Musica

Isaar lança o segundo CD, cinco anos depois do premiado 'Copo de espuma'

No repertório, do reggae ao manguebeat, passando pelo frevo, músicas latinas, românticas e bregas

Ana Clara Brant

À primeira vista, ou melhor, à primeira audição, o que chama a atenção é a bela e potente voz. A cantora e compositora pernambucana Isaar acaba de lançar seu terceiro disco solo e não deixa de ser uma ode ao Recife. Todo calor traz linha de metais muito elegante, pegada bastante recifense e liberdade na composição dos ritmos, que é o forte na música nordestina, como ela mesmo define. “Essa liberdade permite ouvir em cada faixa um universo diferente na mesma proposta do disco. Espero tocar as pessoas. Mostrar-me de peito aberto com sinceridade, com muita alegria e balanço, mas sem precisar tirar o pé do chão, pelo contrário. Quem voa aqui é a mente e o coração”, filosofa.


Não é à toa que a faixa mais forte do disco seja justamente Todo calor. Com boa energia, a artista aborda a questão racial na canção. Passados cinco anos do lançamento do premiado Copo de espuma (2009), Isaar assegura que a pressão maior por superar o trabalho anterior é dela mesma. No entanto, revela que buscou se tranquilizar quando entrou no estúdio, porque já tinha todos os arranjos prontos e estava muito satisfeita com o resultado antes de gravar. “Copo de espuma tem cinco anos. É sempre necessário encarar a responsabilidade quando se pretende criar um novo trabalho. Dá para encarar”, frisa. No álbum, a cantora revela o som do Centro do Recife, onde mora. Não faltam reggaes, manguebeat, frevos, músicas latinas, românticas e bregas, sempre presentes nas esquinas dos mercados abertos da cidade. “Resolvemos disponibilizar o CD no site (www.isaar.com.br) no meio do mês. Aqui Recife, a cidade fica cheia. Todo mundo muito está sensível à música, encontrando-se e comentando. A repercussão tem sido boa”, comemora.

O disco reúne 11 canções executadas por gente de talento como Gabriel Melo (guitarra), Rama Om (baixo), Do Jarro (bateria) e Deco do Trombone. Boa parte das músicas são assinadas por Isaar. Ela diz que as duas coisas vêm caminhando juntas há bom tempo, mas que não se considera grande compositora. “Escrevo sem muito compromisso e, às vezes, releio o que escrevo e penso: pode dar samba. Não sigo uma fórmula. Perdi um parceiro incrível, assassinado no início da produção do disco, o baixista Lito Viana. Ele costumava me mostrar uma letra, uma melodia, e me empurrava para o mundo da composição. Às vezes, eu estava num ônibus e vinham letra e música. Noutras, surgia uma melodia e eu ficava procurando nos escritos algo que se encaixasse...”, conta.

A artista, que terá um ano “confuso” e com muita expectativa, antes de fazer o lançamento oficial do CD, em abril, vai aproveitar a folia de Momo, claro, no Recife, que tem um dos carnavais mais animados do país. Isaar garante que conseguirá conciliar a agenda de shows com a de foliã. Ela quer reviver com o filho o que fazia no passado com seu pai. “Gostava de participar das agremiações. Agora, estou assistindo aos desfiles. Meu pai me levava e hoje levo meu filho. Gosto de me colorir no carnaval e ver o povo na rua, ir num show de um amigo. É uma maneira tranquila de aproveitar a festa. Mas tem a quarta-feira de cinzas, quando os amigos que trabalham no carnaval se reúnem em Olinda. Aí a gente se joga”, avisa.

Ouça a faixa 'Todo calor', de Isaar: