Rubens Beltrão abre o botequim Inusitado

24/10/2008 07:00
Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press
Rubens Beltrão confessa que sua paixão pela gastronomia começou com a cozinha mineira (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
Todo chef tem seus desejos (quase) secretos. Mesmo que dirijam restaurante badalado, ganhem prêmios ou assinem cardápio totalmente autoral, sempre guardam vontades com um quê de sonho impossível. Pode ser uma casa para atender 10 pessoas por noite ou um cardápio só com miúdos, por exemplo. Não raro, deixam escapar o projeto de um bar, afinal, são muitos os que adoram cruzar a fronteira entre alta e baixa gastronomia. Quem realizou exatamente esse sonho foi o chef Rubens Beltrão, proprietário do italiano Via Destra (em BH e em Tiradentes), que, esta semana, abriu as portas de seu botequim, o Inusitado, na esquina das ruas Cristina e Leopoldina, no Santo Antônio.

“Esse bar é um antigo projeto meu. Minha paixão começou com a cozinha mineira. Pela italiana surgiu depois, na década de 1980. Quero um retorno à simplicidade, com tira-gostos de botequim e essa coisa de bar de esquina”, afirma Rubens. Para os que não sabem, ele é grande conhecedor da culinária mineira. Filho de mãe de Piumhi e pai de Capitólio, nasceu em Passos, no Sul de Minas. “Fui criado participando de todas as tradições mineiras”, conta o chef. A cicatriz que tem numa das mãos, inclusive, ganhou ajudando a mãe a cortar porco. É por isso que a especialidade da casa são petiscos e alguns pratos do interior do estado.

O imóvel, que abrigou recentemente os bares Pelejando e Du Espeto, é grande e foi parcialmente reformado – os fundos, que não têm acesso para a freguesia, serão alvo de obras futuras. As mesas de ferro e madeira são distribuídas pela calçada e um único salão interno, onde linda foto noturna da Matriz de Santo Antônio, em Tiradentes, ocupa uma parede inteira – a casa tem capacidade para 100 pessoas. Completam o clima luminárias de papel vegetal feito com fibra de bananeira e desenhadas pelas artistas plásticas Joice Saturnino e Lu Cerqueira. Rubens divide o comando da casa com Alexandre Savoi, que também é seu sócio no Via Destra, que abriu ano passado em Belo Horizonte.

“Quero que este seja um bar modelo, que tenha as coisas que todo mundo vê por aí e gosta, como a chaleira de caipirinha do Restaurante Sabor Rural, lá em Tiradentes. Também quero buscar coisas inusitadas que estão se perdendo no tempo e que as pessoas só encontram no interior”, explica Rubens. Exemplo disso, diz, é a receita de bucho de porco recheado, que servirá ocasionalmente na casa. Outra pedida regional é o caldo de mandioca à moda de Curvelo, com costela de boi. “Nas festas da cidade, me lembro de ver o pessoas servirem esse caldo em canecas e tomá-lo com cachaça”, lembra.

BUXEXADA

Há ingredientes comprados de fornecedores específicos e, em alguns casos, comprados diretamente em outras cidades. A farinha é um desses casos, branca e fina, trazida da cidade baiana de Santo Antônio de Jesus. A carne serenada (R$ 24, porção) é outro exemplo, feita com alcatra ou chã-de-dentro e produzida em Bocaiúva, no Norte de Minas. Já a lingüiça de pernil (R$ 17), é produzida pelo próprio Rubens no bar, seguindo receita própria. Para conseguir reproduzir pedidas tradicionais ou atualizá-las a partir da “versão original”, Rubens recrutou duas cozinheiras experientes para comandar a cozinha.

Outras opções de petisco são costelinha com mandioca (R$ 18), torresmo de barriga (R$ 12), moela (R$ 14), lambari frito (R$ 12), pé-de-porco (R$ 12) e “buxexada” (papada de porco ao molho de feijão; R$ 11). Destaque para as porções triunvirato 1 (torresmo, angu e jiló; R$ 15) e triunvirato 2 (torresmo angu e chouriço; R$ 16). Há ainda algumas opções de pratos, como o filé à pangaré (dois filés, dois ovos caipira, mandioca frita e arroz de alho; R$ 18, individual) e o frango à caipira (em pedaços, ao próprio molho, com purê de moranga e arroz de alho; R$ 22, para duas pessoas).

Nos fins de semana, servirá almoço, com pratos como língua e rabada, além de receitas raras, batizadas de “inusitado do dia”. Nesses dias, estarão disponíveis doces mineiros para sobremesa. Para beber, cervejas (nacionais, só em garrafa de 600ml; entre R$ 3 e R$ 4,10) e cerca de 50 rótulos de cachaça (entre R$ 3 e R$ 9, dose).

INUSITADO
Rua Cristina, 1.256, Santo Antônio. Aberto de terça a sexta, das 17h à 0h; sábado, das 11h à 0h; domingo, das 11h às 17h.

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