Reggaeton à brasileira: Artistas apostam no ritmo latino e fazem sucesso

Ritmo panamenho ganha as paradas com artistas de diferentes estilos, entre os quais Anitta e Simone & Simaria

01/02/2017 07:35

Manuela Scarpa/Divulgação
Depois de gravar com J. Balvin e Maluma, Anitta fez com Simone & Simaria canção com as batidas em Loka (foto: Manuela Scarpa/Divulgação)
 

 

As batidas características à música latina aos poucos têm sido incorporadas ao pop brasileiro. Desde o ano passado, alguns artistas nacionais flertam com uma vertente muito específica latina: o reggaeton. O sucesso é tanto que, na internet, tem gente falando em um novo ritmo nacional, o “reggaeton universitário”, uma referência ao sertanejo universitário, que explodiu nos anos 2000. Com nome brasileiro ou não, o reggaeton ganhou espaço no Brasil e, neste verão e carnaval, ainda promete tocar muito.

A artista responsável pela disseminação desse ritmo no Brasil é a funkeira Anitta, que lançou três canções com o estilo: duas gravadas com dois ídolos da vertente, Ginza (com J. Balvin) e Sim ou não (em parceria com Maluma), e uma ao lado das “sertanejas/forrozeiras” Simone & Simaria, Loka, um dos hits do verão 2017. As três faixas fizeram sucesso no país e têm números altos na web. No YouTube, Ginza teve mais de 33 milhões de acessos. Em Sim ou não, com Maluma, são mais de 151 milhões de visualizações. Enquanto Loka (Simone & Simaria), que tem menos de um mês de publicação na plataforma, já contabiliza mais de 61 milhões.



A primeira aposta de Anitta foi com Ginza, no qual, ela fez uma parceria no álbum do colombiano J. Balvin. Observando o sucesso e mirando uma carreira internacional, Anitta lançou Sim ou não, com Maluma. Uma composição da própria cantora em parceria com Umberto Tavares, outro nome que tem ajudado na disseminação do ritmo, e Jefferson Junior.

Depois, unindo forças com a sertanejas Simone & Simaria, que também já tinham intenção em fazer algo com sonoridade latina, veio Loka, composição de Rafinha RSQ, Kayky Ventura, Simone e Simaria. As irmãs, inclusive, mostraram as influências latinas no álbum Simone & Simaria live, lançado no ano passado. “Sou casada com um espanhol e amo música latina, penso sim em gravar algo em espanhol, pois tenho muitas influências latinas”, afirma Simaria. Loka foi, então, o primeiro passo.

 

Na moda do reggaeton


Mas não foi apenas Anitta e as sertanejas Simone & Simaria que incorporaram o reggaeton. Na verdade, a lista de brasileiros apostando no ritmo é grande. Em 2015, a cantora Claudia Leitte se aproximou do estilo ao gravar com um dos artistas que integram a vertente. Ao lado de Daddy Yankee, ela lançou Corazón. E, neste ano, a cantora voltou a investir na latinidade no hit Taquitá, que tem a sonoridade e até faz referência ao ritmo na letra: “olha como eu amo dançar/ o meu corpo não quer mais parar/ rebola, rebola, rebola/ alucino no seu reggaeton/ vou descendo com o dedo na boca/ tô louca, tô louca”.

Os baianos Lucas e Orelha, vencedores da primeira edição do reality show musical Superstar, também adotaram o ritmo. Fãs de reggaeton, eles começaram a notar a presença das batidas em artistas do pop internacional, como o canadense Justin Bieber, além de perceberem a maior repercussão de artistas como Maluma no Brasil. “Gostamos de reggaeton há muito tempo. Faz parte da nossa identidade musical. Anitta veio com isso para o Brasil e sabíamos que a gente precisava lançar algo nesse sentido”, conta Lucas.



O plano se concretizou quando o produtor Umberto Tavares apresentou aos irmãos a faixa Essa novinha, que, no YouTube, tem mais de um milhão de visualizações. “Quando a gente ouviu se identificou e ficou ainda mais feliz por ser reggaeton”, completa. Inspirados nisso, o novo EP da dupla terá uma pegada mais latina.

Nego do Borel é outro que usa a latinidade em seus trabalhos. O mais novo single, Você partiu meu coração, com Wesley Safadão e Anitta, pode ser considerado reggaeton, assim como as faixas mais antigas Não me deixe sozinho e Essa vai além. No mundo do funk, o gênero ainda ganhou versões de Tati Zaqui, em Rebelde e abusada; Duduzinho, em Faço o que eu quero; MC Gui, em Ela é perfeita; Delano, em Remexe, mexe; e Ludmilla, nas canções Sou eu e Homem é homem, essa última gravada com o sertanejo Gusttavo Lima.

 

Sucesso do reggaeton no Brasil

 

Para Lucas, da dupla Lucas e Orelha, o motivo do sucesso no reggaeton no Brasil tem a ver com o fato de ser um ritmo dançante, alegre e que lembra o forró, vertente conhecida no país e que tem tido mais repercussão com a força de nomes como Simone & Simaria, Wesley Safadão, Márcia Fellipe e Aviões do Forró. “O ritmo lembra muito o forró, mas com uma coisa eletrônica, sem banda. Tem tudo a ver com o Brasil e os artistas souberam adequar a batida dentro da cultura brasileira”, explica.


Além disso, ele vê também como uma forma de internacionalização da carreira dos brasileiros. “Não é um ritmo regional, nem nacional, é mundial. No nosso clipe mesmo de Essa novinha tem comentários de gringos. Então a gente sabe que ajuda na internacionalização de uma carreira”, completa Lucas.

O que é?
O ritmo surgiu no Panamá nos anos 1970 por conta da imigração do povo jamaicano, que começou a produzir canções de reggae em espanhol. Nos anos 1990 ganhou força em Porto Rico e pelo restante da América Central. É uma grande união de vertentes passando pelo reggae, ragga, rap e dancehall.

Principais representantes
J. Balvin

O cantor colombiano começou a carreira em 2010 lançando o álbum Real. O sucesso veio três anos depois após divulgar o single 6 AM. Desde então, tem repercussão nos Estados Unidos e na América Latina. Gravou com nomes como Ariana Grande e Justin Bieber. É de Balvin a versão latina de Sorry. Além disso, fez parceiras com Anitta e com Projota, a canção Tranquila.

Daddy Yankee
O porto-riquenho conquistou espaço internacionalmente ao gravar faixas de reggaeton tanto em espanhol quanto em inglês. Sua carreira teve início nos anos 1990 investindo primeiramente no hip-hop latino. Não deu muito certo. Então, ele passou a cantar reggaeton e estourou com o hit Gasolina. Entre seus principais trabalhos estão Shaky shaky, Limbo e Corazón, em parceria com a brasileira Claudia Leitte.

Nicky Jam
O cantor pode ser considerado um dos primeiros americanos a cantar reggaeton. Ele chegou a ter uma dupla com Daddy Yankee, mas os artistas se separaram em 2004 e, cada um, seguiu em carreira solo. Atualmente morando em Medellín, na Colômbia, é um dos nomes fortes no ritmo. O novo álbum, intitulado Fênix, é um dos líderes de vendas digitais no Brasil. O disco tem canções como El ganador e Amor prohibido.

Maluma
Antes mesmo de gravar com Anitta, o cantor fez uma parceria com outro brasileiro, o sertanejo Lucas Lucco na canção Princesinha. Grande nome do reggaeton, ele tem bombado no Brasil e no mundo com a música Chantaje, um dueto com a também colombiana Shakira. Mas também tem outros hits do estilo, como Borro cassette, Sin contrato e El perdedor.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA