Sesc Palladium recebe a primeira edição do Festival Internacional do Acordeom

Evento promove sete apresentações de diferentes estilos, épocas e gerações de instrumentistas

Pedro Antunes/Estadão Conteúdo Mariana Peixoto
Sanfona no Nordeste, acordeom no Sudeste, gaita no Sul.
Os nomes são diferentes, mas a sonoridade é a mesma e acaba unindo todos. Pelo quarto ano consecutivo o Sesc Palladium realiza o Festival Internacional do Acordeom (FIA). De hoje a domingo, atrações do Brasil, Argentina e Itália se apresentam no centro cultural, em variadas formações.
No sábado, o italiano Vince Abbracciante vai mostrar composições de seu álbum mais recente, Sincretico - Foto: Élcio Paraíso/Divulgação
“O acordeom é um instrumento que se adaptou enormemente à cultura brasileira. Teve sua época de ouro no país entre 1955 e 1963. Depois, com a bossa nova, ele foi trocado pelo violão. Mais tarde, acabou se recuperando, deixou de ser um instrumento para acompanhar cantores e passou para a frente do palco”, afirma Célio Balona, um dos organizadores do FIA.

A ideia surgiu quando ele esteve, ao lado de Rose Pidner, produtora do evento, em Castelfidardo, na Itália. A cidade abriga as maiores fábricas de acordeom do mundo e um festival para destacar o instrumento.
Ao conhecer o evento italiano, a dupla decidiu criar um para BH.

Nesta edição, entre as atrações mineiras, algumas são formadas por jovens instrumentistas, como Lucas Viotti e Lucas Telles, que abrem o festival hoje. Há também uma referência no instrumento, o músico, restaurador e afinador Antonio Fortunato, mais conhecido como Toninho 8 Baixos, que faz show gratuito amanhã, na hora do almoço.

Sanfonada Mineira, atração de sexta-feira, é um trio formado pelos acordeonistas Marx Marreiro, Léo Magalhães e Julian Tarragô. Os músicos se reuniram há um ano para o projeto que promove releituras da música popular. No repertório, músicas de Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Dominguinhos, Gilberto Gil e Milton Nascimento.

“Em Minas, não se vê muito acordeonista tocando jazz. Você encontra mais para o lado sertanejo. E o festival valoriza o instrumento, mostrando os extremos dele. Com o acordeom, você pode tocar valsa, forró e erudito”, comenta Magalhães, que chegou ao acordeom por influência do pai, o músico paraibano Otacílio Costa.

Tango fusion

Na mesma noite, também haverá show do grupo argentino La Cachiporra, que toca o chamado tango fusion. O quarteto formado por Bucky Arcella (baixo), Oscar Cammarota (piano), Fernando Taborda (bandoneon) e Nacho Piana (bateria) passeia pelo tango, milonga e candombe.

A Itália se faz presente com Vince Abbracciante, que faz show no sábado acompanhado de um sexteto de cordas. A apresentação será baseada no álbum mais recente do acordeonista, Sincretico, com oito composições originais. Abrindo a noite, o convidado é Beto Hortiz, de Pernambuco, um dos integrantes da Spok Frevo Orquestra.

Encerrando o festival, no domingo haverá um encontro da música erudita com a popular. A Orquestra Ouro Preto vai tocar com o trio Projeto Brasil um repertório que reúne Cartola, Gonzaguinha, Chico Buarque, Tom Jobim, Edu Lobo e Dominguinhos, em arranjos inéditos para orquestra de cordas.

FESTIVAL INTERNACIONAL Do ACORDEOM
De hoje a domingo, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, e Av. Augusto de Lima, 420, Centro, (31) 3270-8100.


RONCANDO O FOLE
Programação


Hoje – 19h30: Teatro de Bolso. R$ 10 e R$ 5 (meia)
Duo Lucas Viotti e Lucas Telles (MG)

Amanhã – 12h30: Foyer do Sesc Palladium.
Entrada franca
Toninho 8 Baixos (MG)

Sexta-feira – 20h30: Grande Teatro. R$ 30 e R$ 15 (meia)
Sanfonada Mineira (MG) e La Cachiporra – Tango Fusion (Argentina)

Sábado – 20h30: Grande Teatro. R$ 30 e R$ 15 (meia)
Beto Hortis (PE) e Vince Abbracciante (Itália)

Domingo – 11h: Grande Teatro. R$ 10 e R$ 5 (meia)
Orquestra Ouro Preto convida Projeto Brasil (MG).