Especialistas apontam as cores tendência de 2018

Em BH, embaixadora da Pantone no Brasil revela as tonalidades que devem dominar os ambientes a partir de janeiro do ano que vem, segundo o estudo View Home

por Celina Aquino 23/10/2017 11:11

Cristina Horta/E.M/D.A Press
Blanca Lliahnne (foto: Cristina Horta/E.M/D.A Press)

A cor do próximo ano será anunciada apenas em dezembro, mas especialistas de todo o mundo já adiantam quais são as tendências que estão por vir. Arquitetos, designers e decoradores de Belo Horizonte tiveram a oportunidade de conhecer esta semana, em palestra da embaixadora da Pantone no Brasil, Blanca Lliahnne, no Ponteio Lar Shopping, as tonalidades que devem dominar os ambientes a partir de janeiro. Todas elas fazem parte do estudo View Home + Interiors 2018, lançado em abril, que serve como inspiração para profissionais que desenvolvem objetos, revestimentos e outros itens de decoração. As cores mais escuras e os brancos luminosos estão entre as apostas.


A pesquisa aponta movimentos mundiais que influenciam a escolha das cores. Um deles é aproximar a inovação da familiaridade. “Os consumidores querem novidades constantemente, mas não podemos propor só o novo, senão ele vai ficar na prateleira. Temos que pensar de forma inovadora com um gosto familiar, ou seja, com o fio condutor de cores clássicas, que ficam bem em qualquer ambiente e em qualquer bolso”, esclarece Blanca. Algumas das cores que a especialista chama de cross over colours (por atravessar os mares sem perder a beleza) são vinho, marrom e azul. Aliás, estudos mostram que o azul é a cor favorita de todos os povos, não importando geografia, etnia ou cultura.

Henrique Queiroga/divulgação
Tons pastel permanecem atuais (foto: Henrique Queiroga/divulgação)

O uso das cores também deve ser impactado pelo contraponto entre minimalismo e maximalismo. “Hoje, os experts em decoração são minimalistas, porque defendem que menos é mais. É aquela ideia de colocar um objeto minimamente invasivo em um ambiente neutro, que vai chamar mais a atenção do que um monte de cores. Então, eles colocam poucos elementos na composição, mas que são muito direcionados para a mensagem que querem passar”, aponta. Como exemplo, um vaso laranja em uma sala cinza: os olhares se voltam imediatamente para o objeto colorido. Por outro lado, o maximalismo propõe uma composição harmônica para que as cores não se tornem enjoativas e excessivas.

SAÚDE De todas as tendências, Blanca acredita que a busca pela saúde é a que mais deve impactar a escolha das cores. Saúde de maneira geral, incluindo a da mente, do sono e da alimentação, com os alimentos orgânicos, que apontam para a permanência dos verdes no próximo ano (a greenery, mistura de verde-musgo com amarelo intenso, continua como a cor do ano até dezembro). “O banho de floresta é um tema permanente, que incentiva a conexão com você mesmo, sem equipamentos eletrônicos. É reservar um tempo para explorar a sua pessoa e ter condições de cuidar daquilo que é mais caro para você, que é a sua saúde – para mim, o maior dos trends”, informa.

Henrique Queiroga/divulgação
O verde se mantém em alta (foto: Henrique Queiroga/divulgação)

É provável que a cor do próximo ano esteja na lista divulgada no estudo View Home Interiors 2018. A embaixadora da Pantone no Brasil cita os tons terrosos, violetas, púrpuras e roxos, além dos pretos coloridos. “São aquelas cores que, de tão profundas e intensas, ficam pretas, entre elas vinho, cor de pinho, azul e marrom. Os brancos renovados, tingidos de cores, também estão entre as apostas”, adianta. Segundo Blanca, o branco “sujo” do off white dá lugar a brancos com toque de cinza, de manteiga, de pêssego, entre outros, para que fiquem mais luminosos e expansivos. Além disso, tons pastel, grupos com muitos verdes e o uso de metálicos continuam em alta a partir de janeiro.


COR DO ANO Leatrice Eiseman é uma das figuras mais importantes para a definição da cor do ano. Ela é uma das fundadoras e atual diretora-executiva do Pantone Color Institute, com sede nos Estados Unidos, que reúne especialistas de várias nacionalidades responsáveis pela escolha. Todos os anos, cada um dos integrantes do comitê apresenta a sua tese com base em uma série de análises, incluindo estudos socioeconômicos, movimentos de lifestyle, lançamentos de filmes e séries, eventos esportivos, desfiles de moda (principalmente de Nova York e Londres). O grupo também avalia todo o comportamento humano e tenta identificar quais são as cores de preferência dos consumidores.

Henrique Queiroga/divulgação
Pantone Color Institute anuncia a cor do ano em dezembro (foto: Henrique Queiroga/divulgação)

A primeira cor do ano foi escolhida na entrada do novo milênio. Para o ano 2000, os especialistas previram a prevalência do azul-cerúleo, bem clarinho, cor do céu. “A Pantone escolheu essa cor para passar uma mensagem de paz e preenchimento aos consumidores, para que eles se sentissem mais seguros na entrada do milênio. A expectativa do futuro era estressante, pela possibilidade do bug do milênio, então precisávamos de um antídoto”, relembra Blanca. Como disse a embaixadora da Pantone do Brasil, o azul é mesmo a cor mais querida no mundo. Em 2015, a empresa norte-americana escolheu o azul-senerity para levar calmaria a uma época conturbada para a humanidade.

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