Uzina Bar Restaurante & Lounge investe em música e arte

22/05/2009 07:00
Pedro David/Esp. EM/D.A Press
O Uzina tem pufes no lounge e mesas para quem está a fim de um restaurante (foto: Pedro David/Esp. EM/D.A Press)

Não basta ser um lugar bacana, tem que ter uma programação à altura. É isso que o Uzina Bar Restaurante & Lounge está fazendo. Inaugurado em agosto de 2008 num antigo galpão de uma fábrica de sapatos no Sion, o espaço agora investe em música e arte. Pista de dança propriamente não há, mas a seleção é de primeira. Nas quartas, o clima é mais calmo, com um misto de hip hop e jazz. As quintas são mais variadas – já houve algumas noites dedicadas ao vinil. Nas sextas, é a velha-guarda jamaicana quem dá o tom. Reggae mesmo é pouca coisa; a opção é para o rocksteady, calipso e outras vertentes. Já no sábado é noite de rock. Porém, nada muito óbvio, que fica bem claro.

“A ideia é aproveitar o máximo de espaço possível”, conta Fael Avelar, que desde que deixou a Mary in Hell, está responsável pela programação. Por isso, o abertura de uma área para exposição. Amanhã será inaugurada a mostra Heróis do Brasil, do artista paulistano Ricardo Tatoo, que desde o ano passado vem se dividindo entre BH e São Paulo. São 12 telas e lambe-lambes que reproduzem os desenhos do grafiteiro. O que Tatoo fez foi dar uma versão bem brasileira para os clássicos super-heróis. “Somos obrigados a engolir os heróis americanos. Pois para mim a Mulher Maravilha é a Irmã Dulce, o Super Homem, o Chico Xavier e o Homem de Ferro, o Betinho”, afirma ele a respeito de alguns dos desenhos da exposição.

Tatoo chegou a essa série depois de anos trabalhando em coisas bem diferentes. Aos 37 anos, ele soma pelo menos 20 dedicados ao grafite. Ainda garoto, começou a pesquisar o grafite das ruas de São Paulo. “O norte-americano é de mão livre, ligado à cultura negra. Já o grafite europeu nasceu na classe operária e usava moldes.” Esse último, o chamado grafite stencil, foi o que chegou mais rapidamente ao Brasil. Uma vez envolvido no meio, Tatoo cursou faculdade de desenho industrial e não demorou a chegar no mercado. Fez animação para a Globo (tanto novelas quanto programa da Xuxa), desenho para a Disney, Rede Cultura até aportar no meio da moda (foi diretor de arte de marcas como a Cavalera).

“Só que nesse trabalho com grandes marcas e empresas, você se depara muito com ego e vaidade”, afirma. Deixou isso de lado para se envolver com iniciativa voltada para o social – ministra oficinas para jovens em situações de risco em várias cidades – e outra autoral. Foi dessa maneira que surgiu o TV Kills – Arte Ataque!, grande laboratório, de onde saíram as telas da exposição Heróis do Brasil e ainda um trabalho de estamparia em camisetas. Como todo trabalho de cultura urbana, a influência pop é grande (outra vertente de Tatoo é sua atuação junto a bandas como Sepultura, Cordel do Fogo Encantado e Inocentes, para quem criou arte de discos e cenário de shows). A exposição que será aberta amanhã foi apresentada no ano passado em São Paulo. A intenção de Ricardo Tatoo é transformar o TV Kills num projeto itinerante.

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FRANCESES E ÁRABES

O Uzina leva ao pé da letra a máxima tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Pufes no lounge e mesas para quem está a fim de um restaurante. O cardápio, assinado pelo chef Henrique Ferrari, traz uma mistura da culinária francesa (principalmente com crepes) e árabe. A inspiração da casa veio do Kab L’Uzine, em Genebra, um espaço que também funciona num antigo galpão. Outro dos sócios é Guilherme Garcia, conhecido do extinto Bar do Francês.

UZINA RESTAURANTE & LOUNGE
Rua Grão Mogol, 908, Sion, (31) 3221-2601. Funcionamento de quarta a sábado, das 20h às 2h. A exposição TV Kills – Heróis do Brasil será aberta sábado e ficará em cartaz até o fim de maio.

Flávio Portella/Divulgação
Ricardo Tatoo traz a BH a exposição TV Kills - Heróis do Brasil (foto: Flávio Portella/Divulgação)

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