Musica

City and Colour chega ao terceiro disco de estúdio

Guitarrista Dallas Green é o grande nome por trás do projeto

Arthur G. Couto Duarte

A história comprova: bandas e artistas solo ligados ao rock sempre gostaram de adotar nomes esquisitos. Se no passado The Mothers of Invention (As Mães da Invenção), Atomic Rooster (Galo atômico), Commander Cody and The Lost Planet Airmen (Comandante Cody e os Pilotos do Planeta Perdido), Pearls before Swine (Pérolas aos Porcos) e Wishbone Ash (Cinza do Osso do Peito de Galinha) fizeram muita gente franzir a testa em espanto, mais recentemente formações como 10.000 Maniacs (Dez Mil Maníacos), R.E.M. (sigla para Movimento Rápido do Olho), Archers of Loaf (Arqueiros do pão de fôrma), Porno for Pyros (Pornografia para Piromaníacos), Bat for Lashes (velha gíria para piscada de olho) e o impronunciável !!! colaboraram para manter a estranheza em alta no gênero.


Uma tradição retomada com gosto por City and Colour. Inicialmente servindo como nome artístico para o guitarrista Dallas Green – ou seja, a junção do nome de uma cidade com o de uma cor – quando resolveu deixar de lado a abrasiva sonoridade pós-hardcore do não menos curioso Alexis on Fire (Alexis em Chamas), o projeto desse artista canadense chega agora ao seu terceiro disco de estúdio, expandido pela ajuda de vários amigos. No caso, figurinhas carimbadas do underground como Jack Lawrence (The Raconteurs, The Dead Weather), Matt Chamberlain (Fionna Apple, Pearl Jam) Bo Koster (My Morning Jacket) e o veterano James Gadson – décadas antes de ser idolatrado pela nova geração ao lado de Beck e Wilco, esse mítico baterista do Missouri foi providencial para a consagração da música forjada pelos “três reis”, Freddie, Albert e BB King.

Aliás, não há como deixar de notar a forte influência que os intrincados hibridismos acid-folk-country-rock vertidos pelo citado quinteto norte-americano My Morning Jacket exerceram sobre as novas canções do City and Colour. Tramadas em melodias zen pelas quais reverberam letárgicas ondulações de guitarra de aço, esparsos acordes de piano, violões de 12 cordas e os belíssimos falsetes que Dallas Green gera sem esforço por intermédio de sua voz, faixas como 'Paradise', 'Of space and time', 'The lonely life' e 'The hurry and the harm' mostram de forma cabal de que modo o velho ideário hippie rural veiculado nos idos anos 1960 por Neil Young, The Band e cia. voltou à moda, com uma vingança, por conta do som acridoce pelo City and Colour e por tantos outros representantes da novíssima cena indie mundial.