PFs executivos são uma boa pedida...

... para quem não gosta de pedir à la carte e não é adepto do self-service

12/09/2008 07:00
Rodrigo Albert/Esp. EM/D. A Press
Bacalhau à moda do chef, do Pizza Sur (foto: Rodrigo Albert/Esp. EM/D. A Press)
Engana-se quem pensa que comer bem durante o dia é coisa de sábado e domingo. Com um pouquinho de tempo e dinheiro sobrando, é possível transformar a hora do almoço num momento de pequenos prazeres gastronômicos. De segunda a sexta, vários bares e restaurantes de Belo Horizonte oferecem variadas opções a partir das 11h: do clássico prato feito, nas versões tradicional e gourmet, a cardápios executivos, que tornam mais acessíveis as cozinhas de restaurantes sofisticados da cidade. Em algumas casas, menu individual com entrada, prato e sobremesa sai por R$ 35. Há até quem prometa entrada, prato e sobremesa em menos de 30 minutos.

Quando o assunto é PF, a capital mineira tem pelo menos dois representantes principais: o emblemático kaol (R$ 6,90), do septuagenário Café Palhares, no Centro; e o rochedão (R$ 9), que ajudou a construir a fama do Bolão, em Santa Teresa. Além desses dois endereços, uma série de outros bares da cidade se esmera não apenas nos tira-gostos para embalar a noite, mas em pratos que atendem quem não freqüenta self-service, nem restaurante à la carte. Um dos que goza de maior prestígio – sendo freqüentado por público gourmet, inclusive –, é o Bar do Antônio, popularmente conhecido como Pé de cana, no Sion.

Lá, a vocação para extrapolar o “arroz com feijão” é latente. Pratos como o medalhão de filé com bacon (R$ 15), o bife de chorizo (R$ 18) e a tilápia ao molho de mexerica (R$ 16), servidos sempre com acompanhamentos triviais, são pedidas disponíveis diariamente. Cada dia da semana tem sugestões especiais. Terça, por exemplo, é dia de pappardelle (feito no bar) ao molho branco com peixe (R$ 16); quarta, de galeto recheado com batata, queijo minas e ervas ao molho de espumante (R$ 16); quinta, de leitão recheado com pernil, bacon e ervas (R$ 15). Como de costume, o bar prepara PFs a partir de tira-gostos, como língua, pé-de-porco, costelinha e rabada.

“Temos muitos amigos que gostam de cozinha e alguns até fazem pratos para os amigos aqui no bar”, conta Marco Túlio, que comanda o Bar do Antônio com os irmãos, Roberto Márcio e Márcio Roberto. Nascidos na cidade mineira de Tiros, os irmãos chegaram à capital mineira em 1980. Quatro anos depois, compraram o bar do seu Antônio, que o abriu em 1964. A veia gourmet que a casa ganhou desde então se deve ao fato de Roberto e Márcio sempre terem feito cursos de culinária com chefs da cidade, aplicando o que aprendiam na cozinha do bar.

Mas, em geral, os PFs nos bares da cidade se concentram no cardápio cotidiano: arroz, feijão, salada simples, legumes cozidos, verdura refogada, farofa e carne de segunda. Em alguns casos, o foco é no que está tradicionalmente associado à cozinha de fim de noite. É assim no Bar Chopp da Fábrica, no Santa Efigênia, que tem no laricão (arroz, salada, batatas fritas, bife, ovo e feijão; R$ 7,80, individual; com espaguete, sai por R$ 8,90) e no mexidão (R$ 11,30, para uma ou duas pessoas) seus pratos mais vendidos na hora do almoço.

MEIO TERMO

Caso interessante é o da Pizza Sur. Aberta inicialmente para servir pizzas e empanadas, a filial de Lourdes acabou incluindo vários pratos em seu cardápio para justificar seu funcionamento durante o dia. A idéia deu tão certo que o cardápio executivo foi estendido para o sábado e o domingo. Na sexta, alguns fregueses até pedem taça de vinho (entre R$ 5,50 e R$ 12,90) para acompanhar. “O pessoal reclamava do almoço na região, pois não havia pratos feitos na hora, só self-service. Não existia opção intermediária. Era self, boteco ou restaurantes caros”, diz o proprietário Gustavo Roman.

Como ele é argentino, não faltam carnes e combinações típicas de sua terra natal. Todos os pratos são individuais e variam entre R$ 12,90 (nhoque da casa ao pesto) e R$ 31,90 (bife de chorizo com arroz e batata ao creme). Há ainda pernil de cordeiro com batatas e cebolas (R$ 18,90), bife à milanesa com purê de batatas (R$ 18,90) e salmão com musseline de couve-flor (R$ 18,90), entre outras opções – pagando mais R$ 3, come-se salada e sobremesa também. “O pessoal também quer comer rápido. Dá para comer entrada, prato e sobremesa em 30 minutos, tranqüilo”, garante.

Rodrigo Albert/Esp. EM/D. A Press
Brochete de frutos do mar com arroz, espinafre e batata colet, do Restaurante Atlantico (foto: Rodrigo Albert/Esp. EM/D. A Press)
DE DIA


Em Lourdes, onde está boa parte dos restaurantes de alto nível da cidade, o almoço executivo anda virando regra. O Dádiva já trabalha com esse sistema desde o início, em 2006, servindo entrada, prato, picadinho (com arroz, farofa, couve e feijão com lingüiça) e sobremesa por R$ 35 (individual). Já o recém-inaugurado Atlantico, especializado em peixes e frutos do mar, também aderiu ao esquema. Há um mês, oferece cardápio variado na hora do almoço a R$ 35 (individual), incluindo uma entrada e um grelhado (ou prato do dia).

“Não temos nada muito temperado, nem pesado. Assim, as pessoas saem leves do almoço”, afirma Marcos Calmon, um dos proprietários. Destaque para o pargo e o brochete de frutos do mar (atum, salmão, camarão, polvo, cebola e pimentão), ambos preparados na brasa e servidos com dois acompanhamentos (em lindas panelinhas) e um molho à escolha. Hoje é dia de espaguete ao vôngole; na segunda tem lagosta à thérmidor com purê de batata; terça a opção é moqueca de peixe e camarão com arroz e pirão; quarta é servido arroz de bacalhau; e, na quinta, arroz de polvo com brócolis ao alho. Quem quiser comer ostras à vontade, paga R$ 22 (só na sexta).

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