Mart'nália lança novo disco com canções inéditas

Depois de um álbum dedicado aos mestres do samba, cantora apresenta novidades, diversas parcerias e a proposta de se acalmar e traduzir em música seu jeito misturado de ser

por Ana Clara Brant 20/01/2017 08:00
Marta Azevedo/ Divulgação
Gravação com o pai, Martinho da Vila, não estava prevista, mas segundo ela "não teve jeito" (foto: Marta Azevedo/ Divulgação)
Quando estava definindo os últimos ajustes de seu mais novo trabalho, Mart’nália ficou pensando em quem poderia ser o responsável pelo texto de divulgação para a imprensa. Foi então que surgiu o nome de um amigo de longa data, Miguel Falabella. “Ele é um cara que consegue se conectar com todas as energias. Quando li o texto que ele escreveu sob encomenda, fiquei tão envaidecida que me segurei, porque não sou de chorar. Miguel me entende bem, tem um colo bom. É como um pai”, afirma.

O ator, diretor e dramaturgo, que levou a filha de Martinho da Vila para a televisão – como Tamanco, no seriado Pé na cova – definiu assim a artista e o espírito de seu álbum Mart’nália  + Misturado, que acaba de ser lançado pela Biscoito Fino: “Ouvindo seu último trabalho, esse Misturado, assim batizado porque é o que é, na calada da noite, chegou-me a resposta de mansinho: Mart’nália canta para o mundo real, aquele que está bem ali, do lado de fora da porta e que sai descalço, de calça curta, senta na mureta e bebe todas (...) Mart’nália é aquilo que canta. Notável, desabrida, louca, livre, ela se mostra como é: misturada, brasileira, engraçada, poética e sempre autêntica em suas escolhas. Divirtam-se”.

Após um projeto literalmente de bambas, o disco ao vivo Mart’nália em samba, a cantora e compositora quis dar uma “acalmada” e voltar-se para si mesma. O repertório contempla oito faixas inéditas e sete regravações e passeia por vários nomes da história da MPB, como Lupicínio Rodrigues (Ela disse-me assim/Loucura), Gilberto Gil (Estrela), Djavan (Linha do Equador), Caetano Veloso (Tempo de estio), Teresa Christina e Mosquito (Ouvi dizer), Zé Katimba (Vem cá, vem cá...), além do cantor e compositor do Congo Lokua Kanza (Si tu pars). “O disco do samba tomou muito tempo, e estava na hora de focar em outras coisas. Como tenho uma plateia de várias idades, eu quis contemplar artistas de todas as gerações. Desde aqueles que a moçada curte até o que as coroinhas também gostam, que, por sinal, eu também adoro. É a minha praia (risos)”, diz.

Um dos destaques do disco é o dueto inédito com Geraldo Azevedo em Se você disser adeus, composta por Geraldo e Capinan, especialmente para ela. O repertório de músicas novas reúne ainda a parceria de Mart’nália com Mombaça (Tomara) e com Zélia Duncan, Arthur Maia e Ronaldo Barcellos (Libertar), além de Melhor para você (Tom Karabachian/Cris Sauma) e Sem dó (Rodrigo Lampreia, Beto Landau e Maurício Pessoa). “Este disco tem a minha cara e, ao mesmo tempo, é uma forma de homenagear as pessoas que admiro”, resume.

BÊNÇÃO DO PAI

Martinho da Vila também está presente no álbum. Mas nada foi combinado, segundo conta Mart’nália. A cantora diz que um não costuma interferir no trabalho do outro e, geralmente, ela só mostra o disco ao pai quando ele já está “meio pronto”. “Não tem essa coisa de pedir bênção, não. A bênção é eu colocar uma música dele no meu CD. Eu disse a ele que estava gravando e, um dia, papai apareceu de bobeira. Nem era para ele cantar, mas não teve jeito”, diverte-se.

A música que abre o disco acabou sendo um samba de Martinho, de 1976, Ninguém conhece ninguém, que traz versos bem representativos para Mart’nália. “Costumo escolher as canções dele que nem são tão conhecidas. Gosto muito das mais antigas, como essa. Acho a letra dessa música bem interessante: ‘Ninguém conhece ninguém/Pois dentro de alguém, ninguém mora/ Há quem acorda sorrindo e na mesma manhã, também chora’”, cita.

Enquanto a turnê de Mart’nália Misturado não começa para valer – em Belo Horizonte, ela vai se apresentar em 30 e 31 de março e 1º de abril, no Palácio das Artes – a artista carioca já está esquentando os tamborins. Integrante da ala de compositores da Vila Isabel, sua escola do coração, ela está empolgada com o carnaval, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela agremiação. “O enredo deste ano, O som da cor, tem muito a ver com essa coisa da mistura das nossas origem musicais e vai contar na avenida a origem africana dos estilos musicais no continente americano. Vai ser bonito”, afirma.



Mart’nália Misturado
. 14 faixas
. Biscoito Fino
. R$ 29,90

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