Tribalistas voltam a trabalhar

Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes fizeram "duas fugas para a Bahia" no ano passado em período de"férias criativas" e compuseram as 10 canções de seu segundo álbum, lançado ontem

por Ana Clara Brant 26/08/2017 08:00
TRIBALISTAS/DIVULGAÇÃO
TRIBALISTAS/DIVULGAÇÃO (foto: TRIBALISTAS/DIVULGAÇÃO)
Foi-se o tempo em que cantores e bandas organizavam megaeventos e coletivas de imprensa para anunciar seus novos trabalhos ou até mesmo lançavam seus clipes no Fantástico. A revolução digital também atingiu a música. Não só no formato das canções, mas na maneira que elas chegam até o público. Ontem, além de Caravanas, o aguardado álbum de inéditas de Chico Buarque, o novo trabalho dos Tribalistas – de volta à ativa depois de um hiato de 15 anos – foi disponibilizado nas plataformas digitais.

São 10 composições, todas com respectivos videoclipes gravados em estúdio nesse sucessor do disco lançado em 2002, que ultrapassou os 3 milhões de cópias vendidas e emplacou sucessos como Já sei namorar e Velha infância. O trio formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown divulgou quatro músicas do álbum no último dia 9, por meio de redes sociais. Diáspora, Um só, Fora da memória e Aliança foram reveladas ao público num pocket show transmitido on-line, com seus clipes correspondentes, dirigidos por Dora Jobim, neta de Tom. Assim como o primeiro álbum, o novo recebeu apenas o nome Tribalistas. “Não é uma volta dos Tribalistas, porque os Tribalistas nunca foram. A gente sempre esteve aí”, declarou Antunes no dia da “volta”.

A transmissão ao vivo na fan page dos três artistas e na página do Spotify no Facebook foi vista por 5,62 milhões de seguidores em 52 países, de acordo com a assessoria do trio. Ainda segundo a assessoria, os singles alcançaram o melhor lançamento de MPB até aqui no Spotify, e os clipes ultrapassaram 12 milhões de visualizações. O projeto – CD e DVD editados pela Universal Music – também já está disponível no formato físico.

No material divulgado para a imprensa, Marisa, Carlinhos e Arnaldo dão uma entrevista ao produtor e jornalista Nelson Motta. Na conversa, eles afirmam que, assim como no primeiro disco, nada foi planejado com antecedência. O método foi o mesmo: um disco caseiro de três amigos compositores de origens e formações muito diversas, registrando uma música por dia com um grupo pequeno de músicos – todos parceiros e amigos. O disco foi gravado no Rio de Janeiro, entre 20 de março e 2 de abril deste ano.

ENCONTRO “A gente mora em cidades diferentes, só que, de vez em quando, dá um jeito de se encontrar; às vezes em dupla, às vezes os três. E quando acontece o encontro, todos levam as suas coisas já começadas e as músicas e letras vão surgindo. Mas não estávamos pensando exatamente em fazer um disco. Estávamos em férias criativas, que para a gente é algo sempre revigorante, refrescante, gostoso. Além de curtir uma praia e estar com os amigos, fazemos músicas. E conseguimos nos encontrar os três, por dois períodos, no ano passado. Foram duas fugas para a Bahia, de quatro, cinco dias, e aí as músicas surgem facilmente: duas, três, todo dia!”, disse Marisa Monte.

Nelson comenta sobre a diversidade de seus integrantes – que ele descreve como “uma morena carioca nascida no samba”, “um intelectual paulista” e “um baiano intuitivo” – e questiona de que maneira isso se reflete na criação. “Vejo muito como um encontro de percussionistas, e percussão é um instrumento que você não pensa para tocar. Embora essa ocupação que a gente traz para o pensar seja também responsável, por mais que a gente esteja em férias. Nós temos um prazer em conjunto que transcende qualquer situação. E o tempo inteiro a gente está desejando que as pessoas encontrem esse prazer, encontrem esse afeto familiar. A gente está sempre circundado pelos filhos, pelos amigos, com pessoas que gostamos, então tem algo familiar que nos envolve muito e termina, dentro dessa espontaneidade, trazendo algu

Já Arnaldo Antunes observa como o trio conseguiu encontrar um som próprio que é bem diferente do que cada um dos integrantes produz. “É engraçado como a música dos Tribalistas tem uma personalidade própria, que eu não faria no meu trabalho solo, nem Marisa, nem Carlinhos. Tem uma cara, uma linguagem ali que a gente mesmo se surpreende quando ouve o que gravou. A gente fala: nossa, a magia está aí!.”

Produzido por Marisa Monte e coproduzido por Arnaldo, Carlinhos Brown, Alê Siqueira e Daniel Carvalho, um dos destaques da empreitada é o projeto gráfico do artista multimídia Luiz Zerbini. Em seu Facebook, Marisa revela que, quando decidiram convidá-lo para criar a capa e o encarte tanto do CD quanto do DVD, não poderiam imaginar o envolvimento e a disponibilidade que Zerbini teve para o projeto. “Uma noite, ele veio nos visitar no estúdio. Voltou no dia seguinte e, depois, de novo e de novo. Passou horas conosco absorvendo a atmosfera e transformando-a em imagens, acompanhando as gravações, criando e produzindo ilustrações ao vivo no estúdio. Foi inspirador para nós tê-lo por perto com sua presença suave e segura. Em seu caderno sanfonado de papel artesanal chinês, foram surgindo desenhos que retratam o nosso dia a dia no estúdio e que fazem parte do encarte do CD. Esses desenhos também serviram de inspiração para os retratos de aquarela que ele fez para a capa do nosso álbum. Obrigado, Zerbini!”, postou a cantora e compositora.

Ainda não se sabe se haverá turnê do novo trabalho. Na entrevista, os artistas dizem que não há planos de shows, mas especula-se que eles voltarão aos palcos no primeiro semestre de 2018. Resta esperar.

Tribalistas
• Gravadora: Universal
• Preço sugerido: R$ 29,90 (CD); R$ 39,90 (DVD)


ESPECIAL NA TV

Na próxima quinta (31/8) será exibido o Especial Tribalistas, na TV Globo, após o jogo entre Brasil e Equador pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. O programa apresentará as canções do segundo disco do trio.

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