Mineiro e baiana se unem para criar pratos típicos dos dois estados

27/02/2009 07:00
Pedro David/Esp. EM/d.a press
A proprietária Arilene Araújo serve os clientes vestida a caráter (foto: Pedro David/Esp. EM/d.a press)
Geraldo Rodrigues Souza Filho trabalha como técnico mecânico há 20 anos. Nessas duas décadas, visitou Salvador com frequência. Como sempre se interessou por cozinha, aproveitava cada viagem para aprender um pouco sobre a comida típica baiana. Numa dessas idas, teve a ideia de abrir em Belo Horizonte um restaurante que refletisse suas preferências culinárias: receitas de lá e de cá, pois é mineiro de Augusto de Lima. O projeto só saiu do papel quando ele conheceu a mulher, a soteropolitana Arilene dos Santos. Foi o pontapé inicial para a inauguração do Baianera, no Bairro Santa Tereza.

Para convencer Arilene a se mudar para a capital mineira e ajudá-lo na empreitada, foi preciso um empurrãozinho. “Fiz vários pratos para ela, que ficou apaixonada e gostou da proposta”, lembra Geraldo. Os dois se encontraram há três anos no Pelourinho, em Salvador, que ele costumava visitar para conhecer restaurantes e aprender sobre as comidas típicas. Já com alguma experiência, mesmo sem ter largado o emprego, o técnico mecânico chegou a fazer jantares para eventos e clientes particulares em Belo Horizonte.

A procura por um ponto terminou no Alto dos Piolhos, região de Santa Tereza conhecida pela concentração de bares. “Minha mãe mora no Horto e fui criado nessa área. Sei da tradição do bairro em relação a bares e cultura, acredito que o local precisa de uma casa como a nossa, que trabalha com peixes e frutos do mar”, lembra Geraldo, que mora na capital mineira desde os 3 anos. O imóvel que abriga o restaurante era ocupado por uma padaria.

As reformas duraram dois meses e deram origem a um salão dividido em dois níveis, decorado com fotos de paisagens mineiras e baianas e com capacidade para cerca de 50 pessoas em mesas com tampo de fórmica verde. Do teto, pendem luminárias assinadas pelo artista plástico Aluízio Figueiredo. No atendimento à freguesia, destaca-se a própria Arilene, que assume a tarefa vestida a caráter, de baiana. “Não somos boteco, nosso foco é comida”, insiste ele. Mas o clima é informal e, de fato, lembra um bar.

Lambão

Geraldo concilia o emprego original com a vida de dono de restaurante. É o responsável pelas compras. Toda sexta-feira, traz robalo e camarão frescos; aos sábados e domingos, assume o comando da cozinha. No cardápio, que conta com pratos para duas pessoas e petiscos, predominam as receitas baianas. A começar pelas moquecas de peixe (R$ 37), camarão (R$ 47) e lagosta (R$ 40), servidas com arroz, pirão e “molho lambão” (à base de azeite, limão, tomate, cebola e coentro). Já o bobó de camarão sai por R$ 48. Tudo é servido em alguidares de barro.

Para petiscar, há carnes com batata frita na pedra (linguiça, picanha, alcatra comum e serenada – entre R$ 23 e R$ 30); porções (torresmo, pastel de angu, carne serenada e bolinho de bacalhau feito com mandioca – entre R$ 7 e R$ 18); peixes (surubim, peroá e gurujuba – cerca de R$ 16) e caldos (camarão, sururu e feijão – entre R$ 6 e R$ 8). Especialidades baianas são os acarajés feitos com camarão fresco (R$ 5,50, unidade) ou defumado (R$ 6,50, unidade). Também há pedidas litorâneas e nordestinas, como a casquinha de siri (R$ 5, unidade) e o arrumadinho (R$ 22, para três pessoas), respectivamente.

BAIANERA - Rua Bocaiúva, 3, Santa Tereza, (31) 2552-0660. Aberto de segunda a quinta, das 17h à 1h; sexta-feira, das 17h às 2h; sábado e domingo, das 11h à 1h.

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