Cardápio farto

Mes Amis não serve comida andorrana, mas o chef não esconde referências de sua terra

por Eduardo Tristão Girão 08/07/2011 07:00
Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press
Chef Eric Marty, que comanda a cozinha do Mes Amis, veio em 2007 de Andorra para o Brasil (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press)

Embora seja fácil imaginar, não é tarefa das mais simples encontrar referências sobre a culinária de Andorra, minúsculo país europeu encravado nos Pirineus, entre Espanha e França e quase 50 vezes menor do que Sergipe. É de lá que veio o chef Eric Marty, que responde pela cozinha do recém-inaugurado restaurante Mes Amis, em Lourdes. Não que ele apresente cardápio autenticamente andorrano na nova casa, mas não foge das referências pessoais e profissionais que trouxe do país, onde morou até 2007, ano em que veio para Brasil.

“A cozinha andorrana é de montanha catalã. Éramos um país muito pobre, então nos acostumamos a usar produtos da terra, como batata, cebola, carnes de caça e cogumelos selvagens. Pratos fortes para suportar o inverno. Hoje o país é muito rico e virou destino turístico, mas esses traços foram mantidos, fazem parte da tradição. Temos grande influência espanhola e francesa, além do clima mediterrâneo. Aqui no restaurante, por exemplo, tenho pratos à base de cogumelos e conheço técnicas diferentes de prepará-los que não são muito conhecidas fora de Andorra”, sintetiza Eric.

O chef saiu do país natal para se casar com uma paulista e foi morar em Florianópolis (SC), onde ele abriria um restaurante. Não deu certo e, na época, foi chamado para trabalhar no Cantaloup, em São Paulo, onde ficou por dois anos. Trabalhou com os uruguaios Jorge Rattner e Motta (Splendido, A Favorita e La Victoria) em evento da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança. Tornaram-se amigos e surgiu a chance de mudar-se da capital paulistana, para ele “estressante”: assumiu, no início do ano passado, a cozinha do A Favorita, cargo que entregou em fevereiro.

Opções variadas
O imóvel escolhido pelos sócios no negócio foi uma casa na contraesquina do The Art from Mars, anteriormente ocupada por uma loja de roupas no térreo e uma lanchonte em cima. A grande reforma deu origem a salão inferior mais despojado, com mesas de madeira de demolição e atendido por bar, ao lado de adega climatizada para 1.100 garrafas. Subindo as escadas amarelas, chega-se ao salão principal, com clima mais formal, toalhas brancas nas mesas e janelões que dão efeito avarandado ao ambiente.

O cardápio é enorme, contando até com sanduíches. Entre as entradas, destaque para duas feitas com carne de pato: escondidinho com purê de baroa (R$ 32) e carpaccio com cogumelos e lascas de foie gras (R$ 30). Há seção de pratos clássicos, representados por cassoulet (R$ 52), coq au vin (R$ 48), bouef bourguignon (R$ 42) e navarin de cordeiro (R$ 56), todos individuais. As criações do chef, que divide a cozinha com o colega Ronaldo “Xuxa” Afonso, contemplam pedidas como risoto de hadoque defumado com ovo mole e ninho de alho poró (R$ 58).

Entre as 10 sobremesas, foge ao esperado apenas o suflê frio de limão siciliano com pistache (R$ 19). A carta de vinhos conta com 350 rótulos (entre R$ 42 e R$ 905), incluindo volumosa seção de vinhos de sobremesa, sendo nove opções de porto em taça, duas de xerez e outras duas grapa, além de 11 rótulos do gênero em garrafa. De segunda a sexta-feira, a casa trabalha com cardápio semanalmente renovado de almoço em três etapas (R$ 42, individual).

Mes Amis
Rua Rio de Janeiro, 1.973, Lourdes. (31) 2526-4888. Aberto de segunda a quarta, das 12h à 0h; qui. a sáb., das 12h à 1h; domingo, das 12h às 16h.

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