Chez Bastião adota novo perfil

19/09/2008 07:00
Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press
O maitre Guarcindo de Souza, o sommelier Allan Kardec e o chef Ronaldo Afonso da Silva, o Xuxa (C), integram a equipe do Chez Bastião (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
Os versos de Chico Buarque no refrão de Quem te viu, quem te vê servem perfeitamente para descrever a sensação de quem entra no Restaurante Chez Bastião, ícone da gastronomia de Belo Horizonte aberto em 1965 e reinaugurado esta semana, na mesma esquina em que fez história, na Savassi. De nostalgia, só restam o toldo e o estrogonofe, além da placa que homenageia clientes assíduos do passado. Capitaneada por grupo de sócios, que tem à frente o uruguaio Francisco Tomás, a nova versão da casa contou com consultoria do chef italiano Luciano Boseggia, que assina o cardápio, e projeto arquitetônico de Carico, que deu à casa ares totalmente novos.

“Estou me jogando com tudo nesse projeto. Não estou abrindo uma casa a mais, mas reabrindo um templo. Todo mundo tem uma história no Chez. É um compromisso com a cidade. Minha responsabilidade é bem grande”, garante Francisco Tomás, que também é proprietário dos restaurantes La Victoria, em Nova Lima, e Parrilla del Mercado, na capital mineira. O ponto foi comprado em dezembro do ano passado, quando o restaurante fechou. As reformas começaram em janeiro. “Desmanchamos e tiramos tudo o que havia aqui dentro”, lembra ele.

O salão escuro e aconchegante de antes deu lugar a um ambiente sóbrio, com pé-direito alto, piso de mármore claro, grande espelho numa das paredes e cortinas delicadas. No salão lateral (onde antes funcionava a cozinha), o clima é mais informal, com luz natural, mesas sem toalhas e sofá comum a quem senta de costas para a parede. As cadeiras – brancas, com pé escuro – foram desenhadas especialmente para a casa e informalmente batizadas pelo chef Boseggia de “ovelhas”. “Quis fazer uma casa que convidasse os amigos do Chez, mas que também trouxesse novos clientes. Ficou mais moderna. Os antigos clientes vão amar ou odiar”, aposta o arquiteto Carico.

O toldo, uma das marcas da casa, foi mantido. Porém, teve a cor verde (original) substituída pelo preto e o revestimento interno de hera, removido. A plaquinha com o nome é a mesma. Mantendo a tradição, nem a grafia da expressão “scotch bar” foi corrigida; continua sem a segunda letra cê. Como antes, a calçada tem várias mesas e, no fundo do salão principal, agora há uma adega climatizada, fechada por vidro. A cozinha foi transferida para o andar de cima, onde também estão os banheiros.

DESAFIO INTERESSANTE

“Esse é um projeto muito ambicioso. O Chez Bastião era muito tradicional, mas não tive a oportunidade de visitá-lo, apesar de freqüentar Belo Horizonte desde a época do Café Ideal”, comenta o chef Luciano Boseggia. Ele confessa que, a princípio, pensou em não aceitar o convite para ser o consultor gastronômico do restaurante: “A idéia era boa, mas o lugar estava deprimente. A casa estava meio largada”. Em nova visita ao local, já em reformas, decidiu aceitar o que chama de “desafio interessante”.

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Camarões com farofa de tomilho, um dos pratos do cardápio criado pelo chef italiano Luciano Boseggia (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D.A Press)
O cardápio foi concluído por ele há menos de uma semana. Não é extenso e conta com petiscos requintados, carnes, peixes, frutos do mar, massas e, como não poderia deixar de ser, risotos. O italiano é especialista no assunto e tem, inclusive, livro sobre o tema, Il riso in tasca (atualmente, esgotado). Entre os três risotos disponíveis no cardápio, o de açafrão com vieiras (R$ 51, individual) e o de queijo brie e aspargos (R$ 48, individual). Ele garante que a cozinha vai preparar um risoto diferente por dia, como sugestão.

Todas as massas são importadas da Itália, caso do espaguete com lagosta e tomate (R$ 56, individual) e do linguine de tinta de lula com vôngoles (R$ 48, individual). O chef destaca também pratos como o filé com queijo peccorino romano trufado com cabelo de anjo (R$ 46, individual), o camarão com farofa de tomilho e aspargos frescos (R$ 68, individual) e o linguado ao molho de espumante e caviar, servido com risoto de uvas fresca e amêndoas (R$ 57, individual).

EQUIPE

Boseggia ficará diariamente na casa, até outubro, fiscalizando o trabalho da equipe. Depois disso, o comando ficará a cargo do chef Ronaldo Afonso da Silva, o Xuxa, que passou pelas cozinhas do extinto Café Ideal, Splendido, La Victoria, Espaço Real e Ah! Bon. Quemcoordena as operações fora da cozinha é o maître Guarcindo de Souza, que trabalhou entre 1987 e 1994 no Chez Bastião. “É maravilhoso voltar a essa casa. No passado, só havia dois restaurantes na cidade: o Chez Bastião e o Dona Derna. Hoje, o Chez pode competir com qualquer um”, orgulha-se Guarcindo.

A carta de vinhos, com 139 rótulos, foi elaborada pelo sommelier Allan Kardec, que contou com a ajuda do proprietário Francisco e de sua filha, Laura Tomás. “A carta chama a atenção pela diversidade de vinhos italianos, como barola, brunello, rosso, chianti, valpolicella e batasiolo”, explica Allan, que estará no local de segunda a sábado (aos domingos, ele trabalha no La Victoria).

CHEZ BASTIÃO
Rua Alagoas, 642, Savassi, (31) 3261-5694. Aberto de segunda a sábado, das 11h à 1h; domingo, das 11h às 19h.

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