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Duo de clarineta e violão resgata a obra do compositor Moacir Santos em show no Museu da Pampulha

Apresentação de Anat Cohen & Marcello Gonçalves acontece neste domingo, 27, às 11h

Walter Sebastião

Anat Cohen e Marcello Gonçalves apresentam Moacir Santos no Museu da Pampulha. - Foto: Shervin Lainez/divulgação


Alguns compositores, aos pouquinhos, vão ganhando ares de novos clássicos da MPB. Um exemplo é o compositor, arranjador, maestro e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006). Nascido no sertão pernambucano, começou a carreira ainda jovem, tocando clarinete em bandas. Na década de 1940, mudou-se para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo, onde atuou em orquestras. Em 1967, mudou-se para Los Angeles, morando na região de Pasadena, na Califórnia, onde viveu compondo trilhas para o cinema e ministrando aulas de música. Foi assistente do compositor alemão Hans Joachim Koellreuter e professor dos músicos Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal e Sérgio Mendes, entre outros.

 



As composições de Moacir Santos estão no disco e show que o duo Anat Cohen & Marcello Gonçalves, clarinete e violão, apresentam domingo, às 11h, no Museu de Arte da Pampulha. ''Moacir  Santos é um dos grandes gênios da música brasileira e mais um dos que merecem ter a genialidade reconhecida no Brasil e no mundo. As músicas dele são um tesouro'', afirma Marcello, para quem o autor tem como marca ''algo raro'': ''O equilíbrio entre o suingue da música popular e a escrita criteriosa de alguém que estudou os procedimentos clássico'', elogia, observando que o que se vê, normalmente, é a balança pendendo para um dos lados, tirando a espontaneidade e a fluência da composição.

 

 

''Descobri que a música de Moacir Santos é tremendamente violonística'', afirma Marcello Gonçalves.

A surpresa vem do fato de muitos dos arranjos das composições do pernambucano terem sido feitos, originalmente, para orquestras e instrumentos de sopro. ''São melodias leves, cantáveis, simples e muito sofisticadas'', explica. ''Cada música de Moacir tem uma levada, um groove diferente. Ele é muito raiz e, ao mesmo tempo, muito livre. É muito gostoso. São músicas eternas'', elogia Anat Cohen, uma chorona israelense apaixonada pelo Brasil que, inclusive, desenvolve trabalhos de difusão da MPB no exterior através do selo Anzic. ''A música dele me pegou de forma tão forte que pedi ao Marcello para que a tocássemos'', conta. Marcello Gonçalves e Anat Cohen se conheceram em 2000. A admiração recíproca levou à ideia de um projeto para tocarem juntos. Para o violonista, por ser ligada ao jazz, Anat contribui para revelar um amálgama multicultural que também está na música de Moacir Santos. ''Ela toca música brasileira muito bem'', avisa Marcello. O ''romance com o Brasil'', como conta Anat, começou em 2000, na Universidade de Boston, quando tocou um choro e amigos recomendram que ela viesse para o Brasil. E ela veio.
''Minha vida mudou'', garante a clarinetista. ''Como toco jazz, em Nova York se acredita que a música é do músico. Aqui, descobri que a música é do povo'', conta, sem esconder admiração por Pixinguinha, Tom Jobim, Edu Lobo e muitos outros.


Vale acrescentar que tanto Anat Cohen como Marcello Gonçalves são instrumentistas respeitadíssimos. Ela foi eleita clarinetista do ano por nove edições consecutivas da Jazz Journalists Association. Viajou pelo mundo em festivais como o de Newport, Umbria Jazz, SF Jazz e North Sea. Marcello Gonçalves é considerado um dos melhores violonistas de sete cordas do Brasil. O músico integra os premiados Trio Madeira Brasil, Rabo de Lagartixa e um duo com o cavaquinista Henrique Cazes. Participou da gravação de CDs e DVDs de Ney Matogrosso e fez a direção musical do longa-metragem Brasileirinho, em 2005.

Outra coisa, a música de Moacir Santos

Show com Anat Cohen e Marcello Gonçalves. Domingo, às 11h. Museu de Arte da Pampulha, Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha, (31) 3222-5271 e 3277-7996.

Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia).

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