A grafia é nie myer, a pronúncia é niemeyer. Faça a leitura que quiser, leitor. O que importa é que o Nie Myer, grupo mineiro criado na Savassi, tirou da zona de conforto três nomes da música que desde os anos 1990 estão na ativa: o DJ e produtor Anderson Noise, o tecladista Henrique Portugal e o baixista Lelo Zanetti, os dois últimos integrantes do Skank.
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Hoje completando 76 anos, Milton deixa de lado as gravações de caráter revisionista – como o recente EP A festa, com seis faixas – para abraçar uma sonoridade inédita em sua carreira.
“Nunca tive conhecimento muito próximo dessa fusão entre jazz e música eletrônica. Posso dizer que meu primeiro contato com essa expressão foi por meio do Nie Myer. E essa é a proposta que eles trouxeram: inovação. É muito difícil você pegar um gênero tão forte (e tradicional) como o jazz e misturar com uma sonoridade mais moderna como o eletrônico. Mais difícil ainda é fazer disso um som que seja completamente novo no cenário e que possa atrair diferentes gostos”, afirma Milton.
O que vem à tona agora foi trabalhado nos dois últimos anos. Noise se lembra exatamente da maneira como ficou quando esteve na casa de Milton, em Juiz de Fora, para a gravação da voz. “Foi em 16 de novembro de 2016. O Milton é um deus que escuto desde criança. Naquele primeiro contato, me deu uma tremedeira, pois ele cantou a música de uma vez só.”
Henrique Portugal comenta que a letra – “o César escreve poema” –, quase psicodélica, logo ganhou a assinatura de Milton. “Ele foi, parou, escutou uma, duas, três vezes e disse: ‘Vamos gravar’. Foi direto.” Sem as métricas da música pop, Vikings (que ainda contou com a guitarra de Wilson Lopes) tem quase nove minutos.
Dirigido por Diego Ruahn, o clipe foi gravado no ano passado durante a Casa Cor, no prédio da Rua Sapucaí, em BH, que foi sede da extinta Rede Ferroviária Federal. É elaborado e sofisticado, mas sem afetação. A parte de Milton foi registrada na própria residência do cantor, em Juiz de Fora. Wilson Lopes aparece em uma cena em frente à estante de vinis de Noise, no apartamento do DJ, na Savassi. Foi também ali, onde ele mantém seu estúdio, que todas as gravações do Nie Myer ocorreram.
SAVASSI
O projeto nasceu em 2016 com o nome de Niemeier. Morador da Savassi desde que voltou a viver em BH, em 2013, Noise fez do apartamento um ponto de encontro de amigos, músicos e DJs. Lelo Zanetti começou a dar umas passadas por ali para mostrar o que estava fazendo. Certo dia, Noise, que havia tocado como DJ em três edições do Savassi Festival, encontrou-se com o organizador do evento, Bruno Golgher. E comentou que estava começando a fazer música com Lelo.
Golgher perguntou se eles poderiam fazer algo que tivesse a cara do Savassi Festival. Amigo de Portugal há muitos anos, Noise o convidou para o projeto. Niemeier, ainda com a antiga grafia, estreou no palco em julho de 2016, durante ao festival.
O trio já conta com 10 faixas gravadas. “Definitivamente, não é um projeto comercial”, explica Portugal. O lançamento será espelhado na prática dos DJs. “A gente estava preocupada com a coisa do álbum. Aí, chegamos à conclusão de que iríamos fazer como na música eletrônica. Soltamos um single a cada dois, três meses. É bem melhor, pois você tem sempre material legal na praça”, diz Noise.
TAYLOR
O próximo lançamento será a música ainda sem título gravada por Ben Taylor (autor da letra), filho de James Taylor. Há uma outra faixa, também pronta, em japonês. Os três integrantes do Nie Myer escreveram o texto traduzido e gravado por Emi, amiga japonesa de Noise. E há ainda a intenção de ter um registro em francês.
“São coisas bem diferentes, quase instalações artísticas. A música está precisando um pouco disso”, comenta Portugal. Como cada um tem sua própria agenda, os shows do Nie Myer, agora devidamente batizado (e balizado) por Milton Nascimento, deverão ocorrer a partir do ano que vem. Mas sem pressa, como dita a música do trio.