Adeptos da quaresma entram na onda dos restaurantes naturais, vegetarianos, de peixes e de massas

por Ailton Magioli 11/03/2011 07:00
Fotos: Pedro David/ESP. EM/D.A PRESS
Américo Piacenza, da Cantina Piacenza, serve talharim de calabresa com frutos do mar, leite de coco e crocante de poró (foto: Fotos: Pedro David/ESP. EM/D.A PRESS )
A quaresma é boa oportunidade para quem pretende fugir da tentação da carne. Que o diga o restaurante vegetariano Alegria de Comer Bem, dos irmãos Diana e Heitor Gomide, cujo batismo por si só já faz o diferencial, com o convite ao bem-estar à mesa. Sob comando da chef Ana Paula Salera, a casa do Bairro Santo Antônio oferece cardápio para os adeptos (ou não) da cozinha vegana, atraindo a atenção dos que se mostram dispostos a cumprir o sacrifício da tradição cristã. Restaurantes especializados em cozinha natural, massas e peixes também se tornam boa opção para essa época do ano.

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“O mineiro mais tradicional quer torresmo e filé, mas, no geral, as pessoas têm se mostrado abertas aos experimentos gastronômicos”, afirma Diana Gomide. Criada em família vegetariana, ela resolveu levar esse hábito para a sociedade. “A ideia é pegar pratos conhecidos e adequá-los à nossa proposta”, revela a restaurateur, oportunamente graduada em nutrição. Com a ajuda da chef Ana Paula, ela cria pratos individuais que, aos poucos, vão caindo no gosto da clientela. É o caso do risoto negro , à base de arroz mais nutritivo e proteico que o integral. O uso de cogumelo e legumes para completá-lo garante mais proteínas, vitaminas e minerais à mesa.
 
A panqueca tailandesa , com legumes e cogumelos apimentados, servida com arroz jasmim, é outro hit da casa, assim como pratos à base de soja – eles fazem a clientela duvidar de sua origem, tamanho o prazer de degustar o hambúrguer  e o bolinho à base do grão, servidos nas opções vegana (sem ovo e queijo) e vegetariana (com ovo e queijo). O curioso, conta a chef Ana Paula Salera, é que a maioria dos frequentadores do Alegria de Comer Bem não é adepta da cozinha vegetariana. “Eles vêm para conhecer”, garante. A chef já recebeu pedidos de pratos à base de carne, mas eles não são oferecidos pelo restaurante.
“Recebemos gente de todas as faixas etárias, mas a maioria tem de 30 a 50 anos”, constata Diana Gomide, destacando a presença feminina, que bate recorde. “Se vem o casal, na maioria das vezes é produto da influência da mulher”, repara ela. A casa também trabalha com extensa carta de sucos naturais – entre os mais pedidos está o de limão, inhame e trigo germinado . No cardápio destaca-se ainda o minirrocambole de soja  recheado com creme de tomate seco, acompanhado de museline de mandioca e crocante de mandioca e molho de cogumelo shimeji. “Além de mais saudável, a cozinha vegetariana abre um leque maior de experimentações”, garante a restaurateur.
 
Pedro David /Esp. EM
Risoto negro do Restaurante Alegria de Comer Bem, boa alternativa para quem quer evitar carne (foto: Pedro David /Esp. EM)
 
Italianos da gema 
 
Segredo de geração para geração, a massa caseira da Cantina Piacenza conquista adeptos, em especial as recheadas (ravioli, tortelli e capelete, entre outras). Para a quaresma, o chef Américo Piacenza sugere talharim de calabresa com frutos do mar, leite de coco e crocante de poró (R$ 49, individual). Foi testando vários tipos de massa que ele chegou a esse macarrão, feito à base de ovos e farinha misturados à pimenta-calabresa.

“Trata-se de massa aromatizada naturalmente”, explica o chef. Para compensar a falta de untuosidade, ele encontrou nos frutos do mar o ingrediente que faltava para o sucesso da receita – que Piacenza gosta de comparar ao talharim ao alho e óleo. Antes de chegar ao leite de coco, que acredita ter dado um toque tailandês ao prato, Américo experimentou molho branco e creme de leite. 

Criado em ambiente voltado para as massas caseiras, com o passar dos anos o chef Américo Piacenza passou a colecionar técnicas diferentes para criar seus pratos. Valeram-lhe a herança italiana e os dois anos de estágio em um bar flutuante no Rio Sena, de Paris. A cozinha mineira também forneceu subsídios.

Além das massas recheadas com linguiça, cogumelos e abóbora com amêndoas, pratos como o cordeiro com molho rosti e raspa de limão fazem sucesso no cardápio do chef. “As entradas têm muito do regionalismo mineiro”, destaca Américo. A Cantina Piacenza oferece costelinha defumada com molho de rapadura, além de ragu de carne de sol com requeijão e crocante de couve. Para casar tudo isso, há boa carta de vinhos com cerca de 60 rótulos, cuja média de preços vai de R$ 60 a R$ 80.

Américo Piacenza afirma que, apesar de pratos à base de bacalhau predominarem na quaresma e na semana santa, ele não sabe definir até que ponto o hábito de comer peixe significa sacrifício. E arrisca um palpite: “Acho que é mais pela novidade do que pela religiosidade”. 
 
• Onde comer

ALEGRIA DE COMER BEM
Rua Congonhas, 510, Santo Antônio. Aberto de terça a quinta-feira, das 18h à meia-noite. Sexta e sábado, das 12h à meia-noite. Domingo, das 12h às 16h. O funcionamento nos feriados é informado no site www.alegriadecomerbem.com.br. Capacidade: 70 pessoas. Informações e reservas: (31) 2511-4168.

CANTINA PIACENZA
Rua Aimorés, 2.422, Santo Agostinho. Terça-feira a sábado, das 11h30 às 15h e das 17h à meia-noite. Feriados, das 19h à meia-noite. A casa não abre aos domingos. Informações e reservas: 
(31) 2515-6092. 
 

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