Festa e militância vão marcar as comemorações do orgulho LGBT em BH; confira programação

Valesca Popozuda, Lia Clark e Mulher Pepita se apresentam na capital neste fim de semana. Parada será no domingo (8), no Centro

por Walter Felix 06/07/2018 10:00

Jorge Bispo/Rodolfo Magalhães/Duh Marinho/Divulgação
Funkeiras são destaque na programação LGBT de BH (foto: Jorge Bispo/Rodolfo Magalhães/Duh Marinho/Divulgação)
No fim de semana, as sete cores do arco-íris estarão mais evidentes em Belo Horizonte. No domingo (8), a cidade sedia sua 21ª Parada do Orgulho LGBT – sigla que reúne lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais. Porém, já a partir desta sexta-feira (6), o evento movimenta a cena cultural da capital mineira. Com o lema “Mais democracia e mais direitos humanos: esse é o Brasil que queremos para as LGBT!”, a festa celebra a luta das minorias por cidadania, levantando a bandeira do respeito à diversidade sexual e de gênero.

 

Vários artistas animarão as baladas LGBT: Valesca Popozuda, Wanessa Camargo, The Pulso in Chamas, Lia Clark, Mulher Pepita e Bloco Unidos do Queixinho, entre outros.

 

A parada é promovida pelo Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (Cellos). No ano passado, cerca de 80 mil pessoas compareceram ao evento, segundo a Polícia Militar. Como nas edições anteriores, a concentração ocorrerá pela manhã, a partir das 11h, na Praça da Estação. Às 16h, trios elétricos seguirão a Avenida Amazonas rumo à Praça Raul Soares, no Centro.

 

Será uma festa colorida, movimentando a economia e o turismo na capital, mas também dotada de forte viés militante. “As paradas mantêm a essência política aliada ao caráter festivo, porque nossos corpos são espaços de afirmação dos nossos direitos, da nossa sexualidade e da nossa afetividade”, afirma Bruno Alves, diretor do Cellos e um dos coordenadores do evento.

 

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais em todo o mundo – foram 445 assassinatos em 2017. E Minas Gerais tem parcela expressiva de culpa nesse triste panorama: é o segundo estado brasileiro com maior número de mortes por homofobia (43), atrás apenas de São Paulo (59), de acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia.

 

MARIELLE A discussão sobre direitos humanos, tão cara às minorias e latente no contexto atual, pauta a celebração deste ano. O evento presta homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, defensora da causa e assassinada em março, no Rio de Janeiro.

 

“A parada de BH é muito politizada, tanto que, a cada edição, elegemos temas conjunturais. Desta vez, propomos uma reflexão sobre o processo de desmonte do Estado de Direito. Tivemos um golpe político e midiático em 2016, que colocou no poder um projeto de país completamente neoliberal, de privatização das nossas riquezas naturais e retirada de direitos, como a proposta de reforma trabalhista”, diz Bruno.

 

“Buscamos um recorte dessa problemática sobre o que nos diz respeito. Nossa luta é pelo Estado Democrático, que ele cumpra seu dever constitucional de promoção do bem-estar e respeito à identidade”, completa.

 

Logo depois de criado, em 2002, o Cellos assumiu a organização da Parada LGBT de BH, anteriormente comandada pela Associação Lésbica de Minas Gerais. Há a preocupação dos coordenadores em não definir a celebração como Parada Gay, o que limita o público protagonista do evento. “A parada é feita por muitas mãos, resultado de reuniões de voluntariado e do apoio de todo o nosso público. Belo Horizonte é a única cidade do Brasil em que o evento surgiu pelas mãos de mulher lésbica e negra, a Soraya Menezes”, lembra Bruno Alves.

 

Privilegiar artistas da cena LGBT de Belo Horizonte foi o foco dos organizadores ao selecionar as atrações da parada, que recebeu inscrições de cerca de 150 artistas e coletivos. Vinte foram escolhidos para se apresentar, entre DJs, drag queens e grupos de dança. Estarão presentes Aline Alkmim, Vini Baruk, DJs residentes da festa Eleganza e a Cia. de Dança Fissura, por exemplo.

 

Madrinhas do ‘fervo’

A cantora Valesca Popozuda abre a colorida programação do fim de semana. Ser mulher cisgênero e heterossexual não impede a funkeira de abraçar a causa LGBT e pôr sua voz contra a homofobia. “Tenho uma conexão muito grande com esse público, que me aceitou de braços abertos não só por conta das minhas músicas, mas pela pessoa que sou. Eles perceberam que sou verdadeira, muito objetiva e falo o que penso. Digo que os gays são iguais às crianças: quando gostam, gostam. Se não gostam, não tem jeito”, compara.

 

Madrinha da Parada de Madureira, na Zona Norte carioca, Valesca diz que sua história de luta contra a discriminação, enquanto mulher e artista de funk, aproximou-a de grupos marginalizados por conta do gênero ou da orientação sexual. “Sofri muito preconceito na época da Gaiola das Popozudas por usar roupas curtas e por falar sobre sexo nas músicas. Então, nada mais natural do que me juntar aos gays. Essa bandeira não levanto, carrego nas costas!”, afirma.

 

Assista ao clipe de Viado, canção de Valesca Popozuda:

 

Feminista, ela manda seu famoso beijinho no ombro para as diversas formas de manifestação do machismo e da misoginia. “Não é questão de ser melhor do que ninguém ou de querer mais do que os outros, mas, sim, do direito de ir e vir, ser livre”, defende.

 

Valesca é a atração principal da Festa Tretona, que será realizada nesta sexta-feira (6), na Escola de Samba Cidade Jardim.

 

METAMORFOSE CANTANTE Wanessa Camargo vai completar o line up do evento de domingo, no Distrital. Com carreira pra lá de eclética, ela deu os primeiros passos com músicas românticas e, depois, alcançou popularidade junto ao público gay cantando pop em inglês – como Fly, dueto com o rapper norte-americano Ja Rule, e Shine it on. Mais recentemente, investiu no sertanejo e no country pop. Apoiadora do movimento LGBT, ela se tornou, em 2015, embaixadora de Boa Vontade do Unaids, programa das Nações Unidas de combate ao HIV.

Instagram/Reprodução
Wanessa Camargo alcançou o público gay com música pop (foto: Instagram/Reprodução)
 

 

Drags conquitam espaço

A funkeira Mulher Pepita também foi convocada para a festa LGBT de BH. Ela vai animar o after da parada, na noite de domingo, no Mercado Distrital do Cruzeiro. Ano passado, a artista chamou a atenção da mídia por negar, em uma premiação de música, o rótulo de mulher trans. “Sempre vou bater na tecla de que sou travesti, vou morrer travesti e nasci travesti”, disse ela.

 

Pepita subirá ao palco com a amiga Lia Clark. A dupla foi responsável pelo sucesso de Chifrudo, hit lançado no carnaval do ano passado. “É o maior sucesso de nossas carreiras. Sempre é aquela parte do show em que todos vão à loucura”, revela Lia. Assista ao clipe:

 

Com 27 milhões de visualizações no YouTube e popularidade crescente, Lia Clark comemora a valorização das drag queens brasileiras num cenário onde despontam, além dela, Pabllo Vittar e Gloria Groove.

 

“Se formos olhar para um passado mais distante, a arte drag só era considerada em boates gays. E, mesmo assim, com pouco espaço: só dublando, e de forma bastante segregada. Agora, sinto que as pessoas a veem como uma arte bem maior”, avalia.

 

A artista despertou para o “universo performático” aos 21 anos, quando assistiu a um show cover de Britney Spears. Fortemente influenciada pela música pop, Lia diz que não enfrentou grandes barreiras em seus primeiros passos no funk carioca. Uma de suas recentes parceiras é Tati Quebra Barraco.

 

Lia lamenta que a redução do preconceito, observada no meio artístico, não se repita em outras esferas da sociedade. Ela se surpreende com a popularidade que alcançou além do público LGBT, sobretudo entre mulheres adolescentes e jovens adultas. Conta que elas se identificam com seu trabalho e integram fã-clubes. Por outro lado, enfrenta a resistência de homens heterossexuais à sua arte. “Há uma espécie de bloqueio em muitos caras, eles nem sequer se permitem tentar. No mundo macho e hétero, é difícil admitir que é possível curtir a música de uma drag. A masculinidade ainda é algo muito frágil”, dispara Lia Clark.

 

EI, AMIGO Sábado (7), o bar Zona Last, no Horto, recebe o cantor e compositor Peixota, que apresenta seu trabalho de estreia: Ei, amigo. Com referências que vão de Cauby Peixoto ao funk carioca, o artista traz, em letra e performance, mensagens de resistência e antipreconceito. A canção está disponível nas plataformas digitais e o videoclipe oficial será divulgado na terça-feira (10).

 

Confira a programação:

. SEXTA-FEIRA (6/6)

 

BELGA ELEGANTE
A partir das 14h. Zona Last. Rua Pouso Alegre, 2.952, Horto. Transmissão do jogo Brasil x Bélgica. After: DJ Rafa Mártir. Entrada franca. Informações: facebook.com/barzonalast.

FESTA TRETONA COM VALESCA POPOZUDA
A partir das 22h. Escola de Samba Cidade Jardim. Rua do Mercado, 150, Conjunto Santa Maria. (31) 2514-1531. Ingressos a partir de R$ 20, à venda no site Sympla.

GAYZADA PRIDE
A partir das 23h. A Fábrica. Av. Tereza Cristina, 295, Prado. (31) 99238-7499. Com Halessia Rockefeller, Penélope Fontana, Femmenino e vários DJs. Ingressos a partir de R$ 10, à venda no site Sympla.

 

. SÁBADO (7/6)

 

BAILE DA PEIXOTA PREPARADA

A partir das 20h. Zona Last. Rua Pouso Alegre, 2.952, Horto. Pré-lançamento do videoclipe Ei, amigo. Entrada franca. Informações: facebook.com/barzonalast.

 

BEAGÁ POP FESTIVAL
A partir das 23h. Fábrica Criativa. Av. dos Andradas, 1.145, Centro. Com Penélope Fontana, Wandera Jones, Stripprella e Marlon de Áries, entre outras atrações. Ingressos duplos a partir de R$ 10, à venda no site Sympla.

BOLADONA DE FÉRIAS
A partir das 23h. Clube Augusta. Rua Pernambuco, 1.300, Savassi. (31) 97554-4196. Com Isabelle Gee e vários DJs. Ingressos a partir de R$ 10 (antecipado), à venda no site Sympla.

BORN THIS WAY – ORGULHO GAY
A partir das 23h. Gis Club. Av. Barbacena, 33, Santo Agostinho. (31) 99955-3784. Com Nayla Brizard, Halessia Rockefeller e vários DJs. Antecipado: R$ 10. Portaria: R$ 15 (até 1h) e R$ 20 (depois de 1h). Ingressos à venda no site Sympla.

 

. DOMINGO (8/6)

 

PARADA DO ORGULHO LGBT DE BH
Concentração às 11h, na Praça da Estação. Marcha a partir das 16h pela Avenida Amazonas, rumo à Praça Raul Soares, Centro. Com banda The Pulso in Chamas, Cia. de Dança Fissura, bloco Unidos do Samba Queixinho e DJs. Entrada franca.

 

ZONA NA PARADA

A partir das 18h. Zona Last. Rua Pouso Alegre, 2.952, Horto. Com DJ Ronaldo Freitas (Festa Sunset). Entrada franca. Informações: facebook.com/barzonalast.

 

LIA CLARK, MULHER PEPITA E WANESSA CAMARGO
A partir das 19h. Mercado Distrital do Cruzeiro. Rua Ouro Fino, 452, Cruzeiro. (31) 3223-7844. Com Luan Poffo, Thiago Araújo, Gui Acrizio e DJs. Palco Love Wins Open Air: a partir de R$ 20. Palco Pride: a partir de R$ 20. Acesso aos dois palcos: a partir de R$ 30. Ingressos à venda no site Sympla.

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