Ângela Coutinho e Thais Brasil transformam fábrica de molhos em bistrô

24/07/2009 07:00
Fotos: Pedro David/EM/D.A Press
Nhoque à bolonhesa e risoto de curry com tiras de frango, pratos servidos no Primeli (foto: Fotos: Pedro David/EM/D.A Press)

Por vezes, a crescente sofisticação e diversificação da gastronomia gera reações inversas. Em outras palavras: não raro bares e restaurantes abrem as portas com a proposta de descomplicar. Preços mais baixos, cerveja de garrafa, receitas caseiras e por aí vai. Exemplo disso é o restaurante Primeli, especializado em massas e inaugurado recentemente no Bairro Horto. A propósito, a região e seus arredores têm curiosa (e relativamente expressiva) concentração de casas italianas: Provincia di Salerno, Mi Luccia, Via Destra, Pipinella e Osteria Mattiazzi, para ficar nas mais conhecidas.

O nome, que sugere origem italiana, na verdade é junção de sílabas da expressão “primeira linha”. Foi justamente por acreditar na qualidade do que vinham fazendo que a terapeuta ocupacional Ângela Coutinho e a percussionista Thais Brasil, sócias de pequena fábrica de molhos, decidiram canalizar parte da produção para um restaurante próprio. Em dois meses de reforma, transformaram uma antiga casa onde funcionava uma lavanderia: decorado com simplicidade, o ambiente abriga não mais do que 10 mesas.

“Nossa proposta é oferecer boa comida, sem preocupação com requinte no cardápio. Temos pudor em falar sobre cozinha italiana, pois não somos uma casa dessa especialidade. Essa coisa foi puxada pelos nossos molhos e pelo fato de adorarmos massas”, observa Ângela, responsável por coordenar o atendimento da casa. Quem comanda a cozinha é Thais, que entre 1989 e 2005 integrou o grupo de samba Tatamatê e cozinha desde os 10 anos. Seu aprendizado foi informal, longe das escolas e cursos de culinária.

A ideia do restaurante surgiu com a boa aceitação dos 10 tipos de molhos produzidos por elas (quatro queijos, madeira, sugo, funghi, shitake, linguiça calabresa e bolonhesa, entre outros) e vendidos para padarias, delicatessens, bufês e pousadas. “Percebemos que não precisávamos ficar insistindo na divulgação dos produtos e poderíamos colocar a cara na rua, num lugar em que a gente pudesse continuar fazendo os molhos e recebendo pessoas”, conta Ângela. Além de jantar, o freguês pode levar os molhos e massas congelados para casa.

A capacidade de atendimento e a localização sempre foram certezas para as duas. “Algumas pessoas falam sobre termos poucas mesas, mas acreditamos e queremos isso, para poder continuar fazendo as coisas do jeito que acreditamos”, afirma. “E não queríamos que fosse na zona Sul, onde já existe um perfil determinado pela região, um padrão”, completa. A maioria dos fregueses vem de bairros vizinhos ao restaurante, mas “estrangeiros” já começaram a chegar, vindos do Luxemburgo e Sion.

CERVEJA DE GARRAFA

Saladas, antepastos e e consumês abrem o enxuto cardápio, que conta com algumas receitas de família. Entre as “pérolas” caseiras está o coquille Primeli (R$ 6), adaptação da clássica receita de vieiras gratinadas chamada coquille saint-jacques, pela ótica da família de Thais: saem as vieiras (geralmente muito caras) e entram linguado, camarão e carne de siri. Já o consumê de queijo (R$ 4) é receita da mãe de Ângela. Há também tábua de queijos (R$ 18), salada (R$ 9) e conserva de atum feita na casa (R$ 12).

Na seção de massas, escolhe-se o formato (espaguete, talharim e penne; industrializados) e o molho, que vai do sugo (R$ 12, individual) ao funghi (R$ 24, individual), passando pelo clássico bolonhesa (R$ 17). Além dos molhos, a cozinha prepara nhoques de batata. Ainda entre os pratos principais, há massas gratinadas (caneloni e rondelli; entre R$ 23 e R$ 26) e risotos (de funghi com filé mignon, R$ 32; e de curry com tiras de frango, R$ 29; ambos individuais).

Raridade em muitos restaurantes, a cerveja de garrafa (entre R$ 3,50 e R$ 4,50) está presente no cardápio, rompendo a hegemonia das long necks. Por fim, nenhum café expresso foi vendido até hoje. O motivo: o café (R$ 3) coado à mesa, na hora, em charmosos suportes individuais. Carta de vinhos com 22 rótulos (entre R$ 26 e R$ 172, garrafa; a maioria não passa de R$ 50, em função da margem de lucro reduzida).

PRIMELI
Rua Alabastro, 49, Horto, (31) 3421-3008. Aberto de quarta a sábado, das 18h às 23h.

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