Grife mineira que veste blogueira famosa é acusada de plágio

Em rede social, a colombiana Pajón & Cartagena posta flagrante com as fotos que denuncia cópia em modelo usado por Thássia Naves. Segundo advogado especialista, casos semelhantes ferem direitos autorais

por Laura Valente 24/10/2017 13:50
Instagram/Reprodução
Vestido Skazi x Vestido Pajón & Cartagena (foto: Instagram/Reprodução)

Não é a primeira vez que um flagrante de suposto plágio dá o que falar no mundo da moda, como demonstra a história recente envolvendo marcas internacionais do porte de Gucci e Dolce & Gabbana, redes varejistas como Forever 21 ou nomes fortes da indústria nacional a exemplo de Osklen e Reserva, entre outras. Mas frente à globalização e a disseminação de conetúdo via redes sociais, fica difícil esconder o mau feito, que se espalha como pólvora na web. Neste último fim de semana, a grife colombiana Pajón & Cartagena postou denúncia no Instagram em que acusa a grife mineira Skazi de ter copiado de forma literal um vestido deles - modelo best-seller da atual coleção primavera-verão'2018, chamado La Momposina. Na publicação, quem veste a cópia é Thássia Naves, uma das blogueiras mais famosas do país.
Zippergaleria/reprodução e Filippo Monteforte/AFP
Criança fotografada por Adriana Duque x modelo Dolce&Gabbana (foto: Zippergaleria/reprodução e Filippo Monteforte/AFP)

 "A moda colombiana está passando por seu melhor momento graças a muitos anos de trabalho incansável, por trás da nossa indústria são muitos os esforços para alcançar produtos da mais alta qualidade, carregados de identidade !!! É triste ver esses casos de cópias literais de marcas produzidas no Brasil ... hoje queremos tomar a iniciativa NÃO PARA A CÓPIA ... COMPRE DA COLÔMBIA. À esquerda @thassianaves em uma réplica feita por @skazioficial (que nos bloqueou em suas redes) de nosso vestido La Momposina", diz o trecho que já contava com milhares de views e dezenas de comentários, muitos de perfis brasileiros. A comparação das duas imagens também foi postada no perfil do diet_prada, site conhecido por "escancarar" cópias no universo fashion e que criticou a grife e a influencer “por ter desfilado o look frente aos 3 milhões de seguidores que detém nas redes sociais”. 
 
 
Em nota, a grife Skazi, sob o comando dos sócios Ana Paola Murta e Vander Martins, alegou uma “coincidência fashion”.  Veja a íntegra: “Sobre fato levantado nas redes sociais, de possível cópia de um estilista colombiano, a Skazi esclarece que não se passou de uma infeliz coincidência fashion. A grife, fundada em 1993, hoje é referência nacional e se posiciona como uma marca comercial, atenta às principais tendências internacionais, sempre prezando pela qualidade de seus produtos e pela competente distribuição dos mesmos em mais de 1000 pontos de venda pelo país. A Skazi é uma empresa sólida, mantém uma forte parceria com as principais influencers brasileiras e é responsável por mais de 300 empregos diretos, produz mais de 120 mil peças por ano e se destaca num setor que vem enfrentando uma forte crise econômica, onde, na contramão da realidade da Skazi, se vê grandes marcas fechando as portas. Lamentamos o fato, mas seguimos orgulhosos de nossa história e muito felizes com o futuro promissor que nos aguarda. Hoje, em especial, comemoramos a abertura de mais uma temporada do Veste Rio, onde a marca se destaca como uma das mais desejadas. Assim, seguimos em frente confiantes de que estamos no caminho certo.” Também procurada por meio da assessoria de imprensa, a digital influencer Thássia Naves não deu declarações. 

Processos no Brasil 

 
Reprodução O Globo
A Farm foi acusada de copiar joia do designer William Farias (foto: Reprodução O Globo)
 
Vale ressaltar que casos semelhantes já são alvo de processos na Justiça brasileira, como comenta Álvaro Loureiro Oliveira, advogado e sócio do Dannemann Siemsen, escritório de advocacia que  representou o designer Willian Farias em processo de acusação de plágio contra a grife Farm, em 2014."A moda é uma área em que é possível partir de uma mesma referência, tendência, tanto que é feita de movimentos cíclicos. Assim, uma grife ou rede de varejo podem usar a mesma inspiração, uma estampa floral, uma manga, cores e outras referências. Mas, quando é possível reconhecer uma criação literalmente em outra, não há inspiração, e, sim, cópia", caracteriza. 

O especialista lembra de processos famosos da área, como o da italiana Gucci contra a rede varejista Forever 21. Segundo divulgado pelo site Business of Fashion, a maison processa a rede por copiar, literalmente, as listras azul-vermelho-azul e verde-vermelho-verde, icônicas na identidade da grife de luxo. Ele também cita o caso em que atuou, contra a Farm, notificando a grife carioca. "O colar vendido na loja era um modelo idêntico ao criado pelo designer William Farias, só a matéria-prima era diferente, o dele em ouro 18k e o da marca em latão".
 
Reprodução Business of Fashion
Gucci processa Forever 21 por cópia (foto: Reprodução Business of Fashion)

Não se sabe se a grife colombiana levará à esfera judicial a denúncia contra a marca mineira postada na rede, mas o advogado lembra que grifes que copiam correm o risco, sim, de serem processadas. Mesmo que sediadas em países diferentes. “Nestes casos, a denúncia é baseada  nas leis de propriedade industrial (quando produto protegido por patente ou desenho industrial) ou de direito de autor. Volto ao exemplo do designer Willian Farias, cuja queixa teve base no direito de autor já que entendemos uma joia como uma obra de arte aplicada. Pela lei de propriedade intelectual, a reparação do dano é feita em cima do valor equivalente ao que seria destinado ao criador da obra com a venda de 2 mil peças, entre outras possíveis indenizações (danos morais, por exemplo). Em caso de disputas com empresas de países distintos, o processo é realizado de acordo com a legislação daquele em que o fato ocorreu, com base em tratados internacionais que estabelecem os parâmetros de processos que envolvem propriedade intelectual”, afirma. 
Reprodução de Internet
Kim Kardashian, de Balmain, "inspira" modelo da blogueira Thássia Naves (foto: Reprodução de Internet)

Para finalizar, o especialista lembra que, apesar de muito comum no universo da moda, quem copia corre cada vez mais riscos.  “Sempre foi arriscado e ilegal, mas hoje é ainda mais complicado pois com o estreitamento de distâncias e o mundo globalizado os flagrantes são cada vez mais comuns”. 

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