Um videoclipe produzido, financiado e promovido pelo Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (Moca, na sigla em inglês) é a mais recente plataforma por onde Björk propaga suas ideias sobre a relação entre a fragilidade das emoções humanas e a força colossal dos fenômenos naturais. Enterrada em solo arenoso, com figurino que representa uma erupção vulcânica, a cantora é cercada por fragmentos de terra e lava que se integram, se repelem e formam figuras humanas em uma dança frenética que se acelera ao ritmo de Mutual core, do álbum Biophilia (2011). A obra estreou na última segunda-feira, 12, na sede do Moca e foi divulgada na internet nesta terça-feira.
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O trabalho é dirigido por Andrew Thomas Huang, um videoartista que atraiu atenção da islandesa após o lançamento de seu curta Solipsist. As situações narradas nas duas obras são similares: em conflito físico que remete ao movimento das placas tectônicas, dois seres formados pelo solo sintetizam uma necessidade de fusão entre os corpos. "Mutual core é uma metáfora entre a crosta terrestre e duas pessoas convergindo, e todo o esforço que isso demanda. Solipsist também era sobre este tema, então fazia sentido que trabalhássemos juntos", explicou o artista à revista Dazed & Confused. Nas duas obras, Huang usou técnicas de marionetes e computação gráfica para criar os movimentos de seus personagens fantásticos feitos de terra e fogo.
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Em Biophilia cada música parte do conceito de um fenômeno natural. A inspiração pode se refletir no espaço rítmico que é medido entre trovões em uma faixa ou na repetição de um ciclo instrumental que simula as fases da lua em outra canção. Björk quis aproveitar o recuso do videoclipe para tornar mais compreensível a fusão entre sua música e ideias tão complexas. "Venho sentindo com o passar dos anos que os recursos visuais me ajudam a comunicar a música para as pessoas", declarou a cantora à publicação PaperMag. "A maiora das pessoas têm os olhos mais maduros do que os ouvidos. Algumas canções podem precisar ser ouvidas uma dúzia de vezes até descerem. Com imagens, às vezes leva apenas uma ou duas chances — desde que haja sincronia entre os dois", resumiu. Leia também:
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Tudo sobre os shows que Maria Bethânia fará em BH Cada álbum de Björk costuma funcionar como ápice de uma era criativa da cantora, que se aproveita do registro musical em estúdio para desenvolver peças visuais que complementam o conceito das canções. Funciona assim desde Debut, seu primeiro disco solo, lançado em 1993; as faixas dão origem a videoclipes que complementam a mensagem proposta pelas composições. Desde então, artistas como o diretor francês Michel Gondry, a fotógrafa ítalo-canadense Floria Sigsmondi e o produtor de moda Stéphane Sednaoui colaboraram com a islandesa por trás da câmeras, garantindo trabalhos singulares em diversos gêneros da produção visual.
Assista ao vídeo da canção Mutual core, de Björk:

