Mexerico

Vera Holtz encara guloseimas no papel de Dona Redonda em 'Saramandaia'

Atriz comemora gulodice da personagem: "vou pra casa feliz da vida"

Agência Estado

Personagem de Wilza Carla na versão original é uma das mais aguardadas para o remake de novela
Enquanto as colegas de trabalho do Projac levam marmita com salada para controlar a alimentação, Vera Holtz passa as horas de trabalho degustando iguarias. “Numa cena, eu estava comendo um doce de mocotó; quando enjoei, passei para o escondidinho. Depois, tinha jujuba e cupcake”, conta a atriz, que vai colocar goela abaixo uma incontável quantidade de doces na pele de Dona Redonda, personagem que promete roubar a cena no remake de Saramandaia, que estreia nesta segunda-feira (24), às 22h20, na Globo.


Com mais de 250kg na ficção, Dona Redonda tem despertado sentimentos ocultos na atriz. “Na vivência com o doce, você aciona o desejo pelo açúcar. Outro dia, mordi um sonho que ainda estou sonhando com ele”, confessa. Aos 60 anos, Vera garante que não anda muito preocupada com a balança e que não faz nenhuma restrição alimentar. “Quando a personagem invade, eu me permito. Percebi que estou mais voraz. E, você sabe, eu sou renascentista”, brinca, numa referência a pinturas que retratam mulheres com curvas avantajadas.

Nem quando faz hora extra, a paulista de Tatuí reclama. “Vou para casa feliz da vida. Pode haver coisa melhor do que fazer um sundae gigante e comer aquilo tudo sem culpa no trabalho?”, comemora. Ironicamente, a atriz, que não disse o quanto pesa, afirma ter perdido peso desde que entrou na produção. “Começo a comer menos quando gravo. E como coisas leves durante o processo”, entrega ela, que leva quatro horas para preparar o visual antes de entrar no estúdio.

Para aparecer gorda no vídeo, Vera coloca próteses no rosto, braço e perna, além de vestir um moderno equipamento que impede que ela sinta calor e transpire na pele de Dona Redonda. “É como um macacão que coloco. Ele tem umas mangueirinhas por onde passa água. Ele mede a temperatura e refrigera. Esse sistema eu coloco todo por baixo daquilo (roupa). É ciência pura”.

Por conta das próteses, ela não vai ao Projac todos os dias. “Tem de dar o repouso da pele, confeccionar novas próteses. E a prótese dura de seis a sete horas”, detalha. Sem conseguir definir como se sentiu ao se ver caracterizada, a atriz lembra que causou furor na primeira gravação. “Fiquei surpresa com a reação das pessoas. Elas davam risada. Eu me via através do olhar delas.”

Ela ainda não recebeu o roteiro da esperada cena da explosão de Dona Redonda, passagem que marcou a primeira versão da novela, exibida em 1976, mas já começou a preparação. “Fomos a Los Angeles, no Institute of Creative Technologies. Lá, eles têm scanner de rosto. É como uma bola, cheia de luz, em que várias maquinas fotografaram meu rosto para que a computação gráfica faça a sequência. Depois, passei num scanner de corpo. De biquininho”.

Além de comer em boa parte do tempo, Dona Redonda será atuante na política da cidade de Bole-Bole, onde o grupo conservador dos bolebolenses, ao qual ela pertence, disputa o poder com os progressistas saramandistas. “Ela é partidária, é o clube. Vai fazer um dossiê contra o Gibão (Sérgio Guizé). Ela não gosta dele, acha que é defeituoso, pois não sabe que ele tem asas.”