Tip Top comemora 80 anos com festa este sábado

28/08/2009 07:00
Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press
Frango à passarinho ao alho, tira-gosto que já se tornou tradição do Tip Top (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
Um dos ícones da boemia belo-horizontina, o bar Tip Top comemora este mês 80 anos. Muito mais do que um lugar para tomar chope e comer salsichão, a casa é hoje verdadeiro patrimônio, reunindo casos, fotos, funcionários, frequentadores e, é claro, receitas que ajudam a contar a história da cidade. Afinal, se Belo Horizonte é só uma adolescente perto de outras capitais mais velhas, o bar é um garoto: são apenas 22 anos de diferença. Para celebrar, o sociólogo Osias Neves lançou livro sobre o Tip Top, semana passada, e, amanhã, o quarteirão onde está a casa será fechado para receber atrações musicais e cênicas variadas e atividades infantis. Tudo com entrada franca.

Aberto em 1929 pelo casal Paula e Adolfo Huven (ela veio da República Tcheca; ele, da Romênia), o Tip Top começou como misto de bar e delicatessen, na Rua Espírito Santo, quase esquina com Avenida Afonso Pena. Administrado pela própria família, o bar logo conquistou freguesia com receitas que Paula trouxe da terra natal (sanduíches, embutidos, pratos com carne de porco, salada de batata), chope gelado e refresco gaseificado produzido numa engenhoca criada pelo próprio Adolfo, especialista em todo tipo de máquinas. Com o tempo, a casa se tornou não apenas reduto de apreciadores de pratos germânicos e chope gelado, mas um dos bares mais tradicionais da cidade.

Numa cidade como Belo Horizonte – com tanto abre e fecha de bares e restaurantes –, como chegar às oito décadas de funcionamento? “Em primeiro lugar, a casa está bem graças a Dona Paula. Ela abriu o Tip Top com o marido quando a cidade estava começando e eles sabiam que, por isso, haveria boas oportunidades de trabalho. Ela tinha conhecimento de comida alemã e, por isso, abriu o bar. Trouxe comidas diferentes para aquela época. Lembro-me da maravilha que era o sanduíche de pão preto”, responde Teresa Recoder, que comanda a casa desde 1984.

A mudança da Rua Espírito Santo para a Rio de Janeiro foi em 1971, época em que Paula já contava com a ajuda dos filhos no negócio, pois o marido morreu em 1950. Em 1979, com a morte dela, um deles, Harry, assumiu a direção do Tip Top. Cinco anos mais tarde, a casa encerrou as atividades, mas por pouco tempo: meses depois foi comprada por Teresa e o marido, Luiz Otávio Gonçalves. Foi incorporada à rede de restaurantes Alpino, que chegou a ser formada por 16 casas na capital mineira. O objetivo era usá-la para divulgar e vender bebidas da empresa Refrigerantes Minas Gerais.

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Kassler com salada de batata, uma das opções do cardápio (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
“Pela sua tradição, nome e importância para a cidade, resolvemos continuar com o bar, mesmo já tendo alcançado nos objetivos com as bebidas”, afirma Teresa. Assim foi feito e o bar continuou sua caminhada como um dos mais antigos da cidade. “Passou por momentos críticos da história nacional, como a ditadura, mas ficou fora disso, talvez pela sua característica bem familiar. Hoje, representa uma tradição da cidade, preserva o mesmo clima e a mesma comida de uma época que já passou”, analisa Osias Neves, autor de Tip Top: 80 anos (Escritório de Histórias).

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CONSULTÓRIO PSICOLÓGICO

Com o tempo as especialidades europeias passaram a dividir o cardápio com tira-gostos locais. Hoje, além de kassler (R$ 32), joelho de porco (R$ 31), goulash (R$ 26), salsichões variados e spätzle (massa típica da Europa Central), é possível encontrar alcatra de sol com mandioca frita (R$ 24), frango à passarinho ao alho (R$ 22), pastel de angu (R$ 11, seis unidades) e linguiça acebolada (R$ 13,50; feita por funcionário da casa). Até pratos variados estão disponíveis, como estrogonofe com arroz e batata sauté (R$ 26, individual) e mexido à base de carne de sol e feijão de corda (R$ 25, para duas pessoas).

Mesmo, assim, são as receitas que Paula trouxe de seu país natal o maior atrativo gastronômico da casa. Exemplos disso são a salada de batata que acompanha vários pratos, o “almoço camponês” (frios sortidos picados, envolvidos com ovo e cebola e guarnecidos com batata e salada; R$ 32, individual) e o zegedinergulash (arroz cremoso com carne cozida, creme de leite e chucrute, servido com batatas e tiras de bacon; R$ 28, individual). O rosbife de contrafilé (R$ 28) também é herança dela.

No preparo e serviço de todos esses pratos e, é claro, do chope gelado (R$ 3,80, 300ml), está uma equipe consolidada. A maioria dos funcionários está há pelo menos 15 anos na casa. “Os garçons conhecem 90% dos clientes. Aqui é uma espécie de consultório psicológico. Eles ouvem os fregueses, conversam com eles, sabem do que gostam. Essa turma mais antiga dá confiança e fideliza os clientes”, diz Teresa. O garçom Geraldinho, por exemplo, é o mais antigo do lugar: está lá há 25 anos. “Lá a gente se considera uma família. Trabalhamos um para o outro. O que não pode é o cliente ficar mal atendido”, diz ele.

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Teresa Recoder comanda a casa desde 1984 (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
NA RUA

Sábado, a partir das 12h, o quarteirão do bar, entre a Avenida Bias Fortes e a Rua Gonçalves Dias, será fechado para festejar o aniversário da casa. Entre as atrações, DJ Rebequinha (bossa nova, MPB e samba rock; 12h, 15h30 e 18h30), Thiago Delegado e Banda (14h), Dona Jandira e banda (16h30) e Zé da Guiomar (19h30), além de Realejo (performance cênica; 13h), Trupe Circo (15h30) e atividades variadas para crianças (oficinas, cama elástica e algodão doce).

FESTA DE 80 ANOS DO TIP TOP
Shows, performance de realejo, apresentação circense e atividades para crianças. Sábado, a partir de 12h, no quarteirão da Rua Rio de Janeiro entre Avenida Bias Fortes e Rua Gonçalves Dias. Entrada franca.

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