Há 30 anos nascia a Guilden, primeira boate de eletrônica da cidade

A casa noturna, primeiro local a tocar New Order, Depeche Mode e Pet Shop Boys em BH, funcionou por dois anos na Avenida Prudente de Morais

por Helvécio Carlos 23/11/2018 14:31
Acervo pessoal
Pista da Guilden, na Avenida Prudente de Morais (foto: Acervo pessoal)
Pouca gente que passa pela avenida Prudente de Morais no quarteirão entre as ruas Carlos Gomes e Nunes Vieira, sabe que ali, no final dos anos 1980, era o endereço preferido pela moçada que se jogava na pista ao som dos primeiros acordes da música eletrônica. A Guilden, inaugurada há quase 30 anos – o aniversário de fundação é 15 de dezembro de 1988 – foi, por dois anos, o berço da house music na capital. Por ali, muita gente dançou ao som de New Order, Pet Shop Boys, Bomb the bass e muita coisa legal.

À época, as opções para a rapaziada eram a New balance, Upstairs, The great brazilian disaster, Tom Marron ambas na Savassi, e Baturité, na Cidade Nova. A Le Galop já estava em alta e tocava outro tipo de música. Foi nesse cenário que entram três adolescentes, cansados da mesmice da cidade, e se lançam no projeto. Júlio Souki Amaral tinha acabado de chegar da Europa com a cabeça fervilhando de ideias quando encontrou com um grande amigo, Weber Pádua – o Webinho –, e o amigo dele, Adler Victor Fernandes Teixeira. Conversa daqui, conversa dali, bateram o martelo: era hora de Belo Horizonte ganhar um espaço diferente de tudo que existia até então.

O trio não perdeu tempo. Descobriram o imóvel - o Sacolão Prudente de Morais, com dois andares e 700 metros quadrados - e, literalmente, saiam as ruas contando o número de pessoas que estavam nos abres e restaurantes. “Esperávamos fazer uma coisa bacana, mas a repercussão nos surpreendeu”, recorda Weber Pádua. O sucesso, ele reconhece, deve-se ao fato de terem pegado carona no início da house music.
 
“Era um som eletrônico novo, que começava na Europa e nos Estados Unidos. E éramos radicais, não tocávamos músicas nacionais ou discoteca”, acrescenta Webinho. “Até hoje me lembro, com saudades, da qualidade e potência do equipamento”, recorda Adler Victor, que há seis anos trabalha em uma siderúrgica, na Europa. “Olhando para trás, parece uma loucura que nós, tão jovens, tenhamos conseguido levar um projeto tão grande adiante”.

Acervo pessoal
Ontem e hoje, Weber Pádua, Adler Teixeira e Júlio Souki (foto: Acervo pessoal)
Enhenheiro civil, Júlio Souki Amaral, mora na Inglaterra onde trabalha no Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos,  tem na ponta da língua os sucessos da época. Ele cita Bizarre love triangle (New Order), Relax (Don' do it) (Frank goes to Hollywood), French kiss (Lil Louis), Inspiration (Section 25), Don't make me wait (Bomb the bass), Suburbia (Pet shop boys), Good life (Inner city) e Headhunter (Front 242).

Mas, diferentemente dos dias atuais, não era difícil encontrar discos. E quando  encontrados, o preço era alto. Um single, num bolachão de 180 gramas, 45 RPM, com  duas música – uma no lado A, outra no lado B -, custava US$ 25. “Quando eu viajava trazia uns 20 discos de uma vez só. Mas, muitas vezes fomos de carro a São Paulo não só para comprar discos como a iluminação da boate. Em Belo Horizonte, aquela época só havia uma loja de iluminação e era muito caro. Não dava para nós”, diverte-se, Júlio. Apesar da dedicação e força de vontade, os rapazes têm muito agradecer aos pais. Foram eles quem garantiram os US$ 9 mil dos US$ 15 mil dólares do investimento. O restante foi levantado em empréstimos bancário. Em quatro meses a dívida com os pais e o banco estava quitada.

Foi a Guilden também que lançou a idéia de montar seu staff de garçons com estudantes, amigos dos donos da casa. “O intervalo de descanso que os empregados têm direito era na Guilden, usado para a turma se divertir na pista. Eles podiam dançar, paquerar, mas depois de uma hora voltavam para o bar. Isso era outra diferença”, aponta, Júlio. Sucesso da época também estava no cardápio da casa: as esfirras feitas pela mãe de Weber. “Eram altamente cobiçadas”.

Sobre a origem do nome da boate, Weber e Júlio dizem que nada mais era que o som da palavra Gulden, moeda holandesa (florim, em português) antes da adoção do Euro.
 
Conheça dois hits da Guilden
 
French kiss, de Lil Louis

Don't make me wait, de Bomb the Bass 
 

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