Festivais de caldos atraem clientes nas baixas temperaturas em casas tradicionais da capital

por Mariana Peixoto 22/07/2011 07:00
Pedro David/Esp. EM/D.a Press
Caldos tradicionais e novos são servidos em casas como o Néctar da Serra, de Junia Quick (foto: Pedro David/Esp. EM/D.a Press)

Há quem os tome independentemente do clima. No entanto, não há como negar que, num país tropical, com temperatura geralmente nas alturas, caldos, cremes e consomês ganham destaque durante o inverno (ainda que este seja breve e modesto). Vários restaurantes, bares, padarias e cafés, de maio a agosto, costumam oferecer algumas opções do gênero. De maneira geral, o que se encontra são os mais tradicionais, como feijão e mandioca. Há também lugares que apostam pesado no segmento, preparando cardápios diferenciados justamente para essa época do ano.

“O pessoal adora, tanto que antes mesmo de começar a temporada começam a perguntar quando será. Virou uma espécie de tradição”, afirma Júnia Quick, do Néctar da Serra. Este é o sexto ano que o espaço, com loja na Savassi e no Mangabeiras, promove seu festival de caldos. “As pessoas gostam mesmo é dos tradicionais, mas, a cada ano, procuramos introduzir uma novidade ou outra”, acrescenta.

Marcos Michelin/EM/D.A Press
É de lei no Emporium: o restaurante oferece até 15 opções de caldos (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)

Diariamente, o Néctar monta, a partir das 18h, um bufê de caldos. São 20 opções, entre salgados e doces. Entre eles há os fixos – como feijão carioca e feijão preto; canjiquinha; canja de galinha; mandioca com carne; aspargo, palmito – e os variáveis – moranga com camarão; espinafre; brócolis; legumes; cará - além dos doces, que são três: canjiquinha; mingau de milho verde; e arroz doce. Como a variedade é grande, Júnia lembra que muita gente prefere misturar, experimentando de tudo um pouco.

Casa especializada em saladas, o Néctar, fundado há 18 anos, sempre viu a demanda por elas cair nessa época do ano. “Durante o dia, as saladas continuam saindo, mas à noite o público sempre prefere as coisas mais quentinhas”, continua Júnia. No bufê ainda há espaço para vários complementos, de salsinhas e cebolinhas a cubos de bacon e pimenta-biquinho. Quarenta por cento dos caldos são vegetarianos.

Casa cheia
Já o festival de caldos do Café Santa Sophia está chegando à quarta edição. A noite é resumida às quartas-feiras, sempre com casa cheia. “Por mim, haveria sopa o ano inteiro”, afirma a proprietária, Magda Dias Leite. Mas, segundo ela, quem administra tudo é o tempo. A ideia é manter o festival até meados de agosto. Se, por acaso, o frio persistir, a noite também continua. “É o Climatempo que define”, brinca.

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Sopas de tomate, de cebola e de mandioca com camarão ao forno do Café Santa Sophia (foto: Pedro David/Esp. EM/D.A Press)

A cada quarta-feira são oferecidos, também em sistema de bufê, cinco tipos de caldos. Mas não há nada fixo. “É um cardápio anárquico, no bom sentido. Servimos o que está prevalecendo no dia. Se, por exemplo, compro um camarão maravilhoso, posso servir um consomê do mar. Então, é tudo muito livre”, acrescenta. Entre as opções já servidas neste inverno estão canja de bacalhau, sopa alemã de batata e bratwurst (linguiça assada), creme de cogumelo, de mandioquinha com mel e leite de coco. “Procuramos sempre dar um toque gourmet”, diz Magda.

Mesmo com as variações, ela mantém, semanalmente, duas opções fixas: sopa francesa de cebola e creme de tomate. Entre os complementos estão cesta de pães, torradas, crouton e bacon frito. Quando o inverno for embora, vale lembrar que os viúvos do festival poderão continuar tomando sopa. No cardápio regular do Santa Sophia há sempre uma sugestão de creme, que varia também a cada dia.

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Caldo de batata baroa, uma das opções do cardápio do Néctar da Serra (foto: Pedro David/Esp. EM/D.A Press)

Casa colonial
Entre as opções de casas, não há quem bata em longevidade o Emporium. O restaurante no Mangabeiras que remete ao casario colonial completa este ano sua 17ª edição do festival de caldos (o espaço foi inaugurado há duas décadas). Todas as noites, entre maio e agosto, são oferecidas 15 opções. Os sabores seguem o perfil da casa, não há como ser diferente: mandioca, feijão carioca, feijão preto, dobradinha, mocotó, couve, verde e abóbora, entre outros.

Há ainda dois que levam nomes próprios: Dona Lourdinha (espinafre e carne moída, em homenagem à mãe do cliente que passou a receita) e João Diniz (abobrinha, creme de leite e frango, nome de um antigo sócio do restaurante). “Os caldos de feijão e mandioca continuam sendo os campeões de venda. Mas com as opções, o pessoal acaba misturando muito”, conta o proprietário, Roberto Pessoa. Os complementos são quase uma outra refeição, já que não faltam torresmo e ovo de codorna.

Onde ir
Café Santa Sophia

Rua Bárbara Heliodora, 59, Lourdes, (31) 3292-4237
O Festival de Caldos é promovido às quartas, das 19h30 às 22h30. Até a segunda quinzena de agosto. A cada noite são servidos cinco caldos. Valor: R$ 25 (bufê livre).

Emporium Armazém Mineiro
Avenida Afonso Pena, 4.034, Mangabeiras, (31) 3281-1277.
O Festival de Caldos é promovido de terça a sábado, a partir das 18h. Até 31 de agosto. São servidos 15 tipos de caldos. Valor: R$ 6,50 (por caldo).

Néctar da Serra
Avenida Bandeirantes, 1.839, Mangabeiras, (31) 3281-1466 e Rua Santa Rita Durão, 929, Savassi, (31) 3261-2969.

O Festival de Caldos é promovido diariamente, a partir das 18h. Até a segunda quinzena de agosto. São servidos 20 tipos de caldos. Valor: R$ 23 (o quilo).

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