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Retrato experimental

Thiago Corrêa faz show de lançamento de 'A solidão é o fio'



Há quem chame Thiago Corrêa multi-instrumentista. “Não gosto, sou baixista. O que tenho é vontade de experimentar”, afirma o músico de 38 anos. Pois até chegar ao seu primeiro álbum solo – A solidão é o fio, com show de lançamento nesta quarta (19), no Vinnil Cultura Bar – ele experimentou bastante.

Voltando no tempo, encontramos ele no universo do rock pesado – primeiramente com a banda Diesel, que o levou a viver durante um tempo nos EUA, e o Eminence, de metal, com quem fez turnês no exterior. Acompanhou Vander Lee e a dupla Victor & Léo em apresentações em vários destinos. Abraçou o trabalho autoral na banda Transmissor, onde também é um dos vocalistas. No tempo livre, ainda é capaz de vestir uma calça de lycra para assumir seu posto na Orquestra Mineira de Brega.

“Não quero me prender a um estilo, para que o público espere de mim sempre a mesma coisa. Gosto de metal da mesma forma que de música caribenha”, continua Corrêa.
A solidão é o fio resulta desta trajetória diversa. “O disco tem um caráter diferente porque não nasceu de um projeto particular. Não sentei e fiz um conceito para um álbum. Ele é mais um apanhado de músicas que não gravei em outros projetos. Tudo é praticamente inédito”, continua Corrêa.

O álbum, já disponível nas plataformas digitais, reúne 10 canções. “Tem gravação até de 2003, quando morava em Los Angeles. São violões, percussões, que quis deixar (do registro original) até por uma coisa de afetividade mesmo.
Como experimentei muita coisa na vida, o disco é um retrato disso.”

Mulher de pedra traz claras referências da música flamenca. Sara, com letra esperta (“Sara sacode sua saia sob o sol/ Sara sacode sua saia sem saber/ Sonhando”) tem uma levada latina, enquanto a suave Festa remete ao samba. Ainda que renegue a faceta multi-instrumentista, Corrêa gravou a maior parte dos instrumentos no disco.

No entanto, houve algumas participações, caso do baterista André Campagnani, que tocou em algumas faixas, e Henrique Matheus, sócio de Corrêa no estúdio Frango no Bafo (e também integrante do Transmissor), que mixou e tocou algumas guitarras. Mas a presença mais ilustre é a de Ivan Corrêa.

CONVIDADO Um dos maiores baixistas mineiros em atividade, Ivan é pai de Thiago. Participou da faixa-título, uma canção acústica, só de violão e baixo. “Peguei esta música que tinha sido feita para o Transmissor e chamei meu pai para tocar comigo. Foi um momento pontual fazer este encontro, por tudo o que ele representa na minha carreira.” Por serem baixistas, os Corrêa pai e filho pouco tocam juntos.

Ivan Corrêa será um dos convidados do show de lançamento, assim como Jennifer Souza, integrante do Transmissor. Thiago estará acompanhado de banda formada por Henrique Matheus, Fernando Feijão (bateria) e Samantha Rennó (percussão).

De volta a BH depois de cinco anos viajando direto e só passando por aqui de vez em quando, Corrêa pretende ainda retomar seu trabalho no estúdio e movimentar a cena autoral.
Vai levar o trabalho solo para onde puder. Quanto ao Transmissor – “que oficialmente nunca parou, só está hibernando” –, quem sabe? “Ensaiamos uma volta este ano, mas acabou não acontecendo. Estamos namorando para ver se fazemos outro disco”, finaliza.


THIAGO CORRÊA
Show de lançamento do álbum A solidão é o fio. Quarta (19), às 20h, no Vinnil Cultura Bar – Rua dos Inconfidentes, 1.068, Savassi. Ingressos: R$ 20.

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