Marcus Viana e sua 'banda jurássica' voltam hoje ao palco de BH

Compositor e instrumentista celebra alinhamento dos planetas e reencontro de pioneiros do rock sinfônico

por Mariana Peixoto 23/09/2017 10:45
Leandro Couri/EM/D.A Press
'A turma que gosta de teorias da conspiração diz que será o início do fim do mundo. Pra nós, será o dia que vai conspirar a favor de um belíssimo show', diz Marcus Viana (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Para Marcus Viana, não são só os ursos que hibernam. “Os dinossauros também. São bichos pré-históricos que vivem milhares de anos. De vez em quando, acordam.” O compositor e multi-instrumentista faz a analogia brincalhona para falar sobre o Sagrado Coração da Terra.

Banda jurássica do rock mineiro (as palavras são dele), foi criada por Viana em 1979. Teve seu auge nos anos 1980, na fase mais progressiva. No início da década seguinte, entrou em hiato. Desde então, o Sagrado vem e volta, sempre com formação extensa, que foi sendo trocada ao longo dos anos. O show mais recente em Belo Horizonte ocorreu em dezembro de 2014. Quase três anos depois, o grupo volta para nova apresentação.

O show, no fim da tarde deste sábado (23/9), vai encerrar o festival Meu Vizinho Pardini, na Praça da Assembleia. O evento, que tem início às 10h, reunirá várias atrações musicais e cênicas. “É um dia interessante para o show, pois em 23 de setembro haverá um alinhamento planetário. A turma que gosta de teorias da conspiração diz que será o início do fim do mundo. Pra nós, será o dia que vai conspirar a favor de um belíssimo show”, diz o bem-humorado Viana.

No palco, o Sagrado terá Augusto Rennó (violão e guitarra), Ivan Correia (baixo), Neném (bateria), Max Robson (percussão) e Danilo Abreu (teclados), a mesma formação de pelo menos duas décadas. Marcus Viana é responsável por teclados, violino e voz. Vai dividir os vocais com a cantora Mila Amorim.

O repertório abrange diferentes fases. “Tem as músicas do Sagrado e também muita coisa que fiz para a televisão. Não posso fazer um show sem tocar os temas de séries e novelas. Na verdade, muitas coisas da TV foram com o Sagrado, como as trilhas de Pantanal e A casa das sete mulheres”, conta.

Há também o repertório não autoral. Viana selecionou canções antológicas do Clube da Esquina, que ganharam arranjos do rock progressivo. Duas são de Beto Guedes, com quem ele já se apresentou. “Estamos tocando Sal da terra como se fosse o Pink Floyd e Sol de primavera como o Yes ou o Genesis”, explica. “Escolhi músicas que as pessoas cantam e choram.”

ERUDITO

O Sagrado surgiu no cenário de BH depois que a formação seminal do rock progressivo das Gerais, Saecula Saeculorum (primeira banda de Viana), havia encerrado as atividades. A intenção sempre foi unir música vocal e instrumental com raízes no rock e na música erudita. O primeiro álbum do Sagrado só veio em 1985. Na época, o grupo se destacou também pela presença de Flávio Venturini entre os cantores.

A banda teve diferentes vocalistas, a maior parte mulheres, como Vanessa Falabella e Malu Aires. Na fase mais roqueira, nos anos 1990, Bauxita assumiu o posto. Independentemente do vocalista, Viana empresta sua voz às canções, que têm temas ambientais ou espirituais.

O compositor belo-horizontino, de 64 anos, é filho do maestro Sebastião Viana, que foi assistente de Heitor Villa-Lobos. Começou a estudar violino na adolescência. A música clássica o levou para uma temporada nos Estados Unidos, no início da década de 1970. De volta ao Brasil, aproximou-se da música popular, mas sempre buscando proximidade com o erudito.

NOVELAS

A partir da trilha sonora de Pantanal (1990), Viana viu seu prestígio crescer no meio cinematográfico e virou autor das músicas de novelas e séries de Jayme Monjardim. “Só que a carreira na TV começou a escassear há 10 anos, tanto que hoje só faço colaborações. Monjardim, que dirige a nova trama das 18h da Globo, Tempo de amar, que estreia na terça-feira, pediu a ele uma canção.

Conhecido por revelar novas vozes – foi o descobridor de Paula Fernandes – por meio do selo e estúdio Sonhos e Sons, o mineiro se dedica à digitalização de todo o catálogo. “O mais importante é a criação do canal digital Marcus Viana, com música e vídeo, numa linha ecológica e humana”, diz.

Sempre ligado às questões ambientais – “o Sagrado fala disso há mais de 30 anos” –, Marcus vê os seres humanos como “plantas” do planeta. “O (símbolo religioso) sagrado coração tem uma imagem muito forte. É um coração que traz em volta a coroa de espinhos. Ou seja, demonstra que algo está errado. E esta é a realidade da vida, a dualidade entre bem e mal”, conclui.

MEU VIZINHO PARDINI
Sábado (23/9), das 10h às 20h, na Praça da Assembleia, Bairro Santo Agostinho. Entrada franca

PROGRAMAÇÃO
10h – Trupe Gaia
11h – Aulão de dança e ginástica funcional
12h – Show de Senta a Pua!
13h – Show de Renato Caetano
14h – Palhaços da Trupe Gaia
14h30 – Show de Rádio Caos
16h – Pedro e o lobo, com Grupo Giramundo
17h – Show de Celso Moreira
18h – Show de Marcus Viana e Sagrado Coração da Terra

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