Albano's faz intercâmbio de tira-gostos

Choperia traz clássicos paulistas para o cardápio

22/08/2008 07:00
Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press
Reforma do Albano´s mudou a cara do bar, que fica mais moderno sem perder o ar tradicional (foto: Pedro Motta/Esp. EM/D. A Press)
Uma das principais choperias da capital, o Albano’s reabriu as portas recentemente, depois de um mês de reformas. Por dentro e por fora, as diferenças são notáveis. Bem mais bonito, o bar conta com fachada remodelada, novo mobiliário, piso de ladrilho hidráulico, cozinha ampliada, revestimento acústico e pequeno empório anexo ao balcão de antepastos. Alguns novos petiscos foram “importados” de outros bares e outros desenvolvidos pelo chef Adriano Santos e sua equipe. A coleção de pingüins agora exibe 1,2 mil exemplares. Só o chope não mudou.

“Como todo negócio, bar tem que ser renovado. Nosso sucesso seria tranqüilizador, mas prefiro me manter atualizado a ficar sentado, vendo o tempo passar. O bar ficou mais atual, confortável e com conceito de choperia mais definido, mais harmônico”, analisa o proprietário da casa, Rodrigo Ferraz. De fato, ele tem razão quando menciona a palavra conceito. Quem conhece bares paulistanos como o Astor, o Pirajá e o Original (que, por sua vez, reeditam o estilo carioca de botequim, mas com luxo) vai identificar semelhanças. O balcão de antepastos é uma delas.

O empório, instalado entre a lojinha de souvenirs e o balcão, deu tom charmoso e informal à casa. Em prateleiras, estão diversos produtos à venda, como azeite, tomate em lata, frios e queijos, entre outros – tudo com o mesmo preço do supermercado Verdemar, parceiro no espaço. Na frente, está o balcão de antepastos, com opções variadas a quilo (R$ 44,50): frutos do mar marinados, ratatouille, mussarela de búfala com pimenta biquinho, gorgonzola com alecrim, parmesão marinado, alho assado, palmito com tomilho, salmão e por aí vai.

Do intercâmbio gastronômico com bares de São Paulo, iniciado este ano, ficaram três pedidas apetitosas. A primeira delas é um ícone da baixa gastronomia paulistana: as coxinhas do Bar Frangó (R$ 15,80), tidas como as melhores da cidade. Entre as demais, iscas de frango empanadas com flocos de milho (R$ 19,50), do Bar Salve Jorge, e costela de boi com farofa de feijão andu, cebola caramelizada, batatas e molho de feijão (R$ 39). “Procurei oferecer todos os petiscos que fazem as pessoas saírem de casa para comer”, afirma Rodrigo.

O próximo intercâmbio será feito com dois ou três bares cariocas. Como antes, o chef Adriano viajará para as casas para aprender as receitas. Por enquanto, é possível experimentar dois tira-gostos criados por ele. Um deles é a kafta ao molho de hortelã e coalhada seca, com pão árabe (R$ 22,50); o outro, tulipinha de asa de frango com calabresa (R$ 17,50). Pedidas de sucesso, como o combinado Albano’s nº 1 (R$ 28,50), que reúne carne-de-sereno, lingüiça, costelinha defumada, mandioca e fritas, foram mantidas.

QUASE VIVO

O chope (R$ 3,50) é exatamente o mesmo, mas a maneira de servi-lo mudou um pouco. As tulipas passaram a ser armazenadas a zero grau no balcão frigorífico. O abre-e-fecha acaba fazendo com que a temperatura interna suba para cerca de 7 graus, mas, ainda assim, o recurso ajuda a manter o chope gelado por mais tempo na mesa da freguesia. A venda da bebida, que antes da reforma era de 15 mil litros por mês, deve aumentar entre 20% e 25%, de acordo com expectativa do proprietário Rodrigo. A chopeira é a mesma de antes, com quatro bicos.

“Gosto do líquido e do creme vindos do mesmo barril de chope. O creme fica mais denso, se desfaz mais devagar e, por isso, segura mais o sabor e o gás”, diz ele. A opinião faz parte de uma das principais discussões quando o assunto é chope. Algumas casas costumam extrair chope e creme de barris diferentes, o que, além de não permitir o giro mais rápido dos barris (chope é um produto quase “vivo”, portanto, altamente perecível), desestimula a habilidade dos funcionários na chopeira.

É bom que seja verdade, pois uma estátua de bronze de Albano Celini, entidade quase mitológica no assunto (foi ele quem comprou a choperia Pingüim em Ribeirão Preto e a transformou em potência nacional), acabou de ser instalada no fundo bar, vigiando tudo.

ALBANO’S
Rua Pium-í, 611, Anchieta. (31) 3281-2644. Aberto de segunda a quinta, das 18h à 1h; sexta, das 18h à 1h30; sábado e domingo, das 15h à 1h30.

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