e aí decidi exibir na hora do almoço ao invés do noticiário. Tem muita gente que vem aqui e quer saber qual o filme está passando para poder acompanhar”, revela o proprietário Fernando José dos Santos.

De segunda a sábado, ele seleciona uma produção, escreve a sinopse e prega na parede do estabelecimento. “Muitos clientes ficam querendo saber qual é o longa que está sendo exibido. Então fica mais fácil deixar a sinopse ali dando uma geral. O diretor, o enredo, de que ano é. Várias pessoas da área cultural vem aqui por causa da nossa proposta. Aos sábados, temos muitas famílias porque sempre exibimos uma animação. O almoço pode ser muito mais do que um momento de se alimentar. Pode ser sinônimo de entretenimento também”, acredita.

 

A Praça Sete também ganhou um projeto de música de qualidade que acontece às quartas a partir das 12h - Foto: Lucas Madera/Divulgação 

 

À la carte

Veja algumas das ofertas de eventos culturais realizados em torno do meio-dia


» Quarta cultural
. Todas as quartas, das 12h30 às 13h30, nos fundos do Conservatório UFMG (Rua Guajajaras, 100, Centro). Entrada gratuita. Atração do dia 29: Danuza Menezes & Pandeiro Mineiro (música popular). Informações: (31) 3409-8300.

 » Lírico ao meio-dia. Amanhã (28), às 12h. Concerto especial dos 40 anos do Coral Lírico de Minas Gerais, no Grande Teatro Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. (31) 3236-7400). Entrada gratuita.

» Praça Sete Instrumental
. Todas as quartas-feiras, entre 12h e 13h, na Praça Sete em frente ao Cine Theatro Brasil Vallourec. Entrada gratuita. Atração do dia 29: Enéias Xavier Jazz Quartet (Enéias Xavier, Chico Amaral, Magno Alexandre e Lincoln Cheib). Informações: (31) 3201-5211 – www.cinetheatrobrasil.com.br

 » Mostra Curta no almoço
. Toda as sextas, até 2 de agosto, sempre às 13h15, no Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. (31) 3236-7321) Entrada gratuita, com retirada de ingressos 30 minutos antes. Programação do dia 31: Curtas Impermeável pavio curto, do diretor mineiro Higor Gomes. Palenque, de Sebástian Pinzón Silva (coprodução entre Colômbia e Estados Unidos)

» Sinfônica ao meio-dia, com regência de André Brant
. Quarta (4/6), às 12h, no Grande Teatro Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. (31) 3236-7400). Entrada gratuita. Repertório: trechos de O Rapto do Serralho, de Mozart, O Franco Atirador, de Carl Maria von Weber, e Sinfonia nº 3, de Schumann

» Bicho Papão. Restaurante que exibe filmes na hora do almoço. Rua Viçosa, 479, São Pedro. (31) 3296-9792. De segunda a sábado, das 11h às 15h.

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