Festival reúne em BH 40 bandas, cantores e DJs ligados ao forró

Veterano da cena pé de serra, o paraibano Flávio José critica modismos e defende o legado de Gonzagão

por Walter Felix 15/11/2018 09:00
Acervo pessoal
O cantor, compositor sanfoneiro Flávio José diz que o legítimo forró sintetiza a cultura nordestina (foto: Acervo pessoal)

A tradição vai marcar presença no Festival Rootstock, que chega à 13ª edição nesta quinta-feira (15). Até sábado (17), BH vai receber alguns dos principais representantes do forró pé de serra – são cerca de 40 atrações, entre cantores, bandas e DJs, que evocam as raízes do estilo musical nordestino. O paraibano Flávio José, um dos veteranos da programação, sobe ao palco no último dia do evento.

O forró é o maior cartão-postal do Nordeste, afirma Flávio, ressaltando que esse gênero musical sintetiza a multiplicidade cultural da região. “Sou suspeito pra falar, pois tenho que defender o estilo que é o meu. O forró representa o povo nordestino com propriedade, mas também invadiu o restante do país, principalmente o Sudeste”, diz.

O cantor, compositor e sanfoneiro ressalta a tradição como marca registrada do estilo musical. E “torce o nariz” para artistas que modernizam o gênero, a exemplo dos adeptos do eletroforró.

“O povo gosta do que está na moda. É muito influenciado pela mídia, que, lamentavelmente, não dá ao forró o mesmo apoio dado a esses outros estilos que se autodenominam forró”, critica. E avisa: “Não se pode admitir como forró um outro ritmo com batida totalmente diferente, que não leva nada dos instrumentos que são a base do estilo”, defende Flávio.

Das gerações mais jovens, ele destaca Santanna, o Cantador, Jorge de Altinho e Dorgival Dantas. Esses artistas, afirma o veterano, bebem na fonte do arrasta-pé, representado por Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Trio Nordestino.
De acordo com o paraibano, o sucesso e a durabilidade de eventos como o Rootstock comprovam que o ritmo tradicional sobrevive em meio a modismos. “Considero o forró a música realmente representativa da cultura nordestina, apesar de, hoje, ele ser massacrado pelo rolo compressor de modinhas. A tradição mantém o sucesso pela qualidade das letras. Outras tendências sempre vão existir, mas não sensibilizam tanto quanto a autêntica música nordestina”, garante.

POP Em família, a diversidade dá o tom. Orgulhoso, Flávio José fala do neto, Pedro Remigio, de 10 anos, e compartilha em suas redes sociais o clipe em que o garoto interpreta In my blood, pop romântico do canadense Shawn Mendes.

Lara Amélia, filha de Flávio, é o meio-termo entre as gerações. A cantora, de 25 anos, segue o forró do pai, mas parte de seu repertório tem pegada pop.

A diferença de estilos não é problema para Flávio. “Já nascemos com nosso próprio ritmo musical. Isso é normal, só me resta aplaudi-los”, afirma ele.

SANFONINHA Assim como Lara e Pedro, Flávio José iniciou cedo sua carreira artística. “Entrei no mundo do forró aos 5 anos, quando vi Luiz Gonzaga tocando em praça pública. Pedi uma sanfoninha a meus pais, aprendi acordeom e toquei minha primeira música aos 7. Passei por banda de baile na juventude e, já adulto, fui funcionário de banco. Na década de 1980, houve a possibilidade de ele ser privatizado, com demissões em massa. Foi quando resolvi investir na música”, relembra.

Nessa longa carreira, o artista, de 65 anos, ficou conhecido por Espumas ao vento, Caboclo sonhador e A natureza das cores, entre outras canções que estarão no repertório do show em BH.

Flávio reserva espaço também para homenagear mestres que o inspiram. “Pra não ficar só na minha história, canto algumas de Luiz Gonzaga, como Riacho do navio, Respeita Januário e Amei à toa, e também trago letras do Trio Nordestino”, antecipa.

Guilherme Morelli/divulgação
Tato, cantor do grupo Falamansa, é atração desta quinta-feira (foto: Guilherme Morelli/divulgação)
 Programação

»  SHOWS

. Quinta (15)
Tato do Falamansa, Chama Chuva, Edson Duarte, Marrom, Nando Nogueira, Diego Oliveira, Jorge do Rojão e Trio Alvorada

. Sexta (16)
Mestrinho, Janayna Pereira, Trio Virgulino, Tiziu do Araripe, Trio Dona Zefa, Quininho de Valente, Nicolas Krassik e Ó do Forró

. Sábado (17)
Flávio José, Trio Xamego, Os 3 do Nordeste, Luizinho Calixto e Cláudio Rabeca, Miltinho Edilberto e Trio Lampião

»  BATE-PAPO

. Quinta (15) e sexta (16).
Das 16h às 17h. Roda de conversa com artistas que se apresentarão no dia.

»  EXPOSIÇÃO

. Acervo de 1 mil discos do coletivo Forró em Vinil

»  AULA DE DANÇA

. Das 14h às 16h
Professores: Jomar Mesquita e Murilo (BH), Valmir e Milena (BH), Daniel Marinho (Salvador), Yse Goes (Rio de Janeiro), Mari Brasil (Salvador), Hugo Silva e Aline (BH), Léo Diniz (BH)

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