Fique poderosa: neste inverno invista em muito pano pra manga

Bufantes, quimono, morcego, presunto, três quartos e outros tipos de manga conferem diferencial ao look, que ganha imponência. No frio, elas são as vedetes em modelos variados e nada básicos

por Laura Valente 12/06/2017 14:16
Fabiana Milazzo/ Divulgação
A estilista Fabiana Milazzo aposta em mangas poderosas (foto: Fabiana Milazzo/ Divulgação)
O recurso de modelagem de trabalhar as mangas como diferencial do vestuário não é novidade: existe há centenas de anos, vide modelos de época usados principalmente por membros da corte. Até por esse histórico, funciona como diferencial, conferindo glamour e exuberância à produção.

Hoje, frente à variedade de tecidos e as mil e uma possibilidades surgidas com o desenvolvimento da tecnologia, a proposta se popularizou e é explorada mesmo em looks mais básicos, como camisas de tricoline, a exemplo da proposta da Animale para a atual temporada de inverno. A grife apostou em volume e pregas, criando mangas esculturais nas peças, como comenta Claudia Jatahy, vice-presidente de estilo. “As mangas vêm aos poucos ganhando volume e babados, propondo uma estética mais romântica e feminina. O ombro à mostra e a proposta de um ombro só vêm com muita força nesta coleção”.
Tanto que a grife criou mangas diferentes em modelos a base de tecidos diversos como algodão, linho, seda, jeans, couro e tricô, entre outros. A inspiração vem da leitura da moda de outros tempos, numa reinterpretação para o closet da mulher contemporânea. “Na história da moda, as mangas sempre trouxeram uma expressão muito forte das décadas e daquilo que cada época revelava. Exploramos a fluidez e volumes nos anos 1970, as mangas estruturadas com ombreiras dos anos 1980, com os babados e pregas de décadas anteriores”, justifica. E vai além. “As mangas conferem um toque de personalidade a qualquer produção, podendo traduzir uma estética romântica ou mais imponente”, avisa.

À moda Vetements Além do trabalho de modelagem, as mangas também têm sido exploradas de forma conceitual, muitas vezes por meio da extensão do comprimento para além das mãos – proposta que ganhou atenção dos fashionistas a partir de desfiles do coletivo parisiense Vetements, e dali ganhou o mundo.

Entre grifes nacionais, o artifício de expandir e caprichar no volume das mangas foi explorado pela paulistana A.Niemeyer, grife assinada pelas sócias Fernanda Niemeyer e Renata Alhadeff, e que fez desfile elogiadíssimo na última edição da São Paulo Fashion Week (SPFW). “Apostamos em mangas volumosas e shapes ovalados (estilo cocoon), predominantemente em tecidos naturais como algodão, lã, seda e tencel”, resume Fernanda.

A criadora conta que não direcionou o olhar para movimentos estéticos datados, mas reconhece a importância das mangas como diferencial para modelos, independentemente de a modelagem estar ou não atrelada a épocas específicas. “Elas conferem uma importância para a roupa, são capazes de criar modelagens inusitadas e tornam o look mais conceitual”, analisa.
Fabiana Milazzo/ Divulgação
(foto: Fabiana Milazzo/ Divulgação)

Especialista em moda festa e casual sofisticada, a estilista mineira Fabiana Milazzo também bebeu na fonte, criando mangas em tecidos finos e encorpados, como o chifon, e em fios de lã, criando efeito conceitual “peludo desfiado”. Na ponte aérea Minas / Los Angeles (EUA), onde abriu loja e conquista clientes holywoodianas, ela comenta a opção pelo famoso recurso de modelagem. “Uma manga poderosa permite que o resto do look seja mais ‘descomplicado’, pois ela acabada sendo a atração principal da composição. A manga poderosa passa a sensação de uma mulher segura de si, confiante e que tem muita certeza do que gosta ou não na hora de se vestir”.

Harmonia no look Apesar de poderosas, as mangas trabalhadas não são restritivas, como lembra Fabiana Milazzo. “ A moda atual está muito mais democrática, e isso é bom. A ressalva que faço é para pessoas de ombros mais largos, que devem prestar atenção na proporção de uma produção pois as mangas muito grandes ‘diminuem’ ainda mais a parte de baixo do corpo”.

Claudia Jatahy também opina. “Acredito que não sejam as mangas que determinam a ocasião, mas sim a matéria prima da peça e o look como um todo. É possível usar mangas poderosas em diferentes programas, o importante é saber mesclar corretamente. Assim, o ideal é sempre compor produções de peças com mangas estruturadas e opulentas com partes de baixo mais simples e secas para dar um equilíbrio ao look”, ensina.

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