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Espetáculo lembra a trajetória de Josephine Baker, considerada a primeira diva negra norte-americana

Josephine Baker (1906-1975) nasceu Freda Josephine McDonald, em Saint Louis, no estado norte-americano do Missouri, filha de mãe negra, Carrie McDonald, e de pai branco, que não se sabe ao certo quem foi. Ela viveu no início do século 20, quando a segregação racial era legalizada nos EUA. No entanto, o racismo institucionalizado não a impediu de brilhar. Ela é considerada a primeira diva negra americana.

A trajetória dessa artista multifacetada é apresentada em Josephine Baker: a Vênus Negra, com texto de Walter Daguerre e direção de Otavio Muller. O espetáculo, que estreou no Rio de Janeiro em março de 2017, terá apresentações no sábado (29) e no domingo (30), no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Aline Deluna interpreta Josephine, artista completa que dançava, cantava e interpretava. É acompanhada pelos músicos Dany Roland (bateria e percussão), Christiano Sauer (contrabaixo, violão e guitarra) e Jonathan Ferr (teclado e escaleta). Negra de pele clara e longos cabelos crespos, Aline se identificou fisicamente com a diva norte-americana, que se naturalizou francesa devido à segregação racial em seu país.

“No espetáculo, abordamos minha identificação pessoal com a figura da Josephine. Sou filha de pai negro e mãe branca. Na infância, tinha dificuldade em me ver nas outras pessoas. Não era tão negra, não era tão branca”, conta Aline.
Ela se transforma em Josephine quando coloca adereços e aplique nos cabelos. No auge do sucesso, a americana usava aplique de cabelos pretos e bem curtos. “Como tenho cabelo crespo enorme, coloco o aplique em cena. Não temos coxia”, pontua Aline Deluna. Josephine se transformou em ícone da moda no estilo pin-up. Teria inspirado a personagem Betty Boop.

“Quando ela começou a dançar, não tinha corpo nos padrões das mulheres do coro. Não se encaixava por ser muito alta e magra. Tinha um biótipo mais próximo do meu corpo”, afirma a brasileira.
Outro aspecto que chamou a atenção de Aline foi a maneira de Josephine dançar. “Ela era debochada. Muito alegre e fora dos padrões, embora tenha buscado rigor tanto na dança quanto no canto”, frisa.

FRIDA

Josephine Baker estava à frente de sua época. Casou-se cinco vezes. A primeira, quando tinha 13 anos. Largou o primeiro marido e se casou com outro, a quem abandonou para seguir com uma trupe francesa para Paris. Só se divorciou oficialmente quando voltou aos EUA em turnê, anos depois. Posteriormente, casou-se com um francês.

Também se relacionou com a pintora Frida Kahlo (1907-1954) e com o pintor Pablo Picasso (1881-1973).

Nos anos 1920, tornou-se um ícone na França e inspiração para vários artistas. Outro aspecto curioso da biografia de Josephine foi a adoção de 12 filhos de diferentes nacionalidades. “Com essas adoções, a ideia dela era fazer um projeto pessoal e político. Queria mostrar que era possível pessoas de diferentes cores e culturas serem criadas juntas e se respeitar”, diz Aline.

“Fico encantada com todas as facetas de Josephine. Foi cantora, dançarina, atriz de cinema (a primeira negra) e até espiã na Segunda Guerra Mundial”, revela a atriz.

JOSEPHINE BAKER – A VÊNUS NEGRA
Texto de Walter Daguerre. Direção de Otavio Muller. Com Aline Deluna. Cine Theatro Brasil Vallourec. Praça Sete, Centro, (31) 3201-5211. Sábado (29), às 21h, e domingo (30), às 19h. R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada).
Informações: www.cinetheatrobrasil.com.br

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