"Essa música é uma homenagem a Amanda, Bruna, Isabele e todas as mulheres que sofreram violência doméstica e humilhação moral e psicológica", explica a cantora. "A gente vive em um país muito machista, onde as mulheres são colocadas em segundo plano e não possuem os mesmos direitos que os homens", alerta.
Assista:
O disco Dona da noite é composto por 14 faixas, sendo dez inéditas. Nesse álbum, Marcelly incluiu o hit Bigode grosso, que a projetou nacionalmente em 2014. A funkeira carioca começou a cantar aos 15 anos e diz que não imaginava um dia ter uma carreira. "Via vários CDs nas lojas e nunca pensei que estaria ali", relembra. O disco começou a ser produzido em janeiro.
O novo show de Marcelly vai estrear em janeiro, no Rio de Janeiro, depois segue em turnê pelo Brasil.
Relembre o caso de Amanda
A ex-integrante do grupo Jaula das Gostosudas Amanda Bueno foi assassinada a tiros dentro de sua casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no dia 16 de abril. Imagens de uma câmera de segurança da casa comprovaram que ela foi brutalmente assassinada pelo noivo, Milton Severiano, conhecido como Miltinho da Van.
ENTREVISTA // MC Marcelly
Por que optou por abordar temas mais sérios nas suas letras?
Quis vestir essa camisa e resolvi apostar nessa música. Precisei pesquisar e me aprofundar no assunto. Fiquei horrorizada com os números e como as pessoas ainda não entendem que a lei (Maria da Penha) ampara a mulher que passa por situações semelhantes. Quero aproveitar que falo para muita gente e despertar uma conscientização para assuntos poucos comentados.
Você ou algum familiar já sofreu violência doméstica?
Não. Graças a Deus. Brigas toda família tem. Mas agressões e violência nunca aconteceram na minha casa. Eu vim de comunidade, a gente vê isso muito de perto. A violência em geral.
Canções de apelo social são mais difíceis de fazer sucesso?
De certa forma sim. A gente nada na contramão. Pois o funk é muito alegre, uma música para cima e em clima de festa. Mas nesse novo CD queria incluir uma faixa sobre isso. Também tem Roda gigante (autoral), que é um rap consciente sobre os "amigos" que nos cercam e só servem para te atrasar. E ainda Cara mala, sobre mulheres que sofrem assédio masculino, que pensam que podem meter a mão só porque a mulher está dançando.
Você mudou o estilo de vida e apareceu mais magra. Como foi essa transformação?
Emagreci 11kg, mudei totalmente o estilo de vida.
Musicalmente em que artistas se inspira?
Comecei a trabalhar muito cedo e não tive aquele momento de adolescente de ter ídolos. Engraçado, que não tenho muitas inspirações para meu som. Tem muitas artistas que admiro, como Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Beyoncé, Rihanna, Ariana Grande e outras. Mas tento levar sendo eu mesma, sem copiar o estilo de uma ou de outra. Quero ter minha própria cara.
Nesse disco você se afasta do funk proibdão e parte para letras mais leves. Por que essa escolha?
Eu cantava a realidade que eu via todos os dias lá no Complexo do Alemão. Se eu morasse na beira da praia ia falar sobre o mar, as ondas e outros assuntos. Cantei muitos proibidões sim, apelo ao sexo ou apologia. Mas aí você vai conhecendo outros mundos, se modificando e aprendendo a fazer funk para as crianças ouvirem e para entrar na casa de todo mundo. A partir de agora, a gente está tentando fazer uma coisa mais limpa. Pediram para eu pegar mais leve nas letras para ter menos rejeição. Por que ainda existe o preconceito contra o funk. Mas não vou deixar de tocar meu som por causa dessas mudanças. .