Festival de Tiradentes mostra sabores do mundo

Frio na cidade histórica aumenta a temperatura do evento e promove a fusão criativa de ingredientes e temperos, este ano na mão de mulheres que dão o toque internacional

por Eduardo Tristão Girão 22/08/2010 09:55
Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press
Comer e beber são ótimos motivos para reunir convidados à mesa num festim promovido na Pousada Tiradentes (foto: Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press)
Quem veio conferir a 13ª edição do Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes, que começou no dia 20 de agosto e vai até o dia 29, enfrentou uma das noites mais frias dos últimos anos na cidade histórica mineira nessa época do ano. Se a baixa temperatura desencorajou a permanência ao ar livre, o mesmo não pode ser dito dos restaurantes e pousadas integrantes da programação (almoços, jantares, cursos, shows e eventos culturais), que ficaram cheios de visitantes de vários cantos do país. Veja mais imagens do Festival de Tiradentes Entre eles estava o casal Christine Recch e Carlos Augusto Veloso, de Brasília (DF), que frequenta o festival há nada menos do que oito anos e conferiu o festim da chef holandesa Margot Janse (Le Quartier Français, em Franschhoek, na África do Sul) na sexta. Mais do que comer e beber bem, eles têm motivos profissionais para não perder o evento, pois são chefs e proprietários do restaurante Le Jardin du Golf, na capital federal. “Escolhemos esse festim por causa da origem curiosa da Margot e vamos também ao da chef Rougui Dia, pois já estivemos no restaurante em que ela trabalha, o Petrossian, em Paris. Sempre tiramos ideias dos festins. Aliás, jantamos destrinchando os pratos e comentando. É muito importante para nós”, conta Christine. Ela e o marido gostam de chegar dias antes a Tiradentes para conhecer também os restaurantes da cidade – são fãs do Theatro da Vila e do Tragaluz. Leia também: Papel da mulher na cozinha em debate no Festival de Tiradentes Rougui Dia, chef francesa de ascendência senegalesa, responde pela cozinha do restaurante que é considerado um verdadeiro templo do caviar, o Petrossian, e mostrou seu talento ontem à noite em festim apresentado pelo Estado de Minas. O outro festim de ontem foi comandado pela chef inglesa Angela Hartnett, que comanda os restaurantes York & Albany e Murano, em Londres, ambos pertencentes ao conterrâneo Gordon Ramsay, chef que se tornou conhecido no Brasil pela série de TV Hell’s Kitchen. Mocinha Entre os eventos que mais atraíram a atenção do público, ontem, esteve a mesa redonda mediada pelo jornalista Josimar Melo sobre a presença feminina no universo da gastronomia, que teve a presença de Danusia Barbara, Margot Janse, Helena Rizzo, Mari Hirata, Deise Novakoski e Cilene Saorin, entre outras mulheres de destaque no cenário gastronômico. “Homens se xingam e logo depois está tudo resolvido. Já as mulheres, ficam chateadas umas com as outras por anos. Em restaurante não há como ficar um mês com mágoa de colega. Não sou e nem serei a mocinha que eu poderia ter sido 30 anos atrás”, confessa Deise, que é sommeliére do restaurante Eça no Rio de Janeiro. Apesar de cada uma ter um ponto de vista diferente, todas colocaram as noções de delicadeza e fragilidade (frequentemente associadas às mulheres) em xeque. Viajando por Minas há alguns dias, as amigas Luciane Alves e Maria Eufêmia Baldan, que vieram do Paraná e de São Paulo, respectivamente, chegaram a Tiradentes na sexta-feira e planejaram o roteiro para estar na cidade histórica mineira durante o festival. “Achei o evento organizado e reparei que as pessoas vieram para cá realmente por causa dele”, diz Maria Eufêmia. “A culinária daqui é perfeita e o povo é educadíssimo”, afirma Luciane. No entanto, ambas criticaram a limpeza da cidade e sentiram falta de informações mais completas para turistas que a visitam. Também atraiu a atenção dos visitantes o lançamento do livro de receitas da Dom, uma organização da sociedade civil de interesse público (oscip) belo-horizontina cujo foco está na capacitação e inclusão . “É muito importante termos desenvolvimento humano e não só capacitação técnica. No caso de um garçom, por exemplo, não basta ensiná-lo a carregar bandeja. Isso não muda nada”, garante Claudia Ferraz, uma das fundadoras e diretora de projetos da entidade. Nicia Braga, ceramista que recentemente trocou Belo Horizonte por Tiradentes para abrir com a irmã uma casa de massas, caldos e crepes, elogia a iniciativa da oscip em função das dificuldades que enfrenta com mão de obra no local: “Como ela é escassa, a rotatividade é alta e legislação trabalhista torna o negócio muito caro. Deveria haver uma legislação específica para cidades turísticas”. O repórter viajou a convite da organização do evento

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