Musica

Primeiro show no novo Mineirão mostrou erros e acertos

A qualidade do som em alguns setores foi ruim, o que cria a expectativa de que tudo melhore para a apresentação de Paul McCartney

Mariana Peixoto Gustavo Werneck

Quarenta mil pessoas foram ao estádio da Pampulha para ver e ouvir o ídolo Elton John. Pior para quem ficou nas cadeiras superiores.
Foi uma estrela e tanto. Porém, como em toda primeira vez, ajustes têm que ser feitos. Quando Elton John pisou no palco do Mineirão, exatamente às 22h de sábado, mais do que o show do cantor e compositor britânico - impecável, do repertório à banda, e a voz ainda poderosa aos quase 66 anos - , o que estava mais uma vez à prova era o próprio Gigante da Pampulha. Que foi generoso com parte do público e quase um algoz para outro tanto.


Quarenta mil pessoas foram ao estádio com o mesmo objetivo. Mas a experiência não foi a mesma para a multidão, como não o é em qualquer show de estádio, seja em que cidade for. Quem chegou cedo se deu melhor. Às 19h15, os primeiros da fila correram para chegar à pista. Foram "recepcionados" por quatro estruturas metálicas no meio do gramado, sustentando imensas caixas de som. Foi a maneira encontrada para evitar o delay (atraso) na parte posterior do estádio - no entanto, as caixas atrapalhavam a visão.

NO ESCURO Os pontuais também não tiveram problema para estacionar, dentro (R$50, contra os R$30 nos dias de jogo) ou no entorno do estádio. As filas foram conduzidas tranquilamente, cada setor - eram cinco, sem contar os camarotes - entrando por diferentes portões em 15, 20 minutos. Na esplanda jovens com as camisetas "Posso Ajudar?" indicavam os respectivos portões. Um porém: por que nem todos os postes de luz foram acesos? A escuridão dificultava o acesso.

Com a proximidade do início do show, a multidão cresceu. Quem mais sofreu foi on público das cadeiras superiores (portões B e D). Às 21h40, a entrada para a pista (portão C) estava vazia. A fila, com uma multidão em zigue-zague, era para o portão D, que dava acesso às cadeiras superiores. "A entrada B fechou, então falaram para a gente vir para cá. Levamos meia hora para descobrir o fim da fila", afirmou o administrador Wellington Braga, 38 anos. Ele foi mal informado, pois naquele momento a entrada B estava aberta, com uma fila bem menor. "Nem em dia de jogo eu fico parado esse tempão", reclamou o colega de fila, o funcionário público Alexandre Cordeiro, de 50, que foi às três partidas no novo Mineirão.

O administrador Ramom Guimarães ficou muito nervoso. "Estou há mais de uma hora tentando entrar, já perguntei várias vezes na portaria e ninguém informa direito. Tenho pressão alta e estou louco para ir ao banheiro", disse, irritado. Vendo a situação, o repórter do EM procurou ajudá-lo - foi quando surgiu um funcionário da produção para acompanhá-lo. Na hora de entrar no estádio, operação pente-fino. E o "torcedor de Elton John" tinha que deixar do lado de fora garrafas de água, latinhas etc. Só que ninguém pensou numa lixeira para acondicionar o material. Em frente ao portão D, o lixo ficou todo jogado no chão.


Ramon Guimarães ficou mais de meia hora na fila para entrar.

SIMPATIA A TODA PROVA

Assim que as luzes se apagaram, as dores de cabeça foram deixadas de lado. Com 'The bitch is back', Elton John deu início a um espetáculo que só vem reforçar sua importância na história da música pop. Como a turnê celebra os 40 anos de 'Rocket man', o foco está em seu período áureo. Em BH, tocou 25 canções, uma a mais do que em São Paulo ('The one', do início dos anos 1990).

 

Foi na década de 1970 que sua parceria com o letrista Bernie Taupin alcançou o ponto máximo. 'Levon e Tiny dancer' foram entoadas em sequência, assim como no álbum 'Madman across the water' (1971). 'Candle in the wind' com a psicodélica 'Goodbye yellow brick road' mais 'Rocket man' foi mais uma sequência clássica. Das canções mais doídas - 'Daniel' e 'Sorry seems to be the hardest word' - até a consagração fina com 'Skyline pigeon' (que fez mais sucesso no Brasil do que em outros países) e 'Don´t let the sun go down on me' e suas melodias impecáveis.

 

 

Ao final, com um repertório que não saiu do previsto, Elton John surpreendeu. Antes de voltar para o bis com 'Your song', o cantor, fanático por futebol, levantou a bandeira do Clube Atlético Mineiro, levada por um fã. Houve muitos protestos e, depois de fazer cara de quem não entendeu nada, empunhou (sob vaias) a do Corinthians. Simpático e generoso, autografou vários LPs e camisetas, agradecendo mais de uma vez a recepção da plateia belo-horizontina.

 

Para o público, a experiência foi distinta. Quem estava nas pista comum (parte posterior do palco) e premium (anterior) ouviu e viu tudo com riqueza de detalhes. No gramado o som estava impecável. Já a plateia que lotou as cadeiras superiores (antigas arquibancadas) teve dificuldade de ouvir as músicas. Entender o que o cantor falou durante o show foi impossível. A visibilidade também foi prejudicada - dependendo da localização. nem mesmo com a ajuda dos telõe. Enfim, depois da estreia, o Mineirão ainda tem que melhorar. Afinal de contas, faltam menos de dois meses para Paul McCartney pisar no Gigante da Pampulha.

 

Laudo Técnico

 

O Minas Arena não permitiu a entrada da imprensa no Mineirão na manhã seguinte do show de Elton John. De acordo com a assessoria de imprensa, como a produção do show ficou a cargo da Malab Produções, coube à agência resguardar para que não ocorresse nenhum dano ao estádio. A assessoria informou ainda que será feito um laudo técnico, que deverá ser apresentado nets terça-feira, sobre as condições do gramado e outras dependências do estádio.