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Todo poderoso

Morgan Freeman produz e apresenta série 'A história de Deus', produção do NatGeo

Programa terá seis episódios de uma hora cada a respeito das diferentes representações do criador. Será exibido em 171 países, em 45 idiomas diferentes

- Foto: Kevork Djansezian/Getty Images/AFP

Jornalistas do mundo inteiro estão reunidos em uma teleconferência, esperando o entrevistado. Eis que, pontualmente, do outro lado da linha, ouve-se a voz de Deus. Ou quase isso. A tonitruante fala de Morgan Freeman, que representou o Todo Poderoso no filme homônimo (e em sua continuação), de 2003, se impõe. O ator vencedor do Oscar e narrador extraoficial de diversos documentários americanos integra a produção A história de Deus (NatGeo), que busca desvendar a representação divina nas mais diversas culturas.


A série é (quase) onipresente – vai ao ar em 171 países, traduzida em 45 idiomas. Nos seis episódios de uma hora de duração cada um, Freeman explora as muitas facetas da representação divina. Desde a criação, passando pelos milagres, até a promessa da ressurreição. Para isso, rodou o mundo, em lugares como o Muro das Lamentações, em Jerusalém; a Árvore de Bodhina, na Índia; a cidade e Tikal, na Guatemala; e as igrejas modernas dos Estados Unidos.

 

Além de ocupar o cargo de apresentador, o astro participou de rituais religiosos.

Mais do que um trabalho para o qual foi contratado, este é um assunto pelo qual Freeman sempre se interessou. “Acredito fortemente em Deus e ter a oportunidade de viajar apenas para examinar a conexão das outras pessoas com Ele foi uma das coisas mais fascinantes que já fiz. Essa (a religião) é uma curiosidade crescente e a longo prazo que tenho sobre a vida. O que é isso? Por que estamos aqui? O que faremos depois disso? Perguntas como essas sempre me rondaram, e então tivemos a oportunidade de explorar questões da vida, da criação, da religião e de Deus”, diz o ator, que assina a produção-executiva da série, ao lado de Lori McCreary e James Younger.

 

“Esse programa se chama A história de Deus', mas nós levantamos questões que são fundamentais a qualquer um, creia você n'Ele ou não. Exploramos esses tópicos de diferentes pontos de vista religiosos, então você não precisa compartilhlar essa crença para ter uma iluminação ou uma nova compreensão acerca do mundo”, afirma.

 

Outro dos temas preferidos de Freeman, a ciência não foi excluída da discussão, por mais contraditório que isso possa parecer. O apresentador serviu de cobaia em laboratórios científicos para examinar como o cérebro reage a manifestações religiosas. Entrevistou, entre monges, arqueólogos e padres, Martine Rothblatt, a executiva mais bem paga dos Estados Unidos. Além de criar sua própria religião, ela, que é transexual, concebeu um robô chamado BINA48, baseado nas memórias da própria mulher, em busca da imortalidade digital.

 

“Passei até por uma varredura cerebral para encontrar Deus na minha própria mente. Quando você reza ou medita, seu cérebro muda? A resposta é: sim”, afirma. “Acho que ciência e religião são muito compatíveis. Tivemos uma discussão maravilhosa no Vaticano sobre esse conceito e, não sei se você sabe, mas há 400 anos o próprio Vaticano estava promovendo estudos científicos. Eles estavam olhando para a astronomia e a cosmologia e chegando com respostas.

Foi o católico Galileu, aliás, que propôs que estávamos errados ao pensar que o Sol girava em torno da Terra, que não era o centro do universo.”

 

Para Freeman, o programa afasta outra suposta contradição. Em tempos de Estado Islâmico promovendo barbaridades mundo afora em nome da fé, as religiões se tornam, para ele, ainda mais importantes. “Acredito que a religião seja a cola que mantém a sociedade unida, em vez do contrário.” Ele, que já andou dizendo que, depois de Deus, gostaria de interpretar o demônio – "Acho que Deus e o diabo são um só, estão no mesmo corpo, depende de qual emerge", afirmou, em entrevistas anteriores –, conta ter imaginado como seria um encontro com o Todo Poderoso. “Se eu encontrasse o Deus em que acredito, provavelmente diria algo como 'e aí, cara, como vai?''. Acho que poderíamos falar em termos bastante familiares. E eu também gostaria de saber por que ele inventou o ser humano.”

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