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Inspiração brasuca

Festival Metalpunk Overkill traz a BH o grupo finlandês Força Macabra


 

Nada de consoantes estranhamente enfileiradas ou refrões incompreensíveis sem a ajuda do Google Tradutor. Apesar da nacionalidade finlandesa, a discografia do Força Macabra reúne títulos como Nos túmulos abertos, Meus olhos só veem dor e Aqui é o inferno. Se não é difícil encontrar bandas brasileiras de metal, hardcore e outros ritmos extremos cantando em inglês, ver artistas de países não lusófonos fazendo letras na nossa língua é raridade. Já o grupo que se apresenta neste sábado (24), em Belo Horizonte, foi formado em 1991 justamente com esse propósito, sob a influência do rock pesado feito por aqui na década anterior.

Spotify Muito antes do surgimento de internet, YouTube ou Spotify, o underground brasileiro dos anos 1980 era tão potente que conseguiu chegar aos confins do continente europeu. Bandas como Ratos de Porão, Cólera, Lobotomia, Sepultura, Overdose e Chakal conquistaram os jovens Otto Itkonen e Otto “Taurus” Luotonen, respectivamente baterista e vocalista e criadores do Força Macabra, principal atração do festival Metalpunk Overkill Festival, que terá mais uma edição hoje à noite, na Matriz Casa Cultural.

“Para cantar em português, nos inspiramos em Armagedom, Ratos de Porão, Lobotomia e em um dicionário de bolso”, explica Taurus. Ele conta que, no começo, tentavam descobrir o que as palavras significavam e por que não havia outra possibilidade para eles a não ser cantar em português. “Começamos a escrever letras e tivemos ajuda de amigos do Brasil e de Portugal para corrigi-las. Nas primeiras gravações, a pronúncia era bem mais ou menos, mas talvez isso tornasse tudo mais original e interessante”, revela o vocalista, que, com o tempo estudou português e conta com a colaboração de amigos daqui para escrever algumas músicas.

Como o nome da banda sugere, a maioria das letras fala sobre temas sombrios, mórbidos, com críticas sociais em algumas delas.
O som tem o peso digno das influências do punk e do metal que buscaram no Brasil. Com pelo menos seis álbuns de estúdio e uma recente coletânea, o show em BH será um apanhado geral dessa trajetória. A capital mineira é a parada final na turnê, mas não menos importante para o grupo. “As bandas de metal extremo dos anos 1980 formadas em Belo Horizonte eram bastante singulares e causaram forte impacto em nós. O selo Cogumelo estava em nossas mentes como um verdadeiro epítome das bandas mais cruas e selvagens”, ressalta o baterista Otto Itkonen, que esteve na cidade há 12 anos, em sua última turnê por aqui. “As expectativas corresponderam, vamos ver como será agora”, diz.

Os finlandeses também destacam a possibilidade de tocar no mesmo evento que o Armagedom, banda paulista citada por eles como importante influência para o Força Macabra, além dos amigos e compatriotas do Kovaa Rasvaa, outro nome importante no underground do país nórdico. Realizado em BH de forma independente desde 2013, o Metalpunk Overkill propõe a cada edição uma reunião de bandas locais, nacionais e estrangeiras de ritmos extremos: punk rock, thrash metal, crossover, hardcore e grindcore.

METALPUNK OVERKILL FESTIVAL
Shows de Força Macabra (Finlândia), Kovaa Rasvaa (Finlândia), Armagedom (SP), Tyranno (RJ), Stomachal Corrosion (BH), Martírio (BH) e Vultor (BH/Ouro Preto).
Sábado (24), a partir das 18h, no Matriz Casa Cultural (Rua dos Guajajaras, 1.353, Santo Agostinho, (31) 3212-6122). Ingressos: R$ 30 (antecipado no site Sympla) e R$ 40 (na bilheteria, apenas em dinheiro).

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