Modelo da Victoria's Secret denuncia revista que a obrigou a posar nua

Sara Sampaio viveu a situação durante uma sessão de fotos para a capa da edição de outono da publicação francesa 'Lui'

por Estadão Conteúdo 20/10/2017 15:01

ANDREAS SOLARO
(foto: ANDREAS SOLARO)
Desde que atrizes começaram a expor episódios de assédio sexual cometidos pelo produtor de cinema norte-americano Harvey Weinstein, no começo de outubro, mulheres de todo o mundo de uniram para denunciar situações vexatórias que passaram no ambiente trabalho.

Agora, Sara Sampaio, que é uma das angels da Victoria's Secret, usou o Instagram para expor uma revista, que a obrigou a posar nua e usou suas imagens sem autorização, mesmo com uma cláusula de não-nudez em seu contrato.

A top portuguesa contou que, durante a sessão de fotos de capa da edição de outono da revista francesa Lui, ela foi pressionada a mostrar os seios e, mesmo tentando se cobrir o máximo possível, em algumas imagens seu corpo foi revelado mais que o combinado e ela pediu para estas fotos não serem veiculadas, mas elas foram impressas na capa e no recheio da publicação.

"Só porque eu posei nua no passado, não dá o direito de ninguém presumir que eu o farei de novo, sob qualquer circunstância", escreveu. "Tenho direito de mostrar meu corpo como, quando, onde e porque eu decidir assim".

 

Confira o desabafo na íntegra: 

 

"Hoje, me sinto obrigada a compartilhar minha experiência recente com a revista masculina francesa Lui. Quero que cada modelo e cada mulher saiba que elas têm o direito de fazer suas próprias escolhas quando diz respeito a seus corpos e imagens. Concordei em fazer a capa da edição de outono da Lui, sob a condição de que não teria nudez. Minha agência e eu insistimos para ter um acordo claro que me protegesse e garantisse que a escolha que fiz seria cumprida.

Apesar da cláusula de 'não nudez' em meu contrato com a Lui, fui agressivamente pressionada a fazer fotos sem roupa no set, sendo questionada por que eu não queria mostrar meus mamilos ou ficar completamente nua. Durante o dia de fotos, tive que me defender constantemente e reiterar meus limites, tentando me cobrir o máximo que pude. Enquanto estávamos revisando as imagens feitas, percebi que, em algumas, foram expostas partes do meu corpo que eu não queria que fossem. Conversei e me garantiram que estas fotos não seriam usadas. A revista mentiu e publicou e, na foto de capa, estou nua, o que foi uma violação clara de nosso acordo.

Assim como muitas modelos, eu tive experiências negativas no passado, quando me senti obrigada a posar nua. Em diversas ocasiões, em que no shooting não haveria nudez, chegava no set e o fotógrafo ou o stylist me pressionavam, persuadiam ou me obrigavam a fazer isso porque já havia posado assim no passado. Eu sofri bullying. Muitas vezes, me mostraram fotos minhas sem roupa como exemplo para me coagir a fazê-lo novamente e, quando eu mantinha minha opinião e me recusava, era criticada e julgada como uma pessoa difícil de trabalhar.

Estou confortável com meu corpo e com a nudez em circunstâncias que julgo uma forma de arte - este processo acontece naturalmente, é muito bem pensado, criativo e colaborativo. Em toda minha carreira, fui muito seletiva em quando e como posar nua. Só porque consenti no passado, não dá o direito de ninguém presumir que eu o farei de novo, sob qualquer circunstância. Tenho direito de mostrar meu corpo como, quando, onde e porque eu decidir. É minha escolha. E quando faço esta escolha, espero ser tratada com respeito e profissionalismo.

Desde que a revista foi lançada, tenho trabalho com minha agência e com meus advogados para tomar medidas legais contra a Lui. O que eles fizeram comigo é inaceitável. Quero fazer o que puder para prevenir que isso acontece de novo comigo e com outras. Infelizmente, isso não é um incidente isolado, e não estou sozinha. Enquanto as modelos continuarem a compartilhar suas experiências angustiantes, o bullying e os abusos que ocorrem sistematicamente na indústria da moda serão expostos.

Como modelos e como mulheres, nós precisamos nos unir e exigir o respeito que merecemos. Temos o direito de fazer nossas escolher individuais sobre nossos corpos, nossa imagem e nossas vidas."

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