Mexerico

Caetano e Gil fazem visita à Cisjordânia antes de show em Israel

Os artistas brasileiros foram a uma vila palestina a pedido da ONG que busca conscientização à situação vivida na região

Correio Braziliense

Um dia antes do show marcado para esta terça-feira em Tel Aviv, Israel, os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil visitaram a vila de Susyia, na Cisjordânia, como forma de apoio e conscientização à situação do povo palestino. A visita faz parte de um acordo entre os artistas brasileiros e a ONG Boycott, Divestment and Sanctions – BDS (em tradução livre, Boicote, Desinvestimento e Sanções) que tentou o cancelamento do show dos artistas brasileiros em Israel como forma de protesto à situação imposta à população palestina.


A apresentação fará parte da turnê que marca os 50 anos de carreira dos dois cantores que, por enquanto, tem confirmação de apresentações no Brasil, Estados Unidos e Europa. Após a divulgação, em abril, das datas de apresentação na Europa, os artistas receberam muitas cartas e pedidos para que Israel não fosse contemplada com a passagem da turnê em função da guerra contra a Palestina.

A ONG BDS criou um abaixo-assinado na internet solicitando o cancelamento do show, porém a campanha não conseguiu atingir a meta para que a solicitação fosse encaminhada a Caetano e Gil. Nomes importantes do cenário mundial também apoiaram o manifesto e fizeram pressão aos artistas. “Caros Gilberto e Caetano, os aprisionados e mortos estendem as mãos. Por favor, unam-se a nós cancelando seu show em Israel”, escreveu Roger Waters, ex-Pink Floyd, em carta direta.

”Estou escrevendo a vocês para impeli-los a não se apresentar em Israel enquanto continua sua ocupação e apartheid contra o povo palestino”, escreveu também o arcebispo sul-africano, Desmond Tutu, que é referenciado na música 'Oração pela África do Sul' de Gilberto Gil. Entretanto os pedidos não foram suficientes para que o show fosse cancelado, conforme Caetano Veloso respondeu em carta aberta a Roger Waters: “A complicada situação no Oriente Médio não me mostra o mesmo tipo de imagem preto-no-branco que o racismo oficial, aberto, da África do Sul me mostrava então. (...) Mas eu desistiria alegremente de tudo se estivesse seguro de que essa é a coisa certa a fazer. (...) Devo pensar por mim mesmo, cometer meus próprios erros. Eu te agradeço — e a muitos outros — pela atenção e o esforço dedicados a me esclarecer sobre a política naquela região. Sempre falarei a verdade de meus pensamentos e sentimentos, e se eu fosse cancelar esse show apenas para agradar pessoas que admiro, eu não seria livre para tomar minhas próprias decisões. Eu vou cantar em Israel e prestar atenção ao que está acontecendo lá.”