Conheça grifes que criam coleções inspiradas na arte

Parcerias de estilistas com artistas plásticos resultam em estampas que fogem do comum e mostram que desenhos e pinturas podem tornar as peças de roupa ainda mais interessantes

por Celina Aquino 19/10/2017 14:04

Weber Pádua/divulgação
Arte sacra (foto: Weber Pádua/divulgação)
 

Não há consenso quando se discute se moda pode ser considerada arte. Polêmicas à parte, o certo é que os dois universos buscam sempre o diálogo, seja de forma subjetiva, quando a arte inspira uma coleção, ou literalmente, quando os traços do artista se tornam o diferencial de uma peça de roupa. Conheça, a seguir, exemplo de estilistas que desenvolvem parcerias com artistas plásticos e, além de oferecer algo exclusivo, elevam as estampas ao patamar de obras de arte.


O nome não deixa dúvida: a Arte Sacra nasceu da união entre moda e arte. Tudo começou com um desejo da artista plástica Maria Rita Malloy. “Ela queria fazer arte em uma forma diferente de vitrais, cerâmica e quadros. Buscava uma arte mais comercial, que pudesse ir além das obras de arte, que no Brasil não são tão valorizadas”, conta uma das filhas, Marcela, que hoje ocupa o cargo de diretora-criativa. A fundadora passou, então, a imprimir os seus traços em estampas e bordados, pensando em cobrir o corpo das mulheres com arte, especialmente a sacra, que sempre esteve presente em sua vida.


A marca continua a acreditar que moda e arte caminham juntas. Uma das iniciativas mais recentes é a parceria com a carioca Ange-Marie Pessoa Taillandier, que vem desenvolvendo estampas a partir de ícones escolhidos para ilustrar o tema da coleção. Aquarela é uma das técnicas mais utilizadas pela artista plástica, que costuma trabalhar com uma mistura interessante de cores. Marcela explica que a equipe aprova os desenhos no papel e depois faz os testes nos tecidos. Normalmente, as estampas são impressas em materiais fluidos como cetim, crepes de seda e zibeline.


Na última coleção, o desafio era levar para as roupas o lado poético da arquitetura concretista. “O resultado é extremamente feminino. Uma das estampas, com pinceladas mais fortes, se chama poesia urbana e representa traços da natureza bela e inquietante. O outro desenho, bem geométrico, traz sensação de movimento e recebeu o nome de ondas”, detalha.

Mariana Maltoni/divulgação
Fit (foto: Mariana Maltoni/divulgação)

A relação da FIT com arte também é antiga. A diretora-criativa Renata Schmulevich conta que, desde o início, trabalha em parceria com artistas plásticos para se diferenciar. Isso porque as estampas costumam ser desenvolvidas em grandes fábricas e acabam ficando parecidas. “É muito interessante observar que, de alguma forma, sempre sai algo diferente, porque vem de uma pessoa que não está dentro do tema da moda. E essa é a nossa proposta, oferecer algo exclusivo e atemporal”, pontua. Das últimas vezes, ela tem deixado o artista livre para criar os desenhos. Apenas orienta o trabalho, sugerindo cores, principalmente, para mostrar o que funciona no tecido.


A marca acaba de lançar uma estampa desenvolvida com a turca Ayça Koseogullari, conhecida por seus desenhos no papel. Renata considera essa parceria uma das mais marcantes pelo aspecto multicultural. A artista plástica nasceu em Istambul, mora em Nova York e já expôs em galerias de grandes metrópoles como Londres e Bruxelas. “Mesmo não tendo referências da história da FIT, a Ayça fez um desenho que tem muito a ver com a gente. As nossas estampas são sempre gráficas”, destaca.


Os traços da turca, em tons de vermelho, laranja, amarelo, azul-marinho e preto, estampam modelos de camisa, macacão, calça, vestido e saia. Segundo a diretora-criativa da FIT, as peças são acompanhadas de uma etiqueta que conta a história e mostra o currículo da artista plástica, exatamente para destacar a sua assinatura em parte da coleção. De Nova York, Ayça conta que o seu objetivo era explorar a sensualidade e a elegância do corpo humano durante a atividade física. “Transformei os movimentos femininos e masculinos em linhas integradas para criar, assim, um ponto de contato entre o esporte e a graciosidade do corpo”, esclarece.

Estudio Corpo/divulgação
Ammis (foto: Estudio Corpo/divulgação)

Arriscar é com ela mesma. A estilista da Ammis, Ana Laura Penido Machado, sempre gostou de trabalhar ideias inusitadas. Desta vez, ela resolveu levar para a alfaiataria as pinturas de Kláucia Badaró, novidade também para a artista plástica. O blazer carro-chefe da marca, que a cada temporada aparece de um jeito, ganhou charme com desenhos cheio de cores. “O nosso blazer é uma peça mais clássica, que ficou bem moderna com a pintura e pode ser usado por mulheres de qualquer idade. Procurei fazer uma peça-desejo, mas, ao mesmo tempo, algo atemporal, que, independentemente de ser sido pensado para o verão, sempre vai estar na tendência”, pontua.

MÍSTICO
Incluindo os desenhos, toda a coleção se baseou em uma viagem de Ana Laura à Itália. A artista plástica, então, partiu desse tema para planejar o seu trabalho, que conta com figuras bastante significativas para ela, como as rosas, o Sagrado Coração de Jesus e o olho, que apontam para o seu lado místico e religioso. “É tudo muito intuitivo. Peguei o estilo da marca, que é mais clássico, e levei para uma pegada mais arrojada, fora do padrão. Isso combinou muito bem com as roupas, principalmente o blazer, que é estruturado e saiu do óbvio”, conta. Como um quadro, Kláucia pinta cada peça a mão. Dessa forma, nenhuma sai igual à outra, o que torna o trabalho ainda mais exclusivo.
As pinturas também são exploradas em peças de couro da Ammis, que são saias em três comprimentos, jaquetas e camisas.

Sergio de Rezende/divulgação
Modem (foto: Sergio de Rezende/divulgação)

A arte está inserida no conceito da Modem desde a sua criação. Os sócios André Boffano e Sam Santos buscam sempre inspiração na arquitetura e, principalmente, nas artes plásticas. Para eles, isso ajuda a valorizar e intelectualizar os seus produtos. “Exploramos a arte em todo o nosso processo de criação, muitas vezes utilizando formas gráficas e abstratas que nos remetem a uma obra de arte. Um dos símbolos visuais mais importantes da marca, os puxadores de zíper, por exemplo, são inspirados nas formas dos mobiles do artista Alexander Calder”, apontam.


Pela primeira vez, a marca trabalhou em parceria com uma ilustradora para criar as estampas da coleção. Maria Ruth Jobim chamou a atenção dos estilistas pelo traço delicado, cuidadoso, leve e principalmente moderno. “A ilustradora foi convidada a se inserir no processo habitual de criação de estampas. Como sempre fazemos, fotografamos e trabalhamos as imagens que desejamos utilizar (nesta coleção de verão foram flores), e demos a liberdade para que ela expressasse a sua visão a partir disso”, informa a dupla. Maria Ruth fez intervenções digitais nas fotografias.

 

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