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Juarez Moreira e Hamilton de Holanda prestam homenagem a Tom Jobim no CCBB

Um domina guitarras, violões e plateias com seus acordes tão do mundo, tão Minas Gerais. O outro é carioca, craque dos cavaquinhos, bandolins e do improviso. Não é de espantar que se admirem profundamente. Estranho é que nunca tenham dividido o palco até hoje.

Felizmente, é para hoje mesmo que o encontro está armado. Juarez Moreira e Hamilton de Holanda se apresentam juntos na noite desta quarta (17), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH). O show é o segundo da série Juarez Moreira e convidados e presta tributo a Tom Jobim – o primeiro foi realizado em dezembro, com Wagner Tiso, em homenagem a Milton Nascimento. O baterista Márcio Bahia, o baixista Kiko Mitre e o quarteto de cordas Taron também participam do projeto, que marca os 40 anos de estrada de Moreira.

 

 

“Hamilton e eu já tínhamos uma afinidade pessoal. Nós nos conhecíamos dos camarins e bastidores dos festivais.

Agora, finalmente surgiu uma oportunidade de tocarmos juntos. Ele é o cara. Tem um universo musical muito amplo, vai do choro tradicional aos batuques modernos. É a prova viva de como as coisas no Brasil não se perdem, elas se renovam. Pixinguinha, lá atrás, de certa maneira, continua no Hamilton e em outros dessa nova geração que fazem som instrumental com muita qualidade. É bonito de ver”, elogia Juarez.

Das 11 faixas que compõem o roteiro da apresentação, cinco serão tocadas pela dupla. Desafinado, Passarim, Carioca e Olha Maria vêm do cancioneiro do maestro Jobim.
Já Baião barroco é composição de Moreira. “Fiquei muito feliz com o convite do Juarez. Sou bem fã do violão dele. É o violão que eu gostaria de tocar. Gosto muito desse som que ele faz, tão barroco e, ao mesmo tempo, tão contemporâneo”, diz Hamilton de Holanda.

Segundo o bandolinista, Olha Maria – parceria entre Tom Jobim, Chico Buarque e Vinícius de Moraes – entrou para o set-list por sugestão dele. “Sempre gostei muito dessa canção, mas não sabia tocá-la. Aprendi para esse show”, conta o carioca, que, em breve, traz novidades à praça. No segundo semestre de 2018, chega às lojas e plataformas digitais um box de seis discos com versões de Hamilton para a obra do compositor Jacob do Bandolim (1918-1969), cujo centenário de nascimento será em setembro.
O primeiro CD da caixa, intitulado Jacobaby, traz músicas do mestre do choro com arranjos para bebês.

ARY E BADEN O projeto Juarez Moreira e convidados segue té o fim de fevereiro, com mais dois shows. Um deles com o saxofonista e arranjador Nivaldo Ornelas, para homenagear Ary Barroso. O último, com a cantora Monica Salmaso, em saudação a Baden Powell. Depois disso, a agenda do mineiro é partitura sem espaço para qualquer improviso. Só lançamento de discos, ele tem três previstos ainda para este ano.

“O primeiro é o álbum Cuerdas do Sul, que gravei em 2016 com Toninho Horta, (o músico argentino) Luis Salinas, o (contrabaixista chileno) Christian Galvez e (o mestre do carimbó) Chiquito Braga (morto em dezembro de 2017). Depois, vem o CD Cine Pathé, com músicas minhas letradas por outros artistas. Um tanto de gente gravou comigo. Egberto Gismonti, Alaíde Costa, Paula Santoro... a lista é enorme. Por último, tem o Tom Jobim volume 2, só de canções do maestro (o volume 1 saiu em 1994).
Haja fôlego!”, diz Moreira

Haja mesmo. Como se não bastasse, todas essas atividades serão conciliadas com três turnês. Em março, o mineiro segue para Paris e Basel, na Suíça. Em seguida, faz excursão nacional com o show do disco Tom Jobim volume 2. Em abril e maio, retorna à Europa, onde se apresenta em cidades suíças, alemãs e da República Tcheca.

JUAREZ MOREIRA CONVIDA HAMILTON DE HOLANDA
Show em homenagem a Tom Jobim. Hoje (17), às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450). Ingressos a R$ 20 (meia, R$ 10), disponíveis para compra em https://www.eventim.com.br e na bilheteria do teatro.

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