Musica

Em sua 44ª edição, Fenac abre espaço para a renovação

Com ápice em décadas passadas, novas edições buscam manter popularidade

Estado de Minas

Integrante do clã dos Borges, Rodrigo não acredita que o tempo dos festivais de música tenha passado
O 44º Festival Nacional da Canção (Fenac) atrai artistas com carreira consolidada. Integrantes do clã considerado o berço do Clube da Esquina, os compositores Rodrigo Borges e Telo Borges participam do evento, cuja finalíssima em Boa Esperança, no Sul de Minas, está marcada para setembro.


Muito atuante em BH, Rodrigo é filho do músico Marilton Borges, veterano da noite da capital, e sobrinho de Márcio e Lô, parceiros de Milton Nascimento no disco histórico lançado em 1972. Telo, o outro tio, ganhou o prêmio Grammy Latino 2003 com a canção Tristesse.

Nos anos 1960, os festivais tiveram papel importante na carreira dos Borges. Rodrigo é jovem, mas destaca o impacto das disputas promovidas pela TV Excelsior e TV Rio, “com imagens em preto e branco, ditadura militar, torcidas furiosas e a nata da nossa MPB em pleno alvorecer”.

o contrário do que muita gente pensa, os festivais não ficaram datados, acredita ele. Rodrigo lembra que o palco e o show são fundamentais para o artista contemporâneo, sobretudo diante da revolução no mercado fonográfico e da nova dinâmica imposta pela internet à cena musical.

“Os festivais continuam arrastando multidões pelo interior do Brasil”, constata o cantor e compositor. “Nada substitui o calor das apresentações ao vivo. Os festivais podem ter o papel relevante de promover novos talentos, estimular o intercâmbio entre profissionais da cadeia produtiva das artes e funcionar como instrumento de educação em nosso universo cultural, dominado por sucessos cada vez mais efêmeros e apelativos”, acredita.

Rodrigo se diz honrado por três de suas canções terem sido selecionadas pelo Fenac 2014: Qualquer palavra (parceria com Tatta Spalla), Deixa tudo ser (com Márcio Borges) e Sempre a cantar. Diferentemente do que foi noticiado, ele explica que Lenine e Lô Borges não vão defendê-las. A missão ficará a cargo dele e do tio Telo Borges.

Formiga Única sede do Fenac no Centro-Oeste mineiro, Formiga recebeu a segunda classificatória no fim de semana. Foram selecionadas É sério (de Ito Moreno, SP), Quando eu partir (Renato Muringa/Projeto Saravá, MG), Fulô do sertão (Laís Marques, BA), Saudade (José Ferreira, Aroldo Araújo, Luizinho Duarte e Eudes Fraga, CE), Invisível (Nano Vianna, ES) e Ame (Kleuber Garcêz e Paulo Monarco, MT).

As próximas etapas ocorrerão em Varginha (dias 15 e 16), Guapé (dias 22 e 23) e Três Pontas (dias 29 e 30). De 5 a 7 de setembro, em Boa Esperança, serão realizadas as seminifinais e a finalíssima, com distribuição de R$ 220 mil em prêmios. O vencedor levará também o Troféu Lamartine Babo. Das 3 mil músicas inscritas, 140 foram selecionadas, de 18 estados.