Uma história de moda inspirada em artistas clássicos

A grife mineira Ave Maria comemora seus 20 anos no mercado reafirmando seu DNA e lançando, pela primeira vez, uma coleção infantil

por Isabela Teixeira da Costa 16/10/2017 15:52

Deia Quintino/divulgação
(foto: Deia Quintino/divulgação)

Os irmãos José e Maria Lima completam 20 anos de parceria e sociedade na sua marca Ave Maria, com uma coleção que buscou referência em grandes artistas clássicos, e como cereja do bolo lançam coleção infantil. A Ave Maria tem uma identidade própria com um conceito criativo que sempre esteve presente nas coleções. As roupas trazem sobreposição de tecidos, com estampas aplicadas e essa modelagem traz leveza e ao mesmo tempo um efeito de profundidade nas roupas, que se destacam pela cartela de cores, sempre bem escolhidas a cada coleção.


Flutuação é o nome que a dupla deu para a coleção primavera-verão’ 2018. Segundo o estilista, a intenção era apresentar a diversidade e, para ele, as duas palavras são sinônimo, além de combinar muito bem com a estampa produzida para a estação. “Cada pessoa tem sua identidade e seu perfil e ao mesmo tempo tem uma diversidad. Foi pensando nisso que criamos a coleção”, conceitua José, explicando que a marca tem linha clássica com peças em renda e mais divertidas, como um camisão de tule e as estampas com imagens kitsch. “Independentemente do perfil da pessoa, ela se encontra aqui, nas nossas roupas”, sintetiza José.

Deia Quintino/divulgação
(foto: Deia Quintino/divulgação)

Desde o início, a dupla trabalhou com estampas exclusivas. Para a coleção primavera-verão’18 o desejo era trabalhar com miniestampas e sobreposições. A inspiração foram os azulejos art nouveau, que depois de formar uma tela foram preenchidos com imagens de trabalhos de artistas plásticos como Kandinsky, até formar o fundo de imagens pequenas que a dupla desejava, criando volumetria. Sobre essa estampa de fundo, foram aplicadas sobreposições de imagens renascentista e kitsch, como por exemplo São Jorge, São João, as moças do quadro Primavera, de Botticelli, e rosas, entre outras imagens. As estampas foram aplicadas na renda, tule com elastano, viscose, malha, etc. “Queria um fundo com imagens bem pequenas e ao mesmo tempo leves e busquei na arte de Kandinsky seus círculos e fundos de telas que trabalhei puxando mais a cor para a imagem ficar mais nítida porque seu trabalho é mais esmaecido. Queria algo mais vivo”, explica José.


Normalmente, a marca cria de 6 a 10 estampas por coleção, para esta estação exageraram, com 13 estampas. A de santos está presente, como sempre esteve, pois é a marca registrada da grife, que em todas as coleções tem peças com a linha da religiosidade. São usados vários santinhos, como se fossem retratos 4 x 4, e de vez em quando mudam alguns, incluindo imagens renascentistas. Questionado sobre o estilo, José brinca: “Não consigo fazer coleção monocromática, acho lindo na arara, no showroom, mas nunca consegui fazer. Já tentei, mas no meio do caminho começamos a viajar e, quando vimos, já estava tudo com a nossa cara, tudo colorido e estampado”.

Deia Quintino/divulgação
(foto: Deia Quintino/divulgação)

A estética religiosa sempre foi muito forte para ele. O barroco, a teatralidade e majestade das igrejas católicas, suas cortinas roxas e vermelhas, e foi dessa forte influência que nasceu o nome da marca. Elementos da cultura kitsch também estão presentes desde o início da Ave Maria, que começou com uma moda mais agressiva, de vanguarda. Hoje, a roupa está mais limpa, porém sem perder as referências e o conceito que deu vida à grife. “A mudança é um aprimoramento, vamos sintetizando. A moda tem que estar na rua, não podemos ficar só viajando, temos que ajustar o estilo para a roupa ser consumida, sem perder seu DNA, nosso conceito e personalidade. Sempre procuramos fazer algo atemporal, que daqui a 20 anos a cliente tire do guarda-roupa sabendo que estará bem”, diz José.


A grande novidade da comemoração do aniversário da grife é o lançamento da coleção infantil, que nasceu da demanda de clientes que sempre manifestaram desejo de poder comprar roupas no estilo Ave Maria para seus filhos. Segundo José, foi muito prazeroso criar as peças, porque no infantil é possível brincar mais e usar imagens mais lúdicas. Apesar de ter sido lançada recentemente, já foi possível sentir a boa aceitação por parte do mercado.

O começo A dupla decidiu abrir a marca Ave Maria em 1997, produzindo roupas masculinas para a loja que recebeu o mesmo nome, porém vendia peças de outras confecções, como as roupas de couro da Armadilho, bolsas do Gilson Martins e roupas de fuxico da Copa Roca, do Rio de Janeiro. “Eu trabalhava no atacado com a marca Zepa, que era masculina, porém queria peças que não encontrava em lugar nenhum, por isso criei a Ave Maria, para poder produzir o que eu não encontrava. A loja era um mix de roupas mais alternativas e a roupa masculina da marca. Fizemos muito sucesso, participamos de todos as feiras Mercado Mundo Mix”, relembra José Lima.

Deia Quintino/divulgação
(foto: Deia Quintino/divulgação)

Com o tempo, passaram a criar shapes femininos e hoje esse nicho ocupa o maior espaço da confecção. “Começamos a produzir a roupa feminina e foi muito gratificante, até mesmo porque na roupa feminina a gente pode brincar mais”. “Nos anos 80 e 90 podíamos ousar mais na roupa masculina. Hoje, está tudo muito careta. Éramos mais atrevidos”, lembra o estilista. “Hoje as coisas são mais abertas e talvez por isso as pessoas não ousem tanto. Quando comecei criava cada coisa, que se fizer hoje ninguém compra.”


No mesmo ano abriu a loja, José decidiu mudar para Tiradentes. Comprou uma casa e decidiu abrir uma loja na cidade histórica para ter um local para trabalhar, fazer suas pesquisas, desenvolver as peças, etc. sem se importar muito se teria retorno comercial ou não. Surpreendeu-se com o sucesso que fez. Abriu showroom no Bairro São Pedro, chegando a manter a loja no mesmo bairro por 14 anos. A dupla já teve loja também em Trancoso. Hoje, a Ave Maria tem loja em Tiradentes, Arraial d’Ajuda e Itaipava, e abriu este ano, graças à crise, porque o preço do ponto abaixou muito, uma loja em Ipanema.

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