Bandas de heavy metal vão invadir Belo Horizonte em 2018 para uma série de shows; confira

Atrações internacionais como o astro Ozzy Osbourne e as bandas Pestilence e Moonspell estão na agenda do rock pesado

por Pedro Galvão 06/04/2018 10:49

Andrea Beckers/Divulgação
O grupo holandês Pestilence vai tocar nesta sexta-feira, na casa de shows A Autêntica. (foto: Andrea Beckers/Divulgação)

Se o abalo sísmico, com epicentro na Bolívia, foi sentido em edifícios de Belo Horizonte na última segunda-feira (2), é bom as casas de shows da cidade reforçarem as respectivas estruturas. Nos próximos 45 dias, Belo Horizonte vai “tremer” com oito eventos de heavy metal. A lista inclui shows do astro Ozzy Osbourne e festivais com bandas nacionais e locais, a exemplo do Mutilator, fruto da mesma safra do Sepultura, nos anos 1980, quando a capital mineira se tornou celeiro do rock pesado do país. Embora a cena tenha perdido força, a agenda que se inicia nesta sexta-feira (6) mostra que o bate-cabeça tem fôlego.

Os holandeses do Pestilence abrem a temporada n’Autêntica, nesta noite. Formada em 1985, a banda de death e trash metal se tornou referência mundial no ramo. Inativa por mais de 10 anos, retornou em 2009. A turnê, que começou na quinta (5) em Limeira (SP), é a primeira no Brasil. Embora o grupo tenha lançado álbum (Hadeon) este ano, o repertório sul-americano é formado majoritariamente por clássicos dos três primeiros discos: Malleus maleficarum (1988), Consuming impulse (1989) e Testimony of the ancients (1991).

A viagem oitentista continua no sábado (7) com o Metal Fest, no Mister Rock. Serão 12 bandas locais – uma delas o Mutilator, formada em BH em 1985. O grupo encerrou as atividades em 1990, mas voltou excepcionalmente para o festival a convite de Igor Arruda, responsável pelo programa de entrevistas no YouTube E aí cara? e realizador do festival.

“Não pensávamos em voltar, mas fomos entrevistados pelo Igor no programa, com audiência muito boa. Então surgiu o convite e aceitamos”, explica o baixista Ricardo Neves, que fundou a banda com o irmão, o baterista Rodrigo. Os dois terão a companhia de Igor Arruda e Kiko Ianni nas guitarras. O vocal fica por conta de Rodrigo F., ex-integrante do Holocausto.

O Mutilator, que chegou a gravar dois discos, preparou repertório de seis músicas. Segundo Ricardo, a iniciativa animou o grupo a voltar de vez. “Antes das redes sociais, não tínhamos noção da popularidade da banda. Hoje, vejo que temos fãs em outros países e gente de outros estados querendo vir para o show. A gente fica superfeliz, só temos a agradecer”, afirma o baixista.

“Plantamos isso lá atrás. Naquela época, tínhamos destaque na mídia. Depois perdemos esse espaço, mas a cena nunca morreu. A volta de bandas dos anos 80, como Chakal, Witchhammer Overdose e agora o Mutilator, vai fortalecer essa cena”, afirma. O show será também homenagem a Alexander Magoo, ex-integrante do Mutilator, falecido em 2001. Pathologic Noise, Deadliness, Chronic Ashes, Érebo, Ex Machina, Cracked SKULL Metal, Aneurose, Expurgo, Colt.45, Certo Porcos e Trem do Capeta completam o line-up.

As próximas semanas serão pesadas. Em 14 de abril, o Matriz recebe o Underground Forces Metal Fest, com as bandas Mortirfer Rage, de Sete Lagoas; Defacer e In Nomine Belialis, de BH; e Dunkell Reiter, de Contagem, além da Valhalla, de Brasília, formada apenas por mulheres. No dia seguinte, será a vez de a americana Sons of Apollo fazer seu primeiro show em BH. Embora tenha surgido em 2017, quando lançou o disco Psychothic symphony, o grupo de metal progressivo desperta o interesse de muitos fãs por reunir Mike Portnoy e Derek Sherinian, ex-baterista e ex-tecladista do Dream Theater. Eles se juntaram ao vocalista Jeff Scott Soto, ex-Journey, e ao guitarrista Ron “Bumblefoot” Thal, ex-Guns N’ Roses, além do baixista Billy Sheehan.


PORTUGAL Estrangeiros de diferentes sotaques virão a BH. A seleção inclui até quem fala português. É o caso do Moonspell, ícone do heavy metal de Portugal, que se apresenta em 29 de abril, na turnê do álbum 1755, lançado em 2017. O disco tem como tema o terremoto que devastou a capital portuguesa no século 18, provocando forte questionamento da fé católica.

Em 13 de maio, os suecos do Therion desembarcam em BH. Na estrada há 30 anos, a banda de metal sinfônico chega acompanhada do Cellar Darling, da Suíça. Sete dias depois, a mexicana Brujería, conhecida por letras sobre política, religião e tabus sociais tão pesadas quanto seu som, toca no Music Hall. Os grupos fecham a sequência que inclui ninguém menos que Ozzy Osbourne, o “pai do heavy metal”, atração de 18 de maio, na Esplanada do Mineirão.

 

Paulo Mendes/Divulgação
Os portugueses do Moonspell desembarcam na cidade em 29 de abril. (foto: Paulo Mendes/Divulgação)
 


Embora a grande oferta de shows seja animadora para os fãs, os produtores desses eventos revelam certa preocupação. “O heavy metal, não só em BH, tem dificuldades devido à alta do dólar. Além disso, não há renovação do público. Já recusei vários shows internacionais porque tive uma sequência grande de prejuízos em 2017, e parece que a coisa não está indo muito bem neste ano. O pessoal está sem dinheiro e fazemos promoções para chamar a atenção do público”, explica Márcio Siqueira, da MS BHz,  responsável pelos shows do Pestilence, Sons of Apollo e Moonspell. Ciente da despesa que um fã teria para ir a todos os eventos, ele oferece ingressos para dois shows pelo preço de um.

Esse esforço envolve outras produtoras. De olho nos dois eventos deste fim de semana, há promoção para quem comprar ingressos para o Pestilence e o Metal Fest. O combo custa R$ 85. “A falta de diálogo resultava, às vezes, em dois eventos parecidos marcados para o mesmo dia. Hoje, conseguimos nos organizar”, afirma Igor Arruda.

No entanto, ele acha que falta interesse pelas bandas brasileiras. “A galera vai a eventos gringos, mas reclama do preço do artista local. Nosso festival é de metal extremo, muita gente que vai no Ozzy, por exemplo, não curte metal extremo. São públicos diferentes, mas quem gosta dos dois e paga R$ 300 ou R$ 400 no Ozzy não paga R$ 12 para ver o Mutilator”, explica Igor Arruda.

ADOLESCENTES O cachê das bandas do Metal Fest será proporcional à bilheteria: cada grupo ganha R$ 1 por ingresso vendido. Na contramão da ideia de que o público não se renovou, o produtor afirma que há grande procura de adolescentes por ingressos de eventos como o de sábado (7).

“Além de o pessoal que frequentava shows nas décadas passadas, muita gente de 15 a 20 anos curte e faz som. Porém, há uma questão burocrática. Com 15 anos, eu entrava em qualquer show, mas hoje o Juizado de Menores não deixa. Tentamos baixar a classificação do festival para 16 anos, mas não rolou. Permanece 18 anos”, informa.

Por outro lado, Márcio Siqueira, produtor da MS BHz, na ativa desde 1999 e com vários shows internacionais no currículo, critica a postura do público, mesmo em grandes eventos. “Belo Horizonte precisa mudar sua mentalidade. O pessoal fica esperando ou o preço baixar ou vai para a porta do show pedir para entrar de graça. É como se produtor não tivesse contas e cachê de músicos a pagar. É uma minoria que fica na porta, mas não vejo isso em São Paulo, por exemplo”, argumenta.

Para ele, o problema seria contornado com o aquecimento da economia do país e a mudança de atitude dos fãs. “Hoje em dia, pouca gente quer conhecer uma banda nova. Antigamente, isso dava trabalho, você tinha que correr atrás de um disco e valorizava o show. Hoje, é tudo muito fácil na internet. O show perdeu valor, mas pode ser que mude. As vendas de CD e LP voltaram a crescer”, diz Siqueira.

• Shows


» PESTILENCE
Nesta sexta-feira (6), às 21h. A Autêntica (Rua Alagoas, 1.172, Savassi). Ingressos: R$ 90 e R$ 115. Venda on-line: www.centraldoseventos.com.br e www.sympla.com.br

» METAL FEST
Sábado (7), às 15h. Mister Rock (Av. Tereza Cristina, 295, Carlos Prates). Ingressos: R$ 12 (1º lote) e R$ 24 (2º lote). Venda on-line: www.sympla.com.br

» UNDERGROUND FORCES METALFEST
14 de abril, às 19h. Matriz Casa Cultural (Rua Guajajaras, 1.353, Lourdes). Ingressos: R$ 30 (portaria) e R$ 20, antecipado, na Cogumelo Records (Av. Augusto de Lima, 555, loja 29, Centro); Armani Tattoo e Piercing (Rua Antônio de Albuquerque, 468, Savassi); Original Dragão Tattoo Studio (Rua Alagoas, 969, Savassi); e Fabiano Camisetas (Praça do Caebe, box 4, Betim).

» SONS OF APOLLO

15 de abril, às 19h. Music Hall (Avenida do Contorno, 3.239, Santa Efigênia). Ingressos: de R$ 120 a R$ 320. Venda on-line: www.centraldoseventos.com.br e www.ticketbrasil.com.br

» MOONSPELL

29 de abril, às 18h. A Autêntica. Ingressos: R$ 120 (meia) e R$ 140 (pista promocional). Venda on-line: www.ticketbrasil.com.br e www.ticketbrasil.com.br

» THERION E CELLAR DARLING

13 de maio, às 19h. Music Hall. Ingressos: R$ 120 (pista, meia), R$ 140 (pista, promocional) R$ 240 (pista, inteira) e R$ 200 (camarote open bar). Venda on-line: www.clubedoingresso.com

» OZZY OSBOURNE
18 de maio, às 21h. Esplanada do Mineirão. Pista premium: R$ 600 (inteira) e R$ 300 (meia). Pista: R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia). Venda on-line: www.ticketsforfun.com.br

» BRUJERÍA

20 de maio, às 18h. Music Hall. Ingressos: R$ 70 (meia), R$ 100 (pista promocional) e R$ 140 (pista open bar). Venda on-line: www.ticketbrasil.com.br

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