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Cantora norte-americana Alexandra Jackson lança o primeiro álbum 'Legacy & alchemy'

A cantora e compositora Alexandra Jackson, de 33 anos, nasceu em Atlanta, nos Estados Unidos, mas se alguém falar que ela é brasileira, a artista nem estranharia. A paixão pelo Brasil e, principalmente, pela nossa música, surgiu quando ela tinha apenas 5 anos. “Lembro-me de ouvir Garota de Ipanema em todos os lugares nos Estados Unidos – shoppings, mercearias e restaurantes. Eu me lembro de cantar ao som de Quiet nights of quiet stars, de Frank Sinatra, que, anos depois, descobri que era Corcovado. Foi fascinante quando descobri, através do estudo e da pesquisa musical, que essas músicas amadas realmente se originaram no Brasil e foram escritas em português décadas atrás”, comenta.


Recém-lançado, o primeiro disco da carreira de Alexandra não deixa de ser uma homenagem ao Brasil. Legacy & alchemy reúne jazz, samba, soul e bossa-nova e conta com a participação de grandes artistas do nosso país – Carlinhos Brown, Pretinho da Serrinha, Ivan Lins e até um dueto póstumo com Tom Jobim. A cantora diz que o projeto é um encontro do Brasil com Chicago (terra de grandes nomes da música como Ramsey Lewis e Earth, Wind e Fire) e Atlanta, sua cidade natal. “Não foi um processo muito rápido.

Não queríamos nos apressar em nenhuma música sem saber que poderíamos fazer certo. Muitas das sugestões de músicas vieram de Robert Herbert, de Chicago e produtor-executivo do álbum. Algumas foram as que ele falou com Oscar Castro-Neves, como All one e Turn your heart around (Chora tua tristeza). Robert me trouxe essas lindas opções de músicas e eu teria que escolher. Quando alguns dos músicos brasileiros da equipe começaram a ouvir a direção que estávamos indo, eles começaram a sugerir mais canções. Sou muito grata, pois não saberia de músicas incríveis como Palco e Futuros amantes”, revela.


A música mineira também está presente com Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges). Alexandra Jackson conta que o Clube da Esquina foi uma das primeiras lições de história que aprendeu sobre a música brasileira, por influência de um tio que era fã da turma de Milton Nascimento.
“Entendi que eles tiveram um grande papel na mudança do movimento musical brasileiro. Ouvia pessoas se referirem a eles como The Beatles do Brasil. Ainda não estive em Minas, mas este estado sempre esteve no topo da minha lista. Tudo que você podia ser foi uma ótima música para se trabalhar”, frisa.


Legacy & alchemy traz ainda a última gravação em estúdio de Dona Ivone Lara (1921-2018), registrada em dezembro de 2015. A sambista faz participação em Sonho meu e Força da imaginação. Alexandra diz que sabia que ela era uma lenda do samba e amada por muitos, mas que só pode constatar realmente sua influência e importância até ir conhecê-la pessoalmente. “Ela foi a primeira compositora feminina introduzida em uma escola de samba. Isso é monumental! Todos a amavam.

Ela tinha um coração lindo e me fez lembrar da minha própria avó. Ser capaz de ouvir sua voz em suas músicas deste álbum, aos 94 anos, é algo que sempre apreciei. Seu neto veio com Dona Ivone para a gravação, no Rio mesmo, e sua família, desde então, tem sido tão solidária e generosa conosco. Sou muito grata por tudo isso.”


Apesar de não falar português fluentemente, Alexandra impressiona quando canta no idioma. Ela teve que aprender tudo sobre o som e pronúncia para o álbum e contou com a cantora mineira Paula Santoro como professora. “Não posso nem expressar o quanto ela foi importante neste projeto. Ela me ajudou com minha pronúncia e compreensão das letras. E como é uma cantora incrível, Paula foi capaz de me ensinar os sons das palavras da maneira que entendo como cantora. Então, havia muito ensinamento sobre a colocação da língua, sons nasais, sons da garganta. Tivemos dias e mais dias de aulas práticas, que realmente me ajudaram muito.

Só queria tentar fazer justiça à língua portuguesa”, explica.


Na faixa Veleiros negros, de Carlinhos Brown, além do português, a artista norte-americana canta alguns versos em iorubá – idioma da família linguística nígero-congolesa falado secularmente pelos iorubás em diversos países ao sul do Saara. “Sempre fui grande fã dele e escolhi essa música porque ela falou comigo. Na verdade, não sabia que era iorubá que Carlinhos cantava no refrão, mas não se parecia com nenhuma palavra portuguesa que tinha ouvido. Quando comecei a pesquisar, descobri que era iorubá, o que me fascinou, já que tenho família da Nigéria”, revela.


Alexandra Jackson fez um único show no Rio, mas pretende mostrar o novo álbum em turnê pelo Brasil. Para ela, o grande desafio deste trabalho foi justamente a linguagem. “Mas, definitivamente, foi algo que me empurrou para longe da minha zona de conforto, mas eu me tornei melhor por isso. Estou muito feliz com o resultado”, ressalta.

 

l LEGACY & ALCHEMY

Alexandra Jackson
O álbum
está isponível em todas as plataformas digitais.

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