Alberto não pensou no repertório do disco como movimentos de uma suíte, mas admite que é possível ouvi-lo como se fosse: “O Aquiles Reis, do MPB4, fez exatamente essa leitura. Se pensarmos o álbum como se fosse ‘Da Mata ao Atlântico’, podemos pensar numa suíte. É carioca. Bossa nova, choro, valsa, baião e maracatu com um sotaque carioca, mesmo em faixas como For Stevie & Burt, que beberam muito na bossa nova, com aquele bom gosto inigualável”.
O fato de trabalhar com trilhas o e
stimula a conceber composições a partir de imagens. “O importante é a característica musical que traduza a imagem que a história quer contar. Pode ser uma coisa alegre, triste, romântica, irônica e por aí vai. Em termos de orquestração também funciona assim. Procuro sempre os timbres e texturas, ou cores, que melhor exprimam o espírito e o sentimento das imagens”, explica o compositor.
Almas
Algumas composições já nasceram associadas ao som orquestral, como Dentro do mato e a faixa-título; outras, a exemplo de Chora com calma, Com carinho e Jobiniana, foram compostas ao piano e posteriormente tiveram sua sonoridade ampliada. As músicas foram compostas em épocas variadas, sendo Uma valsa pertencente a leva das mais antigas, escrita em 1984.
Entraram em estúdio com o artista grandes músicos brasileiros da atualidade, como Marcelo Martins (saxofone), Paulo Sergio Santos (clarinete), Jessé Sadoc (trumpete), Jorge Helder (baixo acústico), Márcio Bahia (bateria), André Tandeta (bateria) e Jaques Morelenbaum (violoncelo). Alberto tocou piano em todas as faixas e o produtor, Vittor, limitou-se a tocar trombone em Jobiniana.
Em algumas faixas, o número de músicos participantes ficou em torno de 50 e extrair o melhor de cada um, garante o compositor, não foi problema: “A maioria das notas escritas tinha endereço certo, o músico ideal para tocar aquilo. Quando eles chegavam ao estúdio, traziam suas próprias contribuições, ajudando decisivamente a melhorar a ideia original. Vejo cada um desses músicos como aqueles que fazem a interface entre a alma de quem cria e a alma de quem ouve”.