“A maioria das canções eu não havia cantado em show, caso de 'Balaio grande', 'Afoxé' e 'Retirante', bem como 'Lá vem a baiana' ou 'Saudade de Itapuã'”, lista a cantora, frisando que Caymmi é a expressão mais verdadeira daquilo que representa a música popular brasileira. “Ele é a expressão da nossa existência, por isso mesmo, é sempre um prazer cantar a música dele”, acrescenta. Antes dos ensaios do show que estreou em Brasília, ela já imaginava que seria uma “lindeza” a apresentação ao lado de Moreno, filho de Caetano Veloso.
“Sou fã de Moreno, da sua doçura no cantar o do seu samba no pé”, elogia o parceiro, recém-chegado de férias com a família nos Estados Unidos. “Não tinha como não dar certo”, garante Jussara, lembrando que o roteiro e pesquisa musical foram feitos pela também cantora Camila Costa, ex-integrante do grupo Sururu na Roda. Juntos o tempo inteiro, Jussara e Moreno Veloso fazem canções em solos e duos, acompanhados de banda formada por Carlos Pontual (violões e direção musical), Davi Mello (violão), Alex Rocha (baixo) e João Bani (percussão) formam a banda de acompanhamento.
A primeira incursão de Jussara Silveira pela obra caymmiana foi em 1998, quando ela lançou o disco 'Canções de Caymmi', pelo selo Dubas Musica, de Ronaldo Bastos. Espécie de laboratório para ela entrar nesse universo, o disco foi eleito um dos melhores do ano, funcionando como espécie de passaporte para ela entrar no seleto time de intérpretes do mestre. “Basta cantar a canção assim como ele fez, como a gente escutou”, ensina Jussara. “Não precisa de artifícios. Ao menos é isso que o meu canto empresta às composições de Caymmi. Ali está tudo feito e perfeito. Mas, com isso, não quero dizer que seja fácil. Justamente por isso é que antes de cantar devemos ouvir e ouvir Caymmi”, acrescenta.
Jussara recorre ao escritor Jorge Amado, amigo de Dorival Caymmi, para falar da criação do compositor inspirada na Bahia. De acordo com o autor de 'Gabriela, cravo e canela', “Caymmi apoderou-se da emoção e da magia da ‘cidade da Bahia’, do povo que liquidou os preconceitos e fez da mistura de sangues e raças sua filosofia de vida. Nessa cidade e nesse povo, Caymmi tem plantadas as raízes de sua criação, a precisa realidade e a mágica invenção”.
CAYMMI, QUANDO SE CANTA TODO MUNDO BOLE
De sexta ao dia 14, no Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, 450, Funcionários. Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3431-9400.Amanhã e domingo, às 19h, Acontece que eu sou baiano, show de Jussara Silveira, Moreno Veloso e banda.
VEM AÍ
DIAS 6 E 7 DEZEMBRO
Show 'Quem vem pra beira do mar', com Camila Costa e Bem Gil privilegiando as canções praieiras – o mar e suas histórias.
DIAS 13 E 14 DEZEMBRO
Show 'Acalanto', com Alice Caymmi e Danilo Caymmi. As canções de Caymmi interpretadas por sua família.
Jussara Silveira e Moreno Veloso reverenciam o legado do compositor Dorival Caymmi
Dupla apresenta o show 'Acontece que eu sou baiano', no CCBB