Engenharia na cozinha

por Lilian Monteiro 29/08/2011 11:13
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Rocambole de suspiro é um clássico do repertório culinário de Edouard (foto: /divulgação)
 
O interesse pela culinária vem de garoto. O caminho trilhado até alcançar fama de ótimo cozinheiro começou com os olhos atentos nos pratos preparados pela mãe, Margarida Machoi Misk, e pelo pai, Maurice Misk, e aflorou com o aprendizado ao lado da mulher, Vânia Barcellos Misk, que sempre amou cozinhar e deu aulas por 15 anos. Engenheiro de minas, formado na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Edouard Machoi Misk atuou na mineração a vida toda, mas nunca abandonou a paixão pela gastronomia: tanto o prazer de comer quanto o de fazer.

A grande responsável por esse hobby que chegou a ser concretizado na aventura de dois restaurantes (um em Belo Horizonte e outro em Tiradentes) foi Vânia, que se foi há sete anos e meio: “Ela cozinhava muito. A mãe dela detestava, então, assumiu a cozinha da casa aos 13 anos. Já casados, ela deslanchou quando fomos morar na Malásia e, com uma cozinheira chinesa, aprendeu a fazer comida asiática e europeia”. 

A relação de Edouard com a cozinha foi estimulada pelas aulas ministradas por Vânia. Era o apoio, fazia as apostilas e as compras. O despertar ocorreu nos 10 anos que a família morou em Portugal, onde desbravaram a culinária internacional e requintaram o paladar. Ele conta que tiveram a sorte de ser aceitos pela sociedade, bem fechada, de Covilhã (cidade na região Beira-Baixa, encostada na Serra da Estrela), e fizeram amizades verdadeiras, o que possibilitou a troca de receitas preciosas, segredos de família. Aliás, a grande notícia é que Edouard prepara um livro com 1.200 receitas dos amigos lusos, além de especialidades suas e de Vânia.

De volta ao Brasil, provocados por amigos, acabaram sócios do Restaurante Cozinha Antiga, na Rua Aimorés, na década de 1980. A casa servia comida internacional com foco nas iguarias portuguesas. Não deu certo. Ele conta que era trabalho demais, ingrato até. Os dois ficavam na batalha até as 3h da madrugada: “Uma fria danada, por dois anos. Se gosta de cozinhar, não abra restaurante. Não dá prazer”.

Os anos se passaram e, em 1998 quando Edouard deixou a mineração, o casal se mudou para Tiradentes. Lá, abriu o Casa Machoi na garagem de uma casa, um salão de 100 metros quadrados projetado pelo arquiteto Gustavo Dias: “Dessa vez foram seis anos só de alegria. Não abri para ganhar dinheiro, mas para me ocupar. Foi um dos poucos ‘três talheres’ da cidade. Era também de comida internacional, com destaque para bacalhau, coelho e carnes sofisticadas como o New York Stake, bife de contrafilé”. Ele conta que foi a fase em que se especializou em logística, era quase zero de desperdício no restaurante, perdiam apenas alguns tomates e laranjas. Na época, o casal ia para a cozinha e fazia de tudo, sendo Edouard mais ligado aos pratos com peixe: aí, falou mais alto a raiz carioca.

Edouard lembra ainda que na temporada de Tiradentes, Vânia teve outro restaurante: o Chez Vânia, onde ele assumia a cozinha aos domingos, quando ela se tornava cliente: “Nossos últimos 15 anos foram de uma parceria incrível. Curtíamos a cozinha e deixamos de ir a restaurantes. Quando combinávamos de jantar fora, colocávamos a mesa na varanda. Chegamos a fazer um concurso entre nós. Decidíamos o prato, cada um fazia o seu e dávamos nota. Aliás, as melhores vão estar no livro”.

Com experiência de sobra, Edouard conta que nunca foi disciplinado na cozinha. Faz o que “a boca pede”. Desde sempre foi “rato” de supermercado e sacolão. Para ele, sabe cozinhar aquele que tem a capacidade de servir um ótimo almoço com os ingredientes que encontra na geladeira, com o que tem à mão. Como gosta de comer e fazer de tudo, hoje em dia, aposentado, além de sair para dançar, cozinha para convidados privilegiados: “O melhor papo é em torno da mesa”. Baseado em suas andanças ao redor do mundo, Edouard diz que a cozinha mudou muito, mas aponta duas escolas que o deixam fascinado: a chinesa, pela variedade e sabor, e a clássica francesa, pela sofisticação. Sábio, reitera o ditado de que é preciso amor para cozinhar, “é indispensável”. Mas exige “boca”, ou seja, paladar desenvolvido, além do uso de artigos de primeira qualidade e, especialmente, “capricho”.

Agora, além de Edouard é Vera, a caçula dos quatros filhos (Regina, Elizabeth e Ana Cristina) que divide com o pai o interesse pela arte da cozinha. Tanto que abriu a Misk – Produtos bem Temperados, que conta com a assessoria preciosa de Edouard na criação de aperitivos, entradas e congelados com venda particular (veramisk@hotmail.com). Há mix de sementes, cebola caramelizada, berinjela em vinagrete, canelone de atum e muito mais, num cardápio selecionado e saboroso. Festejado pelo carpaccio de carne, cujo segredo é o molho inglês feito em casa, com oito temperos e três dias de preparo. 
 
Rocambole de suspiro 
 
Ingredientes 
5 claras; 250g de açúcar; 100g de castanha-de-caju 
triturada; 1 pitada de sal; 300ml de 
creme de leite e 200g de frutas

Modo de fazer
Preaqueça o forno a 170 graus. Cubra uma assadeira 
grande com papel-manteiga. Bata as claras até começarem a ficar encorpadas. Aos poucos, vá adicionando o açúcar e bata mais um pouco. Acrescente a castanha-de-caju e misture levemente com uma espátula. Espalhe a mistura na assadeira e leve ao forno por uns 15 minutos. Espere esfriar. Bata o creme de leite (chantilly) e pique as frutas. Ponha um pedaço de papel-manteiga sobre a mesa e vire o rocambole em cima. Retire o papel de cima, espalhe o creme chantilly e salpique com as frutas. Enrole com a ajuda do papel-manteiga, sendo que a última virada será feita em cima de umaa bandeja.  

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